REPRESENTA��ES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: REVIS�O INTEGRATIVA

SOCIAL REPRESENTATIONS OF PREGNANCY: INTEGRATIVE REVIEW

REPRESENTACIONES SOCIALES DEL EMBARAZO: REVISI�N INTEGRATIVA

 


1Nayara Santana Brito

2Luana Silva de Sousa

3Francisca Josiane Barros Pereira Nunes

4Raissa Emanuelle Medeiros Souto

5Emilly de Fran�a Fontenele

6Dafne Paiva Rodrigues

 

1 Universidade Estadual do Cear�/UECE. Fortaleza (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9782-5513.

 

2 Universidade Estadual do Cear�/UECE. Fortaleza (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-6203-0024.

 

3 Universidade Estadual do Cear�/UECE. Fortaleza (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8942-1474.

 

4 Universidade da Integra��o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB. Reden��o (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5995-2784.

 

5 Universidade Estadual do Cear�/UECE. Fortaleza (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9032-7394.

 

6 Universidade Estadual do Cear�/UECE. Fortaleza (CE), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8686-3496.

 

Autor correspondente

Nayara Santana Brito

Av. Dr. Silas Munguba, 1700 � Campus do Itaperi, Fortaleza-CE, Brasil. +55(85) 3101.9823. CEP: 60.714-903. E-mail: nayara_santanabrito@hotmail.com

 

RESUMO

Objetivo: Analisar a literatura nacional e internacional sobre as representa��es sociais da gravidez. M�todo: Trata-se de uma revis�o integrativa, realizada nas bases de dados MEDLINE, CINAHL, SciELO, LILACS, BDENF. Ap�s a an�lise e refinamento da busca, foram selecionados 10 estudos, que compuseram o corpus de an�lise deste estudo e foram classificados em dois eixos principais: a caracteriza��o e a s�ntese do conhecimento sobre as representa��es sociais da gravidez. Resultados: Os estudos evidenciaram tr�s categorias tem�ticas: a maternidade e suas significa��es, que evidenciou aspectos voltados para o cotidiano das gestantes; religiosidade e maternidade, apontando a religi�o como explica��o para os acontecimentos; maternidade e cuidado de enfermagem, evidenciando uma necessidade de orienta��o e informa��o. Considera��es finais: A partir dos resultados, foi poss�vel compreender que a representa��o social da gravidez � constru�da ao longo da experi�ncia particular de vivencias, sendo necess�rio compreender tais aspectos, para ent�o fomentar um cuidado de enfermagem pautado em estrat�gias abrangentes e condizentes com as necessidades dessas mulheres.

Palavras-chave: Gravidez; Percep��o Social; Cuidado de Enfermagem. 

 

ABSTRACT

Objective: To analyze the national and international literature on the social representations of pregnancy. Method: This is an integrative review, carried out in the MEDLINE, CINAHL, SciELO, LILACS, BDENF databases. After the analysis and refinement of the search, 10 studies were selected, which made up the analysis corpus of this study and were classified into two main axes: the characterization and synthesis of knowledge about the social representations of pregnancy. Results: The studies showed three thematic categories: motherhood and its meanings, which showed aspects focused on the daily lives of pregnant women; religiosity and motherhood, pointing to religion as an explanation for the events; maternity and nursing care, evidencing a need for guidance and information. Final considerations: Based on the results, it was possible to understand that the social representation of pregnancy is built throughout the particular experience of living, and it is necessary to understand these aspects, in order to promote nursing care based on comprehensive strategies that are consistent with the needs of these women. women.

Keywords: Pregnancy; Social Perception; Nursing Care.

 

RESUMEN

Objetivo: Analizar la literatura nacional e internacional sobre las representaciones sociales del embarazo. M�todo: Se trata de una revisi�n integradora, realizada en las bases de datos MEDLINE, CINAHL, SciELO, LILACS, BDENF. Luego del an�lisis y refinamiento de la b�squeda, fueron seleccionados 10 estudios, que constituyeron el corpus de an�lisis de este estudio y fueron clasificados en dos ejes principales: la caracterizaci�n y s�ntesis del conocimiento sobre las representaciones sociales del embarazo. Resultados: Los estudios mostraron tres categor�as tem�ticas: la maternidad y sus significados, que mostraron aspectos centrados en el cotidiano de las gestantes; religiosidad y maternidad, apuntando a la religi�n como explicaci�n de los hechos; atenci�n de maternidad y enfermer�a, evidenciando una necesidad de orientaci�n e informaci�n. Consideraciones finales: Con base en los resultados, fue posible comprender que la representaci�n social del embarazo se construye a lo largo de la experiencia particular de vivir, y es necesario comprender estos aspectos, para promover el cuidado de enfermer�a basado en estrategias integrales que sean coherentes. con las necesidades de estas mujeres.

Palabras clave: Embarazo; Percepci�n Social; Cuidado de Enfermera.


