AVALIA��O DA SATISFA��O DE DISCENTES DE ENFERMAGEM NA PR�TICA CL�NICA SEM EXPERI�NCIA PR�VIA COM SIMULA��O

 

ASSESSMENT OF SATISFACTION OF NURSING STUDENTS IN CLINICAL PRACTICE WITHOUT PREVIOUS EXPERIENCE WITH SIMULATION

 

EVALUACI�N DE LA SATISFACCI�N DE ESTUDIANTES DE ENFERMER�A EN LA PR�CTICA CL�NICA SIN EXPERIENCIA PREVIA CON SIMULACI�N

 


1Laleska Carvalho Santos
2Akaciane Mota Souza

3Maria Nadia Craveiro de Oliveira

4Iellen Dantas Campos Verdes Rodrigues

 

1Enfermeira. P�s-graduanda em Sa�de da Fam�lia e Pediatria. Graduada em Enfermagem pela UFS, Lagarto, Sergipe, Brasil. Orcid: https://orcid.org/

0000-0002-4243-6799.

2Enfermeira. Residente em Enfermagem Obst�trica pelo Hospital Universit�rio da UFS � filial EBSERH. Graduada em Enfermagem pela UFS, Lagarto, Sergipe, Brasil. Orcid: https://orcid.org/

0000-0001-7900-4976.

3Enfermeira. P�s-graduanda em Enfermagem Obst�trica e Neonatal. Graduada em Enfermagem pelo Centro Universit�rio UNINTA, Sobral, Cear�, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3137-4038

 

4Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente em Enfermagem na Universidade Federal de Sergipe e Programa de P�s-Gradua��o em Enfermagem. Graduada em Enfermagem pela UFPI, Teresina, Piau�, Brasil. Orcid: https://orcid.org/

0000-0002-5593-4172.

 

Autor correspondente

Akaciane Mota Souza

Rua Pedro Siqueira Mendes, 21, Conjunto Centen�rio � SE � Brasil. CEP 49480-000.

Telefone: +55(79) 99605-3761. E-mail: akaciane.souza@hotmail.com

 

 

RESUMO

Objetivo: Avaliar a satisfa��o dos discentes de enfermagem na pr�tica cl�nica sem a experi�ncia pr�via com pr�tica simulada. M�todos: Estudo descritivo com abordagem quantitativa, desenvolvido no per�odo de agosto de 2019 a julho de 2020. A coleta de dados foi realizada por meio da aplica��o de uma escala Likert contendo 11 itens, com aplica��o do teste estat�stico de an�lise da probabilidade de signific�ncia. Resultados: A amostra foi composta por 22 alunos acad�micos do 5� ciclo de enfermagem, destes 86.36% referem estar satisfeitos com a aquisi��o das habilidades durante a pr�tica cl�nica, 81.81% referem que oportuniza o desenvolvimento da autoconfian�a. Conclus�es: Constatou-se que embora algumas situa��es da pr�tica cl�nica apresentem quest�es estruturais e de recursos humanos insatisfat�rios, � ineg�vel as in�meras contribui��es na forma��o acad�mica, no controle emocional, na autoconfian�a e na autossatisfa��o do desempenho. Destaca-se a relev�ncia do papel do docente na satisfa��o com a aquisi��o das caracter�sticas profissionais espec�ficas obtidas com a pr�tica cl�nica que contribuem suprindo as lacunas emocionais que poderiam ser minimizadas com a vivencia da estrat�gia de ensino simulado.

Palavras-chave: Est�gio Cl�nico; Internato e Resid�ncia; Simula��o; Enfermagem; Ensino.

 

ABSTRACT

Objective: To evaluate the satisfaction of nursing students in clinical practice without previous experience with simulated practice. Methods: Descriptive study with quantitative approach, developed from August 2019 to July 2020. Data collection was performed by applying a Likert scale containing 11 items, with application of the statistical test of significance probability analysis. Results: The sample consisted of 22 academic students from the 5th nursing cycle, these 86.36% reported being satisfied with the acquisition of skills during clinical practice, 81.81% reported that it provides opportunities for the development of self-confidence. Conclusions: It was found that although some situations of clinical practice present structural and unsatisfactory human resources issues, the numerous contributions to academic education, emotional control, self-confidence and self-satisfaction of performance are undeniable. We highlight the relevance of the role of teachers in the satisfaction with the acquisition of specific professional characteristics obtained with clinical practice which contribute by supplying the emotional gaps that could be minimized with the experience of the simulated teaching strategy.

Keywords: Clinical Clerkship; Internship and Residency; Simulation Technique; High Fidelity Simulation Training; Nursing; Teaching.

