ARTIGO ORIGINAL
CUSTOS DIRETOS COM FERIDAS CR�NICAS EM SERVI�O AMBULATORIAL DE UMA UNIVERSIDADE P�BLICA NO NORDESTE BRASILEIRO
DIRECT COSTS WITH CHRONIC INJURIES IN THE OUTSIDE SERVICE OF A PUBLIC UNIVERSITY IN NORTHEASTERN BRAZIL
COSTOS DIRECTOS CON LESIONES CR�NICAS EN EL SERVICIO EXTERNO DE UNA UNIVERSIDAD P�BLICA EN EL NORESTE DE BRASIL
https://doi.org/10.31011/reaid-2024-v.98-n.1-art.2021
Francisca Clarisse de Sousa1
Luis Rafael Leite Sampaio2
Naftale Alves dos Santos Gadelha3
Paulo Felipe Ribeiro Bandeira4
Tays Pires Dantas5
Woneska Rodrigues Pinheiro6
Eglidia Carla Figueiredo Vidal7
Luis Fernando Reis Macedo8
Rita Neuma Dantas Carvalho de Abreu9
1-9 Universidade Regional do Cariri, Crato, Cear�, Brasil.
1 Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9429-3777
2 Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1437-9421
3 Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6257-9431
4 Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8260-0189
5 Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0374-3865
6 Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3353-9240
7 Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5642-7730
8 Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3262-9503
9 Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5130-0703
Autor correspondente
Luis Fernando Reis Macedo
Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de S�o Paulo. R. Napole�o de Barros, 745. Vila Clementino, S�o Paulo, Brasil. Contato: +55 88 9 88424475
RESUMO
Objetivo: Avaliar custos diretos com feridas cr�nicas de pessoas atendidas no ambulat�rio de enfermagem em estomaterapia de uma universidade p�blica no nordeste brasileiro. M�todo: Estudo documental, transversal, coleta de dados sobre materiais para tratamento das feridas, maio a junho de 2020 em 22 prontu�rios, analisadas pelo JASP (frequ�ncias absolutas, relativas, m�dia, desvio padr�o e regress�o multivariada). Resultados: Maior frequ�ncia para mulheres 12(54,5%), 45 a 79 anos, idade m�dia de 59,3, 7(31,81%) possu�am �lceras venosas, tratamentos de maiores custos: laserterapia e hidrofibra com prata. Vari�vel desfecho (R$384,787 reais) e as vari�veis independentes (R$ 121,598 cm2 para �rea da les�o, R$ 11.864 para n�mero de atendimentos e R$ 1,727 para n�mero de feridas). An�lise multivariada, custo total apresentou correla��o com o n�mero de atendimentos. Conclus�o: Frente � avalia��o econ�mica, observou-se predom�nio de custo com feridas cr�nicas em idosos, laserterapia e o uso de penso as interven��es impactantes do custo direto.
Palavras-chave: Custos e An�lise de Custo; Ferimentos e Les�es; Cicatriza��o; Terap�utica; Enfermagem; Estomaterapia.
ABSTRACT
Objective: To assess direct costs with chronic wounds of people treated at the stomatherapy nursing outpatient clinic of public university in northeastern Brazil. Method: Documentary, cross-sectional study, collection of data on materials for wound treatment, May to June 2020 in 22 medical records, analyzed by JASP (absolute, relative, mean, standard deviation and multivariate regression frequencies). Results: Higher frequency for women 12 (54.5%), 45 to 79 years old, mean age of 59.3, 7 (31.81%) had venous ulcers, higher cost treatments: laser therapy and hydrofiber with silver. Outcome variable (R$384,787 reais) and independent variables (R$121,598 cm2 for area of lesion, R$11,864 for number of visits and R$1,727 for the number of wounds). Multivariate analysis, total cost correlated with number of visits. Conclusion: In view of economic evaluation, there was predominance of cost with chronic wounds in the elderly, laser therapy and use of dressing the interventions impacting direct cost.
Keywords: Costs and Cost Analysis; Wounds and Injuries; Wound Healing; Therapeutics; Nursing; Enterostomal Therapy.