 


INTRODU��O

 

A gesta��o � um evento complexo e singular, envolvendo mudan�as biopsicossociais, que ocorrem na vida da mulher. Nesse per�odo, a gestante redescobre seu corpo, de acordo com as altera��es intr�nsecas caracter�sticas desta fase. Dessa forma, � comum que essa etapa gere contradi��es entre as experi�ncias de cada gestante em consequ�ncia das altera��es fisiol�gicas, emocionais e comportamentais que cada mulher vive nesse processo(1).

As gestantes vivenciam uma evolu��o em dire��o � parentalidade, e essas constru��o considera aquilo que est� enraizado desde a inf�ncia. Nesse contexto, � visto que as representa��es em rela��o a maternidade s�o distintas, vari�veis e at� antag�nicas, pois envolvem diferentes perspectivas. Observa-se assim, que a compreens�o de tais representa��es influencia diretamente a evolu��o da gesta��o e processo de constru��o da mulher enquanto m�e, influenciando diretamente nas rela��es entre pais e filhos e interferindo no desenvolvimento destes(2). Depreende-se ent�o que � imprescind�vel compreender o processo gestacional a partir das percep��es e necessidades da gestante, para que assim seja poss�vel ofertar uma assist�ncia atenda a essas necessidades.

Para que tais viv�ncias sejam compreendidas, � necess�rio considerar as representa��es sociais das gestantes, uma vez que envolve fatores subjetivos. Isso � poss�vel atrav�s da Teoria das Representa��es Sociais (TSR), que explica a realidade social e como se d� o processo de constru��o do conhecimento a partir da perspectiva individual e coletiva(3). As representa��es sociais s�o express�es e interpreta��es do corpo social sobre determinado assunto ou conte�do aceito, difundido e certificado pela sociedade. Elas emergem da contribui��o de cada indiv�duo que apreende e estabelece um comportamento a partir dessas representa��es. A Hist�ria e a antropologia permitem considerar as representa��es como entidades sociais de vida pr�pria que se comunicam e surgem como objetos materiais, uma vez que s�o resultado das nossas a��es e comunica��es. Assim, as representa��es passam a fazer parte do vocabul�rio e da interpreta��o do indiv�duo de acordo com a sua bagagem sociocultural(3).

As representa��es socias s�o fen�menos que est�o relacionados como o modo particular de compreender e se comunicar(4). Ressalta-se que as representa��es sociais s�o elaboradas a partir de uma multiplicidade de informa��es, imagens, sentimentos conscientes e inconscientes, atitudes e n�o apenas por mecanismos cognitivos. Isto confere um car�ter din�mico �s representa��es sociais e, portanto, os seus conte�dos dependem, em sua maioria, da posi��o que os grupos ou indiv�duos ocupam em cada sociedade. Nessa perspectiva, as representa��es sociais podem influenciar o comportamento do indiv�duo pertencente a uma coletividade. Desse modo, o pr�prio coletivo penetra como fator determinante, dentro do pensamento individual (3,4).

Portanto, estudar as representa��es sociais de um objeto, no caso deste estudo, a gesta��o, significa buscar explorar o seu enraizamento na cultura e os elementos que o tornam intelig�vel, possibilitando a constru��o de refer�ncias para o direcionamento de pr�ticas e para a cria��o de expectativas(3). Com vistas a identificar as tend�ncias das pesquisas sobre sa�de materna na perspectiva das representa��es sociais, visando promover reflex�es que subsidiem novos estudos e possibilitem o desenvolvimento de um novo pensar e agir para o cuidado em sa�de materna, realizou-se uma revis�o integrativa da literatura que objetivou analisar a literatura nacional e internacional sobre as representa��es sociais da gravidez.

Assim, pretende-se contribuir com a vis�o ampliada acerca das representa��es sociais na gravidez, evidenciando como ela � constru�da no senso comum � luz da Teoria das Representa��es Sociais. A discuss�o de quest�es atuais sobre as representa��es sociais da mulher que vivencia a gesta��o visa contribuir para a constru��o de novos conhecimentos sobre a tem�tica e orientar a melhoria na assist�ncia prestada.

 

M�TODOS

 

�Trata-se de uma revis�o integrativa da literatura, desenvolvida seguindo as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galv�o (2008)(5): identifica��o do tema e sele��o da quest�o de pesquisa; estabelecimento de crit�rios para a inclus�o e exclus�o dos estudos, amostragem ou busca na literatura; defini��o das informa��es a serem extra�das dos estudos selecionados, e categoriza��o dos estudos; avalia��o dos estudos inclu�dos; intepreta��o dos resultados; e apresenta��o da revis�o. Este tipo de estudo permite desenvolver uma interpreta��o mais extensiva de um fen�meno espec�fico de forma a facilitar a compreens�o de um conhecimento relevante na atualidade(5,6).