 

RESUMEN

Objetivo: Evaluar la satisfacci�n de los estudiantes de enfermer�a en la pr�ctica cl�nica sin experiencia previa con la pr�ctica simulada. M�todos: Estudio descriptivo con enfoque cuantitativo, desarrollado de agosto de 2019 a julio de 2020. La recolecci�n de datos se realiz� mediante la aplicaci�n de una escala de Likert que contiene 11 �tems, con la aplicaci�n de la prueba estad�stica de an�lisis de probabilidad de significancia. Resultados: La muestra estuvo conformada por 22 estudiantes acad�micos del 5to ciclo de enfermer�a, de estos 86,36% refiri� estar satisfecho con la adquisici�n de habilidades durante la pr�ctica cl�nica, el 81,81% refiri� que le brind� oportunidades para el desarrollo de la confianza en s� mismo. Conclusiones: Se constat� que aunque algunas situaciones de la pr�ctica cl�nica presenten problemas estructurales y de recursos humanos insatisfactorios, son innegables las numerosas contribuciones en la formaci�n acad�mica, el control emocional, la autoconfianza y la autosatisfacci�n por el desempe�o. Se destaca la importancia del papel del profesor en la satisfacci�n con la adquisici�n de caracter�sticas profesionales espec�ficas obtenidas con la pr�ctica cl�nica que contribuyen a llenar los vac�os emocionales que podr�an ser minimizados con la experiencia de la estrategia docente simulada.

Palabras clave: Pr�cticas Cl�nicas; Internado y Residencia; Simulaci�n; Enfermer�a; Ense�anza.


 


INTRODU��O

 

A Constitui��o Federal (1988), no Art. n� 200 define que � compet�ncia do Sistema �nico de Sa�de (SUS), �ordenar a forma��o de recursos humanos na �rea de sa�de� do mesmo modo que o est�gio curricular obrigat�rio, conforme o projeto pol�tico pedag�gico do curso de enfermagem (PPP) � um ato educativo que visa fornecer meios tanto para a aquisi��o das caracter�sticas profissionais, quanto uma forma��o para a vida cidad�, atrav�s da viv�ncia em um ambiente de trabalho(1-2).

Esta vis�o de est�gio curricular vai ao encontro do processo de globaliza��o que provocou uma reestrutura��o da sociedade em diversos aspectos, tornando-a mais ativa em v�rios segmentos, como a sa�de. Hoje, t�m-se um mercado exigente e �vido por profissionais qualificados que atendam �s demandas da popula��o. Tal fato repercute diretamente no processo de forma��o desses profissionais, visto que se exige que desde a sa�da da universidade, j� disponham de habilidades espec�ficas que os capacite a atuar no Sistema �nico de Sa�de (SUS)(3).

Para tanto, � imprescind�vel a inser��o do acad�mico nos diversos segmentos da assist�ncia � sa�de, dessa maneira, o Art. 16 da lei org�nica da sa�de (Lei n� 8.080/90) define que compete ao SUS promover a articula��o dos �rg�os educacionais e de fiscaliza��o do exerc�cio profissional, bem como das entidades representativas de forma��o de recursos humanos na �rea de sa�de(4).

Neste seguimento, as diretrizes curriculares para os cursos da �rea da sa�de indicam que a forma��o do profissional deve contemplar o sistema de sa�de vigente no pa�s, o trabalho em equipe e a aten��o integral, de tal forma que durante a gradua��o o acad�mico desenvolva as seguintes habilidades e compet�ncias: aten��o � sa�de, tomada de decis�es, comunica��o, lideran�a, administra��o e gerenciamento e educa��o permanente(5).

Para o �xito da experi�ncia na pr�tica cl�nica � essencial que todos os envolvidos na forma��o, cumpram seus respectivos deveres, a institui��o concedente do campo de pr�ticas deve garantir condi��es adequadas �s atividades de aprendizagem. Conforme descrito no art. 9� da Lei do est�gio (2008), a mesma prev� a legisla��o relacionada � sa�de e seguran�a no trabalho aplica-se ao estagi�rio, sendo sua implementa��o de responsabilidade da parte concedente do est�gio, que imbu�do dos recursos necess�rios, torna-se respons�vel por sua sa�de e seguran�a no trabalho(2).

Dessa forma, durante a pr�tica cl�nica os acad�micos treinam as compet�ncias pertinentes � assist�ncia de enfermagem e realizam uma autoavalia��o do seu crescimento, al�m de aprender a valorizar sua classe profissional, notando sua import�ncia no contexto de preven��o, manuten��o e recupera��o da sa�de dos seus clientes, por�m, observa-se que muitas vezes a realidade do ensino pr�tico distancia-se do ideal, o que torna a experi�ncia cl�nica menos satisfat�ria para o acad�mico que se depara com problemas estruturais e materiais na institui��o concedente, defici�ncia de recursos humanos para supervis�o e aus�ncia de acolhimento emp�tico por parte dos profissionais(3,6).

Tendo em vista essas quest�es que envolvem a edifica��o de uma forma��o de qualidade, atualmente vem sendo intensificado o uso da estrat�gia de ensino simulado e consequentemente o desenvolvimento de pesquisas evidenciando seus benef�cios. Sabe-se que a simula��o cl�nica � o mimetizar da realidade, permitindo que o aluno aprenda com seus erros em um ambiente seguro, igual ou semelhante � realidade e s�o essas caracter�sticas que permitem a redu��o ou resolutividade dos apontamentos elencados pelos alunos que de algum modo prejudicam sua atua��o na pr�tica cl�nica(7).