RESUMEN
Objetivo: Evaluar costos directos con heridas cr�nicas de personas atendidas en ambulatorio de enfermer�a en estomaterapia de una universidad p�blica del nordeste de Brasil. M�todo: Estudio transversal documental, recolecci�n datos de materiales para tratamiento de heridas, de mayo a junio de 2020 en 22 historias cl�nicas, analizadas por JASP (frecuencias de regresi�n absoluta, relativa, media, desviaci�n est�ndar y multivariada). Resultados: Mayor frecuencia mujeres 12 (54,5%), 45 a 79 a�os, edad media 59,3, 7 (31,81%) presentaron �lceras venosas, tratamientos de mayor costo: laserterapia e hidrofibra con plata. Variable resultado (R$384.787 reales) y variables independientes (R$121.598 cm2 �rea, R$11.864 n�mero de visitas y R$1.727 n�mero de heridas). An�lisis multivariante, se correlacion� costo total con el n�mero de visitas. Conclusi�n: Frente a evaluaci�n econ�mica, hubo predominio del costo con heridas cr�nicas en ancianos, terapia con l�ser y uso de vendajes las intervenciones que impactaron en costo directo.
Palabras clave: Costos y An�lisis de Costo; Heridas y Lesiones; Cicatrizaci�n de Heridas; Terap�utica; Enfermer�a; Estomaterapia.
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INTRODU��O
Feridas s�o danos � pele oriundos de situa��es de ordem qu�mica, f�sica ou biol�gica resultando na interrup��o da barreira cut�nea. Essa condi��o cl�nica pode atingir diversas estruturas biol�gicas, como, epiderme, derme, tecido subcut�neo, f�scia muscular, podendo chegar a expor estruturas �sseas 1.
A taxa e a qualidade da cicatriza��o de feridas dependem de muitos fatores, incluindo a etiologia, o tamanho da les�o, a localiza��o anat�mica da ferida, umidade local, press�o tecidual prolongada, fric��o, cisalhamento, presen�a de deformidades e comorbidades 2.
Al�m disso, quest�es de ades�o ao tratamento e fator econ�mico constituem s�rio problema de sa�de p�blica, devido ao quantitativo de pessoas com comprometimento da integridade da pele, o que onera as institui��es de sa�de, al�m do impacto na qualidade de vida, devido a dif�cil cicatriza��o e recidivas, muitas vezes pela condi��o econ�mica limitante 3.
Os gastos relacionados � presta��o de cuidados s�o definidos como custos diretos e custos indiretos 4. Custos diretos dizem respeito aos gastos empregados diretamente na assist�ncia prestada, a saber, tecnologias utilizadas e m�o de obra de profissionais da sa�de s�o exemplos. J� os custos indiretos s�o aqueles que refletem sobre os indiv�duos, organiza��es e a sociedade pela participa��o no processo 5.
Nesta perspectiva de economia em sa�de, os autores 6, analisaram os custos de procedimentos de enfermagem realizados com maior frequ�ncia ao paciente grande queimado e constataram que o procedimento mais oneroso e que necessita de maior demanda de tempo � o cuidado com as feridas, onde o custo do procedimento de troca de curativo variou de R$ 6,37 a R$ 240,24. Por outro lado, estudo dos autores 7 aponta o custo de R$150.080,00 para o tratamento de feridas cir�rgicas com deisc�ncia, sendo n=70, obt�m-se um custo m�dio de R$ 2.144,00 por ferida curada.
O Laborat�rio de Enfermagem em Estomaterapia (LENFE) da Universidade Regional do Cariri (URCA) implementou o Ambulat�rio de Enfermagem em Estomaterapia, criado por iniciativa de um docente do departamento de enfermagem da URCA para fomentar as atividades pr�ticas da p�s-gradua��o lato sensu de enfermagem em estomaterapia, al�m de proporcionar um atendimento especializado nas �reas de feridas, estomias, disfun��es do assoalho p�lvico e podiatria cl�nica para a popula��o da regi�o metropolitana do Cariri Cearense, o que foi poss�vel a partir de julho de 2018 8.