A quest�o norteadora foi formulada por meio da estrat�gia PICo, em que �P� de popula��o denota as gestantes, �I� de fen�meno de interesse, configura as representa��es sociais, �Co� de contexto, gesta��o. Ap�s, foi poss�vel estruturar a seguinte quest�o norteadora: de acordo com a literatura, quais as representa��es sociais de mulheres sobre a gesta��o?

A coleta de dados foi realizada em junho de 2021, por meio do Portal de Peri�dicos da Coordena��o de Aperfei�oamento de Pessoal de N�vel Superior (CAPES) nas bases de dados e bibliotecas: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Cumulative Index to Nursing and Allied health Literature (CINAHL), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ci�ncias da Sa�de (LILACS ) e na Base de Dados de Enfermagem (BDENF). A escolha das bases e bibliotecas deu-se em fun��o da abrang�ncia e relev�ncia cient�fica.

Realizou-se uma busca inicial pelos Termos Medical Subject Headings (MeSH), buscando os termos correspondentes aos conceitos implicados na pesquisa, a partir do acr�nimo PICo. Assim, foram selecionados os MeSH: Pregnancy, Social Perception e Psychology Social. Para acesso as informa��es os termos foram intercruzados com operadores booleanos, de duas formas: Pregnancy AND Social Perception e Pregnancy AND Psychology Social.

A busca aconteceu em etapas, onde inicialmente foi constru�da as equa��es de busca, ap�s, procedeu-se as buscas nas bases de dados que identificou, inicialmente, 1.734 artigos. O processo de sele��o dos artigos foi ilustrado de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses (PRISMA) (7), como mostra a Figura 1.

 

���������������������� Figura 1 - Fluxograma PRISMA de sele��o dos estudos.Caixa de Texto: Identifica��o

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).

 

Em seguida a identifica��o dos artigos, na primeira etapa, os estudos foram submetidos a um processo de triagem em que os artigos duplicados foram exclu�dos, assim, foram exclu�dos 834 artigos repetidos. Posteriormente, a segunda etapa, foi realizado o refinamento dos achados, na primeira etapa de triagem foi realizada a leitura dos t�tulos e resumos, excluindo aqueles que n�o se adequavam ao objetivo do estudo e realizada uma pr�-sele��o, com exclus�o dos artigos que n�o se adequavam aos crit�rios de inclus�o e exclus�o, que inclu�am: texto completo dispon�vel, artigos classificados como pesquisa original, sem delimita��o temporal, nos idiomas portugu�s, ingl�s ou espanhol, e como crit�rio de exclus�o: n�o responder � quest�o norteadora. N�o se utilizou delimita��o temporal, pois a revis�o busca documentar o que havia dispon�vel na literatura sobre o tema proposto. Nessa etapa, 880 artigos foram exclu�dos por n�o atenderem aos crit�rios de inclus�o.

A terceira etapa da triagem deu-se com a leitura flutuante dos artigos, sendo descartados cinco artigos que n�o se adequavam ao estudo, resultando em 15 estudos. Na quarta etapa, em que foi feita a leitura rigorosa dos 15 estudos potencialmente eleg�veis, foram exclu�dos cinco por se apresentarem incompat�veis com a proposta do estudo. Assim, a amostra final foi composta por 10 artigos.

Ap�s a sele��o dos estudos, foi definidas as informa��es a serem extra�das, para tal os pesquisadores adaptaram o instrumento de coleta de dados dos autores(8), contemplando as seguintes vari�veis: caracteriza��o bibliom�trica (n�mero, t�tulo, autores, ano de publica��o, peri�dico, pa�s de origem, idioma e base de indexa��o),� e caracteriza��o metodol�gica (objetivo, m�todo, local da pesquisa, amostra/amostragem, organiza��o e an�lise de dados, resultados e conclus�o). O processo de organiza��o e sumariza��o dos estudos inclu�dos deu-se a partir das converg�ncias e diverg�ncias encontradas nos artigos.

Por fim, a apresenta��o da revis�o foi realizada atrav�s de quadros sin�pticos e s�ntese descritiva dos estudos, abordando as vari�veis pertinentes para a compreens�o do objeto em estudo, e com posterior discuss�o com a literatura pertinente.

 

RESULTADOS

 

O Quadro 1, apresenta os dados bibliogr�ficos quanto aos autores, ano, t�tulo, peri�dico e local, dos 10 artigos inclu�dos na revis�o.

 

Quadro 1 � Caracteriza��o da amostra segundo autores, ano, t�tulo, peri�dico e pa�s. Fortaleza, Cear�, 2021.

N�

Autores e Ano

T�tulo

Peri�dico e Pa�s

1

Souza; Ara�jo; Costa(9)

2013

Representa��es sociais de pu�rperas sobre as s�ndromes hipertensivas da gravidez e nascimento prematuro.