Nesse sentido, a pesquisa justifica-se pela necessidade de atualiza��o dos estudos que avaliem em que propor��o �s tecnologias educacionais, em espec�fico a simula��o, podem contribuir para a satisfa��o discente com o processo de ensino-aprendizagem de enfermagem. Diante disso, o objetivo do estudo � avaliar a satisfa��o dos discentes na pr�tica cl�nica sem a experi�ncia pr�via com pr�tica simulada.

 

M�TODOS

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quantitativa para avalia��o da satisfa��o de discentes na pr�tica cl�nica sem a experi�ncia pr�via com pr�tica simulada.

 

Local do estudo

O estudo teve in�cio em agosto de 2019 e foi desenvolvido at� julho de 2020, na Universidade Federal de Sergipe - Campus Universit�rio Professor Ant�nio Garcia Filho, localizado no munic�pio de Lagarto/SE, o qual tem sua grade pedag�gica-curricular pautada no uso de metodologias ativas e disp�e de um centro de simula��es de enfermagem j� em uso de algumas disciplinas do curso.

 

Popula��o e amostra

A popula��o do estudo foi composta pelos estudantes do 5� ciclo de enfermagem, correspondente ao 9� e 10� per�odo do ensino tradicional, a amostragem se deu por conveni�ncia entre os discentes que durante os ciclos anteriores n�o vivenciaram a experi�ncia da metodologia simulada, perfazendo um total de 22 alunos, onde todos aceitaram participar desta pesquisa.

 

Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada em outubro e novembro de 2019, no laborat�rio de enfermagem do centro de simula��es supracitado, por meio da aplica��o de uma escala Likert, onde o participante deveria assinalar os itens conforme a op��o correspondente, com os seguintes valores: (1) Totalmente insatisfeito, (2) Insatisfeito, (3) Indiferente, (4) Satisfeito e (5) Totalmente Satisfeito.

Os itens contidos no instrumento de avalia��o foram elencados ap�s revis�o integrativa, a qual definiu os crit�rios relevantes ao ensino-aprendizagem na pr�tica cl�nica de enfermagem, abordando questionamentos sobre a percep��o do discente sobre as contribui��es da pr�tica cl�nica em sua forma��o, como o desenvolvimento de habilidades e atitudes, aquisi��o de novos conhecimentos, constru��o de pensamento cr�tico, melhoria da autoconfian�a, controle da ansiedade e reflex�o do pr�prio desempenho.

 

An�lise dos dados

Os dados sociodemogr�ficos foram organizados em planilha no Microsoft Office Excel 2010, expressos por m�dias e desvios-padr�es (estat�stica descritiva simples).

Para an�lise da probabilidade de signific�ncia (p-valor) dos dados, foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), vers�o 20.0. Para interpreta��o desta signific�ncia foi adotado o p-valor 0,05, o que significa que, em menos de 5% das vezes h� diferen�a na rela��o entre as vari�veis abordadas no instrumento deste estudo, portanto, o p-valor nos intervalos > 5 � considerado n�o significante, entre 0,01 e 0,005 significante e de 0,001 e 0,01 muito significante.

 

Considera��es �ticas

Com o intuito de assegurar e efic�cia dos aspectos �ticos, o presente estudo respeitou os preceitos da Resolu��o de Pesquisa envolvendo Seres Humanos n� 466/2012, do Conselho Nacional de �tica em Pesquisa (CONEP). Dessa forma, ap�s a obtida autoriza��o do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o estudo foi enviado ao Comit� de �tica em Pesquisa (CEP) da referida institui��o com Parecer n� 3.509.846.

Destaca-se que aos sujeitos da pesquisa, somente efetivaram sua participa��o ap�s a leitura e concord�ncia do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) elaborado conforme a supracitada resolu��o, de modo a garantir o sigilo das informa��es, confidencialidade de dados pessoais e demais considera��es �ticas normatizadas.

 

RESULTADOS E DISCUSS�O

 

Caracteriza��o dos participantes

 

����������� A amostra do estudo foi composta por 22 acad�micos do 5� ciclo de enfermagem, que durante os ciclos anteriores n�o vivenciaram a experi�ncia da metodologia simulada. Na tabela apresentada abaixo � descrita a caracteriza��o dos envolvidos neste estudo.


 

(continua)

 
Tabela 1 - Caracteriza��o sociodemogr�fica dos acad�micos participantes da pesquisa. Lagarto (SE), junho de 2020. n=22

Caracteriza��o dos participantes

Frequ�ncia absoluta

%

Sexo

Feminino

15

68,18

Masculino

 

7

31,82

Idade

20 � 25

17

77,27

26 � 30

 

5

22,73

Religi�o

Cat�lica

12

50

Evang�lica

2

9,09

Outra

 

8

36,36

Proced�ncia

Grande Aracaju

4

18,18

Interior de Sergipe

15

68,18

Outro estado

 

3

13,63

Cor/Ra�a

Branca

6

27,27

Parda

14

63,63

Negra

 

2

9,09

Estado civil

Solteiro

20

90,90

Uni�o est�vel

1

4,54

Outra

 