Neste contexto, emergiu a necessidade institucional em mensurar os custos diretos com a realiza��o dos curativos, frente ao crescente quantitativo de pessoas com feridas atendidas no LENFE e por entende ser este o atendimento mais oneroso financeiramente, dentre os demais servi�os ofertados a popula��o dos 45 munic�pios que comp�e a regi�o metropolitana do Cariri Cearense.
Deste modo, avaliar os custos direto do tratamento de feridas contribuiu para melhorias na gest�o organizativa do LENFE, otimizando o uso consciente dos recursos materiais finitos durante a assist�ncia.
Face ao exposto, objetivou-se avaliar custos diretos com feridas cr�nicas de pessoas atendidas no ambulat�rio de enfermagem em estomaterapia de uma universidade p�blica no nordeste brasileiro.
M�TODOS
Trata-se de um estudo de avalia��o econ�mica em sa�de 4, documental, descritivo, transversal, retrospectivo com abordagem quantitativa, desenvolvido mediante consulta � prontu�rios, realizado em um servi�o ambulatorial de enfermagem intitulado Laborat�rio de Enfermagem em Estomaterapia (LENFE) de uma Universidade P�blica do interior do estado do Cear�, Brasil.
Destaca-se que a declara��o dos Padr�es Consolidados para o Relato de Avalia��es Econ�micas da Sa�de (CHEERS) foi usada como guia para este estudo de avalia��o econ�mica em sa�de 4.
A coleta de dados deu-se no per�odo de maio a junho de 2020 por meio da consulta a prontu�rios de pacientes cadastrados no Programa de Aten��o a Pessoas com Feridas que tiveram alta do LENFE no per�odo do estudo. Para tanto, foram exclu�dos da amostra os prontu�rios que estavam incompletos, tanto por falta de preenchimento, quanto por falta da assinatura da ficha de autoriza��o do uso dos dados para esta pesquisa.�
Foi utilizado uma planilha estruturada para coleta das informa��es dos prontu�rios de participantes desta presente investiga��o, acerca dos custos diretos com feridas, sendo feita leitura e an�lise minuciosa de cada prontu�rio.
Destarte, no prontu�rio constam dados sociodemogr�ficos, cl�nicos e o quantitativo de material utilizado pelo paciente em cada atendimento, o qual � registrado em dois instrumentos f�sicos pr�prios do ambulat�rio, onde no primeiro � realizada a quantifica��o de insumos, como soro, gazes, esp�tulas, l�minas, dentre outros e no segundo s�o descritos os tipos de tecnologias utilizadas, com espa�o destinado tamb�m para o preenchimento em caso de dispensa��o de materiais quando o paciente realizar a troca de cobertura em domic�lio.
Os materiais utilizados s�o descritos tamb�m na evolu��o cl�nica de cada atendimento. Portanto, a coleta dos dados foi realizada mediante leitura do prontu�rio do paciente, visando a identifica��o quantitativa e qualitativa dos produtos utilizados para o tratamento das feridas no �mbito domiciliar e ambulatorial por m�s de atendimento. Ap�s a verifica��o quantitativa dos insumos, realizou-se buscas no site da Secretaria da Fazenda do Cear� (SEFAZ/CE)9, em busca de preg�es municipais de compras dos mesmos produtos para assim quantificar, em reais (R$), aqueles que n�o foram localizados a busca deu-se de forma individualizada em lojas online. �
Nesse estudo, n�o foram incorporados os custos com pessoal envolvido na assist�ncia, sequer custos indiretos, ou seja, aqueles que refletem sobre os indiv�duos, organiza��es, e a sociedade pela participa��o na interven��o ou no programa, sequer os custos resultantes do uso da infraestrutura ambulatorial. Ressalta-se que a presta��o de servi�os no LENFE ocorre da seguinte forma: a coordena��o � exercida por um professor, que juntamente com discentes de gradua��o e p�s-gradua��o lato sensu atuam na assist�ncia direta aos pacientes foco deste estudo.
Ap�s a coleta de dados, os mesmos foram tabulados utilizando-se o Software Microsoft Office Excel 2019 e a an�lise dos dados foi realizada mediante o uso do Programa estat�stico JASP vers�o 0.13.1 / 16 de julho de 2020. Sendo calculadas as medidas descritivas de posi��o e variabilidade