Rev. Latino-Am. Enfermagem (Brasil)

2

G�mez-Sotelo et al(10)

2012

Representaciones sociales del embarazo y la maternidad en adolescentes primigestantes y multigestantes en Bogot�.

Rev. Salud. P�blica (Col�mbia)

3

Velho, Santos, Colla�o(11)

2014

Parto normal e ces�rea: representa��es sociais de mulheres que os vivenciaram.

Rev. Bras. Enferm. (Brasil)

4

Escobar-Paucar; Sosa-Palacio; S�nchez-Mej�a(12)

�2011

Salud bucal: representaciones sociales en madres gestantes de una poblaci�n urbana. Medell�n, Colombia.

Ci�nc. Sa�de Coletiva (Brasil)

5

Duarte et al(13)

2011

HIV-Positive pregnant women from the perspective of the population.

Rev. Enferm. UFPE on line. (Brasil)

6

Rodrigues, et al(14)

2007

Representa��es sociais de mulheres sobre o cuidado de enfermagem recebido no puerp�rio.

Rev. Enferm. UERJ (Brasil)

7

Rocha, et al(15)

2014

Significados nas representa��es de mulheres que engravidaram ap�s os 35 anos de idade.

Rev. Enferm. UFPE on line. (Brasil)

8

Sales; Avelar; Al�ssio(16)

2018

Parto normal na gravidez de alto risco: representa��es sociais de prim�paras.

Estud. pesqui. psicol. (Brasil)

9

Mat�o, Miranda, Freitas(17)

2014

Entre el deseo, el derecho y el miedo a ser madre tras seropositividad del HIV.

Enferm. Glob.

(Espanha)

10

Sierra-Mac�as et al(18) 2019

Embarazos adolescentes y representaciones sociales (Le�n, Guanajuato, M�xico, 2016-2017).

Rev. Latino am.

cienc. soc. ni�ez juv. (M�xico)

�Fonte: elaborado pelas autoras (2022).

 

Os estudos foram publicados entre 2007 e 2019, sete deles publicados em revistas brasileiras e um em revista colombiana, uma espanhola e outra mexicana. Em rela��o ao idioma, objetivos e amostra/p�blico-alvo os estudos est�o caraterizados de acordo com o Quadro 2.

 

Quadro 2 � Caracteriza��o dos estudos de acordo com o idioma, objetivos e amostra/p�blico-alvo. Fortaleza, Cear�, 2021.

N�

Idioma

Objetivos

Amostra/P�blico-alvo/

1

Portugu�s

Identificar os significados atribu�dos por pu�rperas �s s�ndromes hipertensivas da gravidez e suas consequ�ncias, como o nascimento prematuro e a hospitaliza��o do filho na unidade de terapia intensiva neonatal.

70 Mulheres no p�s-parto

2

Espanhol

Caracterizar as representa��es sociais da maternidade e gravidez em adolescentes que est�o em sua primeira gravidez e em adolescentes com mais de uma gravidez.

16 Adolescentes gr�vidas

3

Portugu�s

Conhecer as representa��es sociais do parto normal e da ces�rea de mulheres que os vivenciaram.

20 Mulheres no p�s-parto

4

Espanhol

Compreender as representa��es do processo sa�de-doen�a em mulheres gr�vidas de uma popula��o urbana.

28 Gestantes

5

Portugu�s

Determinar as representa��es sociais da popula��o acerca da gesta��o por mulheres soropositivas para o v�rus HIV.

235 Mulheres e homens

 

6

Portugu�s

Analisar as representa��es sociais das mulheres sobre o cuidado de enfermagem recebido no ciclo grav�dico-puerperal.

88 Mulheres e prim�paras

7

Portugu�s

Analisar as representa��es sociais de mulheres que engravidaram ap�s os 35 anos de idade.

20 Mulheres p�s-parto

8

Portugu�s

Analisar as representa��es sociais do parto normal para mulheres que pariram nesta condi��o, de forma a discutir a assist�ncia ao parto a partir de elementos por elas elencados.

15 Mulheres no p�s-parto

9

Espanhol

Compreender as representa��es sociais de mulheres que conhecem o seu estado soropositivo em rela��o � maternidade.

13 Gestantes infectadas pelo HIV

10

Espanhol

Identificar as representa��es sociais que adolescentes em Le�n (Guanajuato, M�xico) t�m de gravidez indesejada e n�o planejada.

72 adolescentes

Fonte: elaborado pelas autoras (2022).