1

4,54

Renda familiar (em sal�rios m�nimos � SM)

 

< 1

4

18,18

1 a 3

13

59,09

4 a 6

1

4,54

7a 9

3

13,63

N�o declarado

1

4,54

Total

22

Fonte: Os autores

��������


Entre os participantes, houve predom�nio do sexo feminino, 68.18%. Sobre a faixa et�ria, 77.27% t�m entre 20 e 25 anos e 22.72% apresentam de 26 a 30 anos. Em rela��o a religi�o, 50% referem ser cat�licos, 36.36% de outras religi�es, 9.09% s�o evang�licos. Sobre a proced�ncia, 68.18% s�o do interior de Sergipe, 18.18% da grande Aracaju, 13.63% de outro estado. S�o declarados pardos 63.63% dos participantes, 27.27% s�o brancos, 9.09% s�o negros. No que se refere ao estado civil, 90.90% s�o solteiros, 4.54% vivem em uni�o est�vel e o mesmo ocorre com quem declara-se em outro estado civil.

A literatura tem mostrado que existe diferen�a na aprendizagem relacionada ao sexo dos sujeitos em diferentes cursos, em geral as mulheres apresentam um desempenho superior aos homens nos mesmos cursos de at� 70%(8). Na enfermagem essa vari�vel desse ver considerada visto o predom�nio feminino nos cursos, o que corrobora com os achados dessa pesquisa, na qual houve uma men��o significativa entre os participantes quanto � satisfa��o com a pr�tica cl�nica.

Quanto ao estado civil pode-se inferir que ser solteiro favorece a satisfa��o com a aprendizagem a medida que o indiv�duo n�o apresenta a responsabilidade por chefiar uma fam�lia, o que lhe confere maior tempo de dedica��o aos estudos, oportunizando-o uma imers�o nos campos de pr�tica que favorecem o desempenho e ganho de habilidades, culminando com uma maior satisfa��o com a aprendizagem.

����������� Em rela��o a renda familiar, 4.54% referem ter entre 4 a 6 sal�rios m�nimos, 9.09% apresentam renda entre 7 e 9 sal�rios m�nimos, 59.09% de 1 a 3 sal�rios, 18.18% vivem com menos que 1 sal�rio m�nimo e outro n�o declarou a renda. Sobre os dados acad�micos, 81.81% n�o possuem atividade acad�mica com bolsa remunerada, 68.18% deles n�o realizam atividade de monitoria, como se observa na tabela 2.

Uma renda familiar capaz de suprir as necessidade b�sicas do indiv�duo contribui para o aumento da satisfa��o com a aprendizagem a medida que deixa o aprendiz livre para cumprir suas metas educacionais, sem haver a necessidade de uma inser��o precoce no mercado de trabalho, muitas vezes em �reas que n�o condizem com o curso em forma��o, o que dificultaria o processo de ensino-aprendizagem e consequente satisfa��o dos sujeitos.


 

Tabela 2 - Perfil acad�mico dos participantes da pesquisa. Lagarto (SE), junho de 2020. n=22

Perfil acad�mico

Frequ�ncia absoluta

%

Possui alguma atividade acad�mica com bolsa remunerada

Sim

4

18,18

N�o

 

18

81.81

Realiza atividade de monitoria

Sim

7

31,81

N�o

15

68.18

Total

22

Fonte: Os autores

 


Avalia��o da satisfa��o de discentes no desenvolvimento das habilidades e atitudes de enfermagem com a pr�tica cl�nica

 

A avalia��o da satisfa��o de discentes com a pr�tica cl�nica sem experi�ncia pr�via com a simula��o foi realizada por meio da aplica��o de uma escala do tipo Likert, como exposto na tabela 3. O intuito da aplica��o deste instrumento foi identificar a percep��o do discente sobre as contribui��es da pr�tica cl�nica em sua forma��o, para o aperfei�oamento e aquisi��o de habilidades e atitudes de enfermagem.


 

(continua)

 
Tabela 3 - Avalia��o da Satisfa��o de discentes com a pr�tica cl�nica sem experi�ncia pr�via com a simula��o para o ensino-aprendizagem em enfermagem. Lagarto (SE), junho de 2020.

Satisfa��o de discentes com a pr�tica cl�nica

Frequ�ncia absoluta

%

Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

1

4,54

Satisfeito

19

86,36

Totalmente satisfeito

 

2

9,09

Desenvolvimento do pensamento cr�tico

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

-

-

Satisfeito

19

86,36

Totalmente satisfeito

 

3

13,63

Desenvolvimento da autoconfian�a

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

2

9,09

Satisfeito

18

81,81

Totalmente satisfeito

 

2

9,09

N�vel de preparo acad�mico, ap�s as aulas te�ricas e pr�ticas em laborat�rios para o ingresso na pr�tica cl�nica

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

3

13,63

Indiferente

2

9,09

Satisfeito

16

72,72

Totalmente satisfeito

 

1

4,54

Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos com a pr�tica cl�nica

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

-

-

Satisfeito

18

81,81

Totalmente satisfeito

 

 

4

18,18

Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem como voc� se sente em rela��o � pr�tica cl�nica

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

2

9,09

Satisfeito

18

81,81

Totalmente satisfeito

 

2

9,09

Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

4

18,18

Satisfeito

15

68,18

Totalmente satisfeito

 

3

13,63

Desempenho na pr�tica cl�nica

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

-

-

Indiferente

-

-

Satisfeito

19

86,36

Totalmente satisfeito

 

3

13,63

Controle da ansiedade frente a assist�ncia de enfermagem

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

3

13,63

Indiferente

5

22,72

Satisfeito

13

59,09

Totalmente satisfeito

 

 

1

4,54

Controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

3

13,63

Indiferente

4

18,18

Satisfeito

13

59,09

Totalmente satisfeito

 

2

9,09

Apoio fornecido pelo docente durante as aulas te�ricas e pr�ticas no processo de aprendizagem para a pr�tica cl�nica

Totalmente insatisfeito

-

-

Insatisfeito

3

13,63

Indiferente

2

9,09

Satisfeito

16

72,72

Totalmente satisfeito

1

4,54

Total

22

Fonte: Os autores

 


A an�lise da satisfa��o dos estudantes na pr�tica cl�nica resultou em dados positivos, sendo majoritariamente satisfeitos quanto a aquisi��o de conhecimento, habilidades e atitudes em sa�de, ao seu desempenho na pr�tica cl�nica, bem como frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem como recursos humanos, comunica��o e recursos materiais.

A escolha por discentes que iniciaram a pr�tica cl�nica sem a experi�ncia anterior com pr�tica simulada ocorreu mediante o pressuposto que a simula��o, assim como outras metodologias ativas de ensino, s�o ferramentas eficazes para complementar a pr�tica cl�nica, o que pode interferir na percep��o do acad�mico quanto � satisfa��o com a aprendizagem proporcionada pela atua��o em campo de pr�tica, uma vez que j� s�o inseridos nesses ambiente com a experi�ncia pr�via da simula��o.

O que pode ser corroborado com o estudo que mostra que ao serem questionados sobre como se sentem quanto � pr�tica cl�nica para a aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o, 86.36% referem estar satisfeitos, 9.09% totalmente satisfeitos e 4.54% consideram que para este prop�sito, a pr�tica � indiferente. Sobre o sentimento em rela��o � pr�tica cl�nica para o desenvolvimento do pensamento cr�tico, 86.36% est�o satisfeitos e 13.63% est�o totalmente satisfeitos. Sabe-se que para a forma��o de profissionais que exercem o cuidado � sa�de se torna imprescind�vel o desenvolvimento de habilidades e atitudes fundamentais para atuar com o paciente, fam�lia e comunidade de forma integral e humanizada(9).

Para o meio acad�mico, � not�rio que a viv�ncia do est�gio proporciona ao discente desenvolver habilidades profissionais que o capacitem a assumir responsabilidades inerentes � pr�tica cl�nica, as quais ser�o primordiais em sua forma��o. Assim, surge a discuss�o a respeito do ensino-aprendizagem em campo de pr�tica, o qual deve estar pautado na constru��o do pensamento cr�tico-reflexivo para o desempenho das atribui��es de enfermagem, em detrimento da execu��o de procedimentos t�cnicos e instrumentais dissonantes de um modelo assistencial sistematizado e fundamentado em preceitos te�rico-cient�ficos(10).

Assim, a pr�tica cl�nica visa o preparo do discente para exercer a sua profiss�o com oportunidades de desenvolver conhecimentos, condutas e aprimorar o uso de t�cnicas de enfermagem de forma satisfat�ria, adotando condi��es para relacionar a teoria e a pr�tica e a viv�ncia de diversos casos cl�nicos simultaneamente com a orienta��o adequada do preceptor que quanto mais aut�nomo do local de pr�tica auxilia a desenvolver a aprendizagem com maior propriedade, desenvolvendo compet�ncias gerenciais como a lideran�a t�o significativa nos espa�os de sa�de e relacionada � gest�o de pessoas e negocia��o(3).

No que tange � percep��o dos participantes em rela��o a contribui��o da pr�tica cl�nica para o desenvolvimento da autoconfian�a 81.81% se mostraram satisfeitos, 9.09% totalmente satisfeitos, a mesma porcentagem se considera indiferente para este fim. Vale mencionar que a abordagem curricular da institui��o de ensino, contribui em suma para a aquisi��o de autoconfian�a com a aprendizagem, sendo observado que os acad�micos que apresentam experi�ncias cl�nicas pr�vias, antes mesmo do est�gio supervisionado, tendem a ser mais autoconfiantes na execu��o de atividades profissionais(11). Este fato pode ser explicado pela inser��o precoce em atividades pr�ticas de campo, visto que quanto mais cedo o aprendiz � inserido em um contexto de ensino pr�tico real, maior a chance de vivenciar experi�ncias significativas � sua aprendizagem. O que ir� favorecer a aquisi��o de conhecimentos, habilidades e atitudes indispens�veis � forma��o profissional, o que repercute de modo positivo na aquisi��o de autoconfian�a.