 

Sobre o idioma de publica��o, seis artigos foram publicados em portugu�s e 4 em espanhol. Os objetivos dos estudos s�o analisar (6,7 e 8), identificar (1 e 10), compreender (4 e 9), caracterizar (2), conhecer (3) e determinar (5) as representa��es sociais. As amostras variaram entre 13 e 235 pessoas, com p�blico-alvo diverso, abordando mulheres gr�vidas ou n�o-gr�vidas: quatro estudos com mulheres no p�s-parto (1, 3, 7 e 8), dois estudos realizados com adolescentes (2, e 10), um com gestantes (4), e com mulheres que n�o estavam gr�vidas e homens (5), um abordou mulheres prim�paras (6) e um gestantes soropositivas (9). Observa-se que a maioria dos estudos buscou abordar al�m da gesta��o, alguma outra caracter�stica com impacto social, como a vis�o das adolescentes sobre a gesta��o e as representa��es sociais de mulheres soropositivas.

Em rela��o aos m�todos utilizados para a coleta e an�lise dos dados e os resultados obtidos est�o no Quadro 3. Todos os estudos eram pesquisas qualitativas. Para a coleta de dados, cinco artigos utilizaram a entrevista (3, 4, 7, 8 e 9), tr�s a associa��o livre de palavras (1, 2 e 6), um utilizou o question�rio de evoca��o (5) e um t�cnicas associativas derivadas da antropologia (10). Observa-se que os desenhos propostos e as t�cnicas de coletas utilizadas atendem aos objetivos de cada estudo especificamente.

 

Quadro 3 � Caracteriza��o dos estudos de acordo com o m�todo e os resultados. Fortaleza, Cear�, 2022.

N�

M�todo

Resultados

1

Estudo qualitativo, baseado na Teoria do n�cleo central, utilizou a associa��o livre de palavras com tr�s est�mulos.

Constitu�ram-se tr�s unidades tem�ticas: representa��o das s�ndromes hipertensivas da gravidez, da prematuridade e da unidade de terapia intensiva neonatal.

2

Estudo qualitativo interpretativo. Utilizou a Rede de associa��es, entrevista em profundidade e observa��o participante. Triangula��o metodol�gica foi utilizada individual e por grupo de participantes.

As representa��es da gravides e da maternidade em adolescentes convergem em ambas as popula��es (prim�paras e mult�paras) s�o: novo status social, medo da rejei��o familiar, decis�es transcendentais.

3

Pesquisa descritiva, de natureza qualitativa. Utilizou entrevistas epis�dicas gravadas e transcritas em sua integra, para an�lise de conte�do sequencial e tem�tica dos dados.

Tr�s categorias tem�ticas: o vivenciar da maternidade, o parto normal e a ces�rea.

4

Pesquisa qualitativa, com entrevistas, que foram analisadas atrav�s de codifica��o aberta, axial e seletiva de acordo com a Teoria das Representa��es sociais.

Embora para as m�es gr�vidas a boca do filho n�o ocupe um lugar preponderante no in�cio do ciclo vital, ganha import�ncia com o processo de crescimento e desenvolvimento da crian�a, quando, al�m de seu papel na mastiga��o e alimenta��o, adquire um encargo social relevante.

5

Pesquisa explorat�ria e descritiva, com abordagem qualitativa. Utilizou Question�rio de evoca��o, com express�o indutora relacionada � gravidez em mulheres soropositivas para o HIV. An�lise dos dados realizada pelo software EVOC, vers�o 2003,

Quanto � express�o �gesta��o de mulher soropositiva�, as evoca��es mais frequentes da popula��o foram <<risco-beb�-doente>> (110) e <<cuidado-tratamento>> (70). Quanto ao direito de uma mulher soropositiva engravidar, 48,93% da popula��o apresentou resposta negativa.

6

Estudo norteado pelo eixo te�rico da Teoria das Representa��es Sociais. Utilizou o Teste de Associa��o Livre de Palavras (TALP) e entrevista. Os voc�bulos foram processados atrav�s do Software Tri-Deux-Mots.

Uma categoria �representa��es de mulheres sobre o cuidado de enfermagem� e duas subcategorias: satisfa��o e insatisfa��o com o cuidado.

7

Estudo descritivo, qualitativo, ancorado na Teoria das Representa��es Sociais. Realizou entrevista semiestruturada e para analis�-los, a T�cnica de An�lise de Conte�do Tem�tico Categorial.

Tr�s categorias tem�ticas: A similitude no significado da gesta��o, Maturidade como significado da gravidez, F� e religiosidade nos 8significados da gravidez.

8

Entrevista semiestruturada e os resultados analisados atrav�s da an�lise de conte�do proposta por Bardin.

Tr�s categorias: �O protagonismo m�dico na cena do parto�, �Ambiguidades em rela��o a dor do parto� e �Novas e velhas pr�ticas na assist�ncia obst�trica�

9

Estudo explorat�rio, descritivo, com abordagem qualitativa. Utilizou formul�rio socioecon�mico e entrevista aberta em profundidade para a coleta de dados e an�lise de conte�do para estabelecer categorias tem�tica.

O material foi classificado e agrupado em tr�s categorias tem�ticas: �O desejo�, �A direita� e �O medo�.

10

Estudo explorat�rio-descritivo, com metodologia qualitativa, baseado na Teoria das Representa��es Sociais. Utilizou t�cnicas associativas derivadas da antropologia cognitiva, especificamente listagens livres e compara��o de pares.

Cinco categorias tem�ticas: facilitadores (elementos ou circunst�ncias que contribuem para desenvolver uma gravidez n�o planejada ou indesejada), consequ�ncias (aspectos negativos ou positivos da gravidez), rea��es (forma de resposta emocional que a pessoa demonstra antes de uma gravidez), expectativas (o que a pessoa espera que aconte�a ou aconte�a com a gravidez) e l�xico (sin�nimos dos termos).

Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).

 

DISCUSS�O

 

A descri��o dos estudos selecionados aproxima o leitor da realidade do que a literatura apresenta sobre as representa��es sociais de mulheres sobre a gesta��o. Ao discutir os artigos selecionados, a s�ntese do conhecimento organizou-se em tr�s categorias tem�ticas de acordo com o que foi encontrado nos textos: a maternidade e suas significa��es, religiosidade e maternidade e maternidade e cuidado de enfermagem.

 

A maternidade e suas significa��es

Os artigos trouxeram as perspectivas das mulheres em torno do per�odo gestacional. Em geral, as interpreta��es da realidade social criam um mundo diferente da realidade por trazerem consigo, na maioria das vezes, conceitos pr�-formados constru�dos a partir dos aspectos hist�ricos, culturais e sociais. Assim, as evoca��es refletem os aspectos presentes do cotidiano das pessoas(13).

Estudo que objetivou identificar as representa��es sociais de adolescentes mexicanas sobre gravidez indesejada e n�o planejada trouxe uma classifica��o em rela��o aos termos "gravidez n�o planejada" e "gravidez indesejada" em que as palavras foram elencadas em cinco categorias tem�ticas: facilitadores (elementos ou circunst�ncias que contribuem para desenvolver uma gravidez n�o planejada ou indesejada), consequ�ncias (aspectos negativos ou positivos gravidez), rea��es (forma de resposta emocional que a pessoa demonstra antes de uma gravidez), expectativas (o que a pessoa espera que aconte�a ou aconte�a com a gravidez) e l�xico (sin�nimos dos termos)(18).

A categoria em que se encontrou o maior n�mero de palavras evocadas pelas participantes foi a das consequ�ncias, em que as mais mencionadas para ambos os termos indutivos foram "mudar planos de vida" e "maior responsabilidade", enquanto que, para a express�o "gravidez n�o desejada�, a principal consequ�ncia era negligenciar o beb�; por outro lado, uma ampla gama de palavras pode ser vista na categoria rea��es, na qual se destacam aquelas que aludem a estados emocionais negativos, como preocupa��o, tristeza, medo e raiva. Neste mesmo estudo, constatou-se que os principais facilitadores das gesta��es n�o planejadas e n�o desejadas foram atribu�dos a fatores individuais, como falta de responsabilidade e comportamentos sexuais de risco, bem como aspectos de cunho social, como a adolesc�ncia e a limita��o de informa��es(18).

Quanto �s expectativas, em ambos os termos, as palavras foram pensadas apenas em rela��o ao que acontecer� ao filho ou filha e n�o � vida da pr�pria adolescente; para ambos os termos, a palavra mais mencionada foi o aborto. Por outro lado, percebeu-se que a popula��o participante utilizou mais sin�nimos para descrever a express�o "gravidez indesejada", sendo que, dentre os mais citados, estavam gravidez n�o planejada e gravidez n�o querida(18).

Em outro estudo envolvendo 16 adolescentes gr�vidas em Bogot�, Col�mbia, as representa��es sociais da gravidez e da maternidade em adolescentes primigestas e multigestas foram: novo status social, medo da rejei��o familiar e decis�es transcendentais; j� as representa��es sociais exclusivas das primigestas foram: o adiamento dos estudos, a depend�ncia familiar e econ�mica e a figura do pai como provedor; das multigestas, por sua vez, estavam ligadas � evas�o escolar, � independ�ncia familiar e econ�mica e ao pai do beb� como recipiente emocional(10).

Corroborando com os achados supracitados, estudo envolvendo mulheres com mais de 35 anos de idade, trouxe representa��es em que a experi�ncia da gravidez tardia teve significado positivo, considerando-a como um momento de suas vidas em que h� maior maturidade para vivenciar a maternidade. Esta pesquisa apreendeu que as representa��es das mulheres que engravidaram ap�s os 35 anos de idade est�o pautadas no anseio e no desejo de gerar uma nova vida em um momento mais oportuno, considerando o momento de desenvolvimento pessoal e profissional, influenciando na chegada mais tardia de uma crian�a(15).