No n�vel de preparo acad�mico, ap�s as aulas te�ricas e pr�ticas em laborat�rios para o ingresso na pr�tica cl�nica predominou a satisfa��o entre os discentes, 72.72% est�o satisfeitos e 4.54% totalmente satisfeitos, um resultado importante que predisp�e maior envolvimento no processo e maior motiva��o para a aprendizagem, no entanto, se observa discord�ncia na minora que apresenta insatisfa��o (9.09%) e 13.63% indiferentes, o que pode ser atrelado ao fato dos estudantes demonstrarem-se menos preparados em habilidades afetivas que se referem �s atitudes, valores e sentimentos, como a comunica��o e rela��o com o paciente(12).

Apesar dos conflitos reais que podem ser vivenciados pelo acad�mico como a falta de manejo em determinadas situa��es conflitantes que envolvem o paciente e fogem ao seu controle, imprevistos decorridos da aus�ncia do paciente agendado ou recusa em ser atendido por um acad�mico mesmo na presen�a do professor/supervisor(7), sabe-se que a exposi��o do discente ao cotidiano do profissional de enfermagem tende a fortalec�-lo em seu processo de forma��o e aprendizagem, impulsionando-o a transpor seus limites, a construir autonomia no enfrentamento e supera��o da sua transi��o de ensino e pr�tica profissional(13).

����������� Entre os participantes, 81.81% est�o satisfeitos e 18.18% totalmente satisfeitos quanto a aquisi��o de conhecimento, habilidades e atitudes a partir da pr�tica cl�nica. Sobre o desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem, 90.90% est�o satisfeitos ou totalmente satisfeitos e apenas 9.09% declaram ser indiferente. Na execu��o das atividades, 81.81% consideram-se satisfeitos ou totalmente satisfeitos com a capacita��o para as avalia��es e os cuidados de enfermagem e 18.18% referem ser indiferente. Todos os discentes (68.18%) sentem-se satisfeitos ou totalmente satisfeitos com o seu desempenho na pr�tica cl�nica.

No que diz respeito ao controle de ansiedade entre os estudantes frente � assist�ncia de enfermagem, houve predom�nio de um alto n�vel de satisfa��o na pr�tica cl�nica (68.18%), no entanto, vale destacar que houve, ainda, um �ndice de insatisfa��o em tal quesito, onde 31.81% consideram indiferentes ou est�o insatisfeitos para este fim. Tal fato pode estar relacionado aos sentimentos de ansiedade desenvolvidos com as problem�ticas apresentadas pelos acad�micos como a percep��o de diverg�ncia entre a teoria e pr�tica, inseguran�a na realiza��o de procedimentos, atua��o em procedimentos nunca realizados, resist�ncia dos funcion�rios da institui��o de sa�de e dificuldades com o seu supervisor(12).

Resultado semelhante ao serem questionados sobre a contribui��o da pr�tica cl�nica para o controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente, onde 68.18% est�o satisfeitos ou totalmente satisfeitos para este fim, 18.18% consideram ser indiferente e 13.63% est�o insatisfeitos. Apesar da grande parcela dos participantes do estudo referir satisfa��o com a contribui��o da pr�tica cl�nica para o controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente, � preciso destacar que n�o se trata de uma unanimidade entre os discentes, visto que alguns manifestam insatisfa��o com a pr�tica cl�nica para este fim.

Tal fato pode estar relacionado � inexperi�ncia frente a determinadas situa��es, que postas diante do acad�mico o levam a experimentar inseguran�a, medo e despreparo na condu��o desses eventos, a exemplo de situa��es que o colocam em risco direto como o contato com materiais contaminados e a passibilidade de acidentes envolvendo tais elementos. Destaca-se, ainda, as situa��es que podem acarretar risco ao paciente, tais como erros de medica��o, execu��o incorreta de procedimentos, preenchimento inadequado de informa��es, dentre outros.

Dessa forma, � importante que o discente esteja apto em habilidades t�cnicas e conhecimento cient�fico adequados �s atividades que ir� executar durante sua atua��o nos campos de pr�tica cl�nica, no entanto, sendo indispens�vel a supervis�o direta de um docente/preceptor, o que n�o elimina os riscos envolvidos nesse processo de ensino-aprendizagem, mas traz seguran�a ao aprendiz em seu processo de aprendizagem.

 

Fatores associados no processo de ensino-aprendizagem e na satisfa��o dos discentes na pr�tica cl�nica

 

A tabela 4 exp�e a probabilidade de signific�ncia (p-valor) dos dados, onde se verifica que em menos de 5% das vezes houve diferen�a na rela��o entre as vari�veis abordadas no instrumento deste estudo, de modo que entre as 11 vari�veis elencadas, 9 obtiveram um p-valor significativo ou muito significativo, 1 item perfez o p-valor fora do ponto de corte e apenas o item �Desenvolvimento do pensamento cr�tico� foi insignificante para todas as vari�veis testadas. Ressaltamos que por quest�o organizacional, os dados apresentados nesta tabela correspondem aos itens que obtiveram signific�ncia.


 

(continua)

 
Tabela 4 - N�vel de signific�ncia na correla��o simples de Pearson entre as vari�veis de satisfa��o na pr�tica cl�nica. Lagarto (SE), junho de 2020.

Associa��o entre as vari�veis

Correla��o de Pearson

P-valor

Controle da ansiedade frente a assist�ncia de enfermagem

 

Controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente

 

0,797

0,000**

Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem

Desempenho na pr�tica cl�nica

0,621

0,002**

Apoio fornecido pelo docente durante as aulas te�ricas e pr�ticas no processo de aprendizagem

Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o

0,599

0,003**

Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o

Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica

0,585

0,004**

Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica

 

Apoio fornecido pelo docente durante as aulas te�ricas e pr�ticas no processo de aprendizagem

 

0, 576

0,005**

Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem

Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem

0,569

0,006**

 

Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica

 

Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem

0,553

0,008**

Desempenho na pr�tica cl�nica

 

Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem

0,503

0,017*

Desenvolvimento da autoconfian�a

 

Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem

0,500

0,018*

N�vel de preparo acad�mico, ap�s as aulas te�ricas e pr�ticas em laborat�rios

 

Controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente

 

0,465

0,029*

Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem

 

Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica

 

0,457

0,032*

Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o

 

Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem

 

0,451

0,035*

(conclus�o)

 

(conclus�o)

 
** P-valor: Muito significativo com intervalo de confian�a de 95%; * P- valor: Significativo com intervalo de confian�a de 95%.

Fonte: Os autores

 


Foi not�rio que a satisfa��o na aquisi��o das habilidades necess�rias � forma��o discente est� atrelada � aquisi��o de conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica. Assim, o est�gio supervisionado se mostra como uma importante atividade curricular e instrumento para a forma��o dos profissionais de enfermagem, desenvolvendo habilidades profissionais e aperfei�oando t�cnicas e procedimentos realizados diariamente no exerc�cio da profiss�o(15).� Ao ser inserido na pr�tica cl�nica, o estudante estimula o desenvolvimento da autonomia, responsabilidade, liberdade, criatividade, compromisso, dom�nio da pr�tica e de seu papel social, aprofundamento e contextualiza��o dos conhecimentos de forma transformadora(16).

Quanto � an�lise da correla��o entre o controle da ansiedade frente � assist�ncia de enfermagem e o controle de danos e riscos inerentes � assist�ncia fornecida ao paciente houve resultado muito significativo, ou seja, a satisfa��o dos discentes no controle da ansiedade � proporcional � satisfa��o no controle de danos e riscos ao paciente. Para a atua��o como profissional de sa�de � necess�rio que o estudante desenvolva a habilidade t�cnica e a capacidade de solucionar problem�ticas, diante disso, a autoconfian�a e o controle de ansiedade auxiliam a desenvolver o cuidado de forma adequada, sem ocorrer atrasos e falhas, visto que maiores n�veis de ansiedade est�o relacionados a um maior n�mero de erros na assist�ncia(17).

Por tanto, constituindo papel fundamental da enfermagem garantir a seguran�a dos pacientes, sendo esses profissionais que passam mais tempo interagindo atrav�s do cuidado prestado, as atitudes de enfermagem desenvolvidas na pr�tica cl�nica pelos discentes podem determinar a qualidade da intera��o terap�utica entre paciente e futuro profissional, atrav�s da sua disponibilidade para prestar cuidados, empatia e comunica��o(9).

Destaca-se que, ao realizar a an�lise de signific�ncia e de signific�ncia entre os itens, separadamente, observou-se que 3 vari�veis: a) Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o; b) Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica; e c) Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem, alcan�aram probabilidade de signific�ncia para 2 itens, cada um.

A satisfa��o com seu o desempenho na pr�tica cl�nica est� associada de forma muito significativa ao desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes � assist�ncia de enfermagem, sendo esta correlacionada com o conhecimento, habilidades e atitudes adquiridas na pr�tica cl�nica. Sabe-se que a pr�tica cl�nica abrange os fatores relacionados aos recursos humanos dispon�veis para prestar a assist�ncia de sa�de, a comunica��o da equipe interdisciplinar e o recurso material dispon�vel necess�rio para desenvolver as atividades de aten��o ao paciente, exigindo do indiv�duo a capacidade de se comunicar, interagir, aprender, transferir conhecimentos e saber agir de maneira respons�vel(18).

O item �Aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o� foi significante, p-valor 0,035 em rela��o a �Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem� e muito significante, p-valor 0,004 ao se relacionar com �Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica�. Este mesmo item demonstrou ser muito significativo para os itens �Apoio fornecido pelo docente durante as aulas te�ricas e pr�ticas no processo de aprendizagem� e �Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes a assist�ncia de enfermagem�, p-valor 0,005 e 0,008, respectivamente.