Em outro contexto, estudo realizado com 235 mulheres e homens propiciou conhecer, em parte, elementos da representa��o social da popula��o em rela��o � gravidez em mulheres soropositivas para o v�rus da imunodefici�ncia humana (HIV). As express�es evocadas � gesta��o de mulheres soropositivas atribuem um significado negativo(13). Os elementos supostamente centrais da representa��o est�o contidos nas express�es �risco-beb�-doente�, �doida-irrespons�vel�, �preconceito�, �preven��o�, �cuidado-tratamento�, �mal-informada� e �desespero� (13).

O mais recorrente de todas as express�es emitidas foi �risco-beb�-doente�, o que caracteriza o pensamento dominante que envolve a preocupa��o quanto ao risco de que o beb� seja contaminado o HIV(13). Este achado est� em conson�ncia com outra pesquisa semelhante que buscou compreender as representa��es sociais de 13 mulheres gr�vidas infectadas pelo HIV em rela��o � maternidade. Neste, apreendeu-se, pela estrutura das falas, que o sofrimento existe, de maneira constante, em face da possibilidade de infec��o do beb�(17).

Em seguida aparece o �cuidado-tratamento�, indicando novamente uma ideia de prote��o, agora relacionada � gestante. Quanto � express�o �doida-irrespons�vel�, indica, mais uma vez, a recusa ou a proibi��o da gesta��o por esse grupo de mulheres (13).

O termo �preven��o� pode ter sido referido por diferentes concep��es, principalmente em rela��o ao car�ter de contracep��o propriamente dito, pois com a inexist�ncia desta gravidez n�o existiria o problema, sendo que o HIV e a gesta��o, para a popula��o, n�o podem andar(13). Esta condi��o � reafirmada em outro estudo em que, para muitas mulheres, experienciar a maternidade � uma condi��o para sentirem-se realizadas, por�m, a concretiza��o do desejo de ser m�e 'esbarra' na infec��o pelo HIV(17).

Quanto � refer�ncia �mal-informada�, � poss�vel relacionar o ato de engravidar � falta de informa��o das mulheres infectadas. O termo �desespero� define um poss�vel estado dos sujeitos frente � gesta��o de uma mulher portadora do HIV. Nesse mesmo sentido, aparece a express�o �preconceito� reafirmando explicitamente a n�o aceita��o dessa gesta��o. Ademais, foi poss�vel identificar a exist�ncia de um forte mito da doen�a para os sujeitos, em que podem ser apreendidas nas falas das pessoas d�vidas, cren�as, preconceito e medo(13).

No contexto da gesta��o de alto risco, al�m dos dois estudos que envolveram mulheres gr�vidas com HIV, outro estudo foi realizado envolvendo a representa��o das s�ndromes hipertensivas da gravidez (SHG), da prematuridade e da unidade de terapia intensiva neonatal revelou a constru��o de uma representa��o social negativa que teve como n�cleo central a morte, com frequ�ncia de evoca��o elevada nos tr�s contextos avaliados(9).

Em um primeiro momento, o sentido de morte foi representado pelo risco de n�o sobreviv�ncia materna e fetal. Nesse cen�rio, mesmo que a resolutividade no servi�o de alta complexidade tenha diminu�do ou afastado o risco de morte materna ou fetal, o sentido de morte continuou fortalecido pelo rompimento da gravidez idealizada e pela antecipa��o da chegada de um filho em situa��o contr�ria �quela desejada(9).

Reportando-se aos aspectos negativos intr�nsecos �s viv�ncias maternas com as SHG, perceberam-se influ�ncias sociais trazidas pela mulher de que a maternidade ocasiona repercuss�es desastrosas no seu estado emocional, quando algo n�o acontece como esperado. Tal fato coloca a mulher em situa��o de vulnerabilidade familiar, especialmente para as m�es que atribuem para si a responsabilidade de terem sido acometidas por uma doen�a que lhes conferiu a incapacidade de gerar um filho saud�vel(9).

 

Religiosidade e maternidade

Outro tema bastante recorrente nos artigos foi a associa��o entre a gesta��o e a espiritualidade. A religiosidade, a f� racional em Deus e a submiss�o aos des�gnios divinos, sejam como d�diva ou castigo, tamb�m explicam e permitem, com menos sofrimento, aceitar ou suportar os acontecimentos impostos � pessoa(17).

As mulheres gr�vidas infectadas pelo HIV, em sua maioria, referem-se � gesta��o atual como um acontecimento planejado por Deus para as suas vidas e, assim, por sujei��o � Sua subscri��o, acabam por se entregarem, aceitando o fato e, com isso, terceirizando a causa da gesta��o, agora n�o por quest�es m�ticas, mas em raz�o da convic��o que tem da presen�a divina(17). �

Nesse �mbito, a representa��o social discriminat�ria de que s�o os atos pecaminosos que trazem o HIV parece estar diretamente ligada ao direito � maternidade, dada a rela��o feita entre esta e o car�ter santificado a ela atribu�do(17). Com isso, as mulheres se amparam na religiosidade para enfrentar a doen�a e as limita��es que ela lhes conferia. Isto representou fator de encorajamento diante do risco grav�dico(9).