Desse modo, o apoio fornecido pelo docente durante as aulas te�ricas e pr�ticas no processo de aprendizagem para a pr�tica cl�nica apresenta associa��o muito significativa com a aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o e conhecimentos, habilidades e atitudes de enfermagem adquiridos, o que refor�a a import�ncia do apoio emocional e da did�tica fornecida pelo docente na satisfa��o dos discentes. Os estudantes identificam que docente supervisor possui papel influente e relevante no seu desenvolvimento durante o est�gio supervisionado, sendo alicerce na aprendizagem ao esclarecer d�vidas, corrigir falhas, desenvolver a autonomia e seguran�a na sua atua��o e perante dificuldades na pr�tica assistencial(18).

O feedback dos discentes sobre o apoio e did�tica ofertado pelos docentes, os fazem repensar suas pr�ticas e adotar mudan�as em seus m�todos de ensino para a sua melhoria como facilitadores do processo de ensino-aprendizagem, assim o docente deve se adequar aos novos n�veis tecnol�gicos, compreendendo as transforma��es tamb�m apresentadas nos estudantes com o avan�o do conhecimento e suas necessidades apontadas no contexto da pr�tica cl�nica(15).

O estudo demonstrou forte associa��o entre as vari�veis de desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes � assist�ncia de enfermagem na pr�tica cl�nica e de capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem, o que pressup�e que os estudantes se sentem aptos para a abordagem de diversos problemas de sa�de, considerando seus fatores de riscos e determinantes sociais, e que as capacita��es apresentam contribui��o significativa no aperfei�oamento profissional, refletindo em sua pr�tica cl�nica e na melhor qualidade do servi�o conforme a percep��o de profissionais de sa�de(18).

Neste seguimento, o item �Capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem�, foi significativo p-valor 0,032 com o item �Conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica� e muito significativo p-valor 0,006, para �Desempenho frente aos fatores, situa��es e vari�veis inerentes � assist�ncia de enfermagem�.

Dessa forma, os fatores associados apontados nessa discuss�o demonstram influ�ncia significativa no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes em sa�de e na percep��o de satisfa��o dos discentes, sendo apontados resultados positivos para a sua atua��o na pr�tica cl�nica. Logo, se torna imprescind�vel que a institui��o de ensino ofere�a os recursos necess�rios para que o discente vivencie o est�gio supervisionado de forma a construir e fortalecer sua identidade profissional, oferecendo campos de pr�tica que favore�am oportunidades e ressaltem a import�ncia dessa reflex�o para que atuem de maneira positiva na carreira acad�mica do estudante e na sua pr�tica profissional(2). A avalia��o dos estudantes sobre a institui��o de ensino permite expressar suas opini�es sobre o curso, fornecendo informa��es importantes aos gestores para identificar se os objetivos propostos no plano do curso est�o sendo alcan�ados e quais mudan�as e melhorias s�o necess�rias(9).

Assim, o estudo demonstra que a pr�tica cl�nica no est�gio supervisionado � um momento determinante para o estudante em seu aprendizado, ao entrar em maior contato com o exerc�cio da sua profiss�o, aprimorar a sua reflex�o cr�tica nos problemas de sa�de da comunidade e abrir oportunidades no �mbito do mercado de trabalho.

 

CONCLUS�ES

O estudo buscou avaliar a satisfa��o de discentes de enfermagem na pr�tica cl�nica sem a experi�ncia pr�via com pr�tica simulada, constatou-se que embora algumas situa��es da pr�tica cl�nica apresentem quest�es estruturais e de recursos humanos insatisfat�rios, conclui-se que � ineg�vel as in�meras contribui��es na forma��o acad�mica, no controle emocional, na autoconfian�a e na autossatisfa��o do desempenho, como demonstrado neste estudo.

Dessa forma, ao realizar a an�lise de signific�ncia foram destacados a aquisi��o das habilidades necess�rias � sua forma��o, conhecimento, habilidades e atitudes adquiridos na pr�tica cl�nica e a capacita��o quanto �s prioridades das avalia��es e dos cuidados de enfermagem, por estarem intimamente correlacionados estes itens s�o a matriz que refletem o �xito dos demais dados, evidenciando a import�ncia da pr�tica cl�nica e que estas s�o suas maiores contribui��es na forma��o acad�mica.

Desse modo, o objetivo do estudo foi contemplado, revelando a satisfa��o dos acad�micos com a pr�tica cl�nica, mesmo sem a experi�ncia pr�via com atividade simulada. Por�m, levando em considera��o os benef�cios da estrat�gia do ensino simulado, � necess�rio que pesquisas sejam feitas para avaliar como simula��o pode minimizar ou extinguir as vari�veis de insatisfa��o e indiferen�a constatadas na pesquisa, possibilitando que o aluno adentre no campo de pr�tica com n�veis m�nimos de ansiedade e inseguran�a e m�xima aptid�o t�cnica e cognitiva.

Verificou-se tamb�m a suma import�ncia da valoriza��o dada ao papel do docente, que atua como formador e transformador de realidades, atrav�s do ensino mais humanizado fornece o apoio cientifico e psicol�gico necess�rios aos seus acad�micos, que sentem-se seguros e reduzem a carga de estresse e ansiedade enfrentada diante das atividades cl�nicas, consequentemente apresentando melhor desempenho no cuidado.

 

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Submiss�o: 2022-02-13

Aprovado: 2022-05-20