A f� e a religiosidade tamb�m est�o presentes como �ncoras para representa��es sociais das mulheres que engravidaram ap�s os 35 anos de idade. A a��o divina foi significada como sabedoria que determina o melhor momento em que a gesta��o poderia vir a acontecer. Representou, ainda, uma significa��o de resigna��o e b�n��o divina que aconteceu de maneira inesperada, principalmente quando a tentativa de engravidar acontece ap�s outras tentativas malsucedidas anteriormente em realizar o desejo de ser m�e(15).

 

Maternidade e o cuidado de enfermagem

O vivenciar da maternidade aborda as seguintes dimens�es: import�ncia de buscar informa��es; o vivenciar da parturi��o sozinha versus aux�lio/apoio no momento do nascimento; a mulher n�o tem participa��o ou op��o de escolha sobre a via de parto; e a forma de atendimento recebido(11).

Em estudo realizado com 20 pu�rperas a fim de conhecer as representa��es sociais do parto normal e da ces�rea de mulheres que os vivenciaram, as participantes relataram a import�ncia de buscar informa��es com o intuito de se preparar para o momento do nascimento ao procurarem conhecer os tipos de parto, a fisiologia e as vantagens do parto normal e da cirurgia cesariana e de que forma a via de parto pode influenciar na vida do seu filho(11).

Essa busca de informa��o faz parte das representa��es sociais - a identifica��o de como est�o organizados os conhecimentos que este grupo possui sobre o objeto social em estudo que determina o seu relacionamento com o mundo e com os outros, direciona e organiza as condutas e comunica��es em sociedade. Tudo isso esteve amparado em conversas com familiares, seguida de informa��es obtidas na m�dia, como internet, revistas e televis�o, ou, ainda, na utiliza��o de livros e no contato com os profissionais da �rea da sa�de(11). Outra pesquisa traz resultados que apontam que as representa��es do parto se estruturam a partir de concep��es hegem�nicas relacionadas � assist�ncia ao parto e � maternidade(16).

Em rela��o ao cuidado recebido, a satisfa��o das pu�rperas foi confirmada pelo fato da equipe de enfermagem se interessar pelo seu estado de sa�de, suprindo as necessidades biol�gicas com presteza e colocando-se dispon�vel para a ajuda, o que significa ter envolvimento, estar presente e ter di�logo com a paciente(14).

Nesse �mbito, a atua��o da enfermagem torna-se fundamental na transmiss�o d e informa��es e orienta��es dentro do ciclo grav�dico-puerperal. Em uma pesquisa realizada com o objetivo de compreender as representa��es sociais do processo de sa�de-doen�a bucal para gestantes de uma popula��o urbana, os achados revelaram que, embora para as gr�vidas a boca da crian�a n�o ocupe um lugar preponderante no in�cio do ciclo vital, ganha import�ncia com o processo de crescimento e desenvolvimento da crian�a, quando, al�m de seu papel na mastiga��o e alimenta��o, adquire um relevante �nus social(12).

Assim, h� uma demonstra��o de que as representa��es sociais s�o din�micas e s�o reconstru�das ao longo da experi�ncia vivida pelo ser humano, n�o se constituindo somente como reprodu��o de informa��es transmitidas, mas ficam armazenadas na mem�ria, s�o decodificadas e transferidas para a sociedade, sendo modificadas e influenciadas pelos acontecimentos di�rios(14).

 

CONSIDERA��ES FINAIS

 

A presente revis�o possibilitou apontar que as representa��es sociais acerca da gravidez revelam que este � um fen�meno biopsicossocial, que ocasiona modifica��es na vida da mulher, e a sua viv�ncia est� atravessada por valores culturais, religiosos, sociais, econ�micos e emocionais. Estes elementos tornam essas representa��es �nicas, e envolvem sentimentos tais como ansiedade, medo, ang�stia, e que a partir da revis�o puderam ser elencadas e possibilitou o direcionamento das pr�ticas de cuidado necess�rias para que a gravidez transcorra com seguran�a.

As representa��es sociais reveladas neste estudo, visam contribuir para a constru��o de novos conhecimentos sobre a tem�tica e orientar a melhoria da assist�ncia prestada, voltada n�o a protocolos fixos sobre a condu��o da gesta��o, mas ao planejamento de a��es pensadas de forma individual e adaptas as necessidades de cada gestante, ressignificando o cuidado de enfermagem a gesta��o e ao parto.

Portanto, os resultados dessa revis�o apontam a necessidade de se pensar em estrat�gias em sa�de que sejam din�micas, em que � necess�rio sensibilizar os profissionais para a import�ncia de valorizar as quest�es particulares que envolvem a mulheres.

 

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Submiss�o: 2022-04-29

Aprovado: 2022-05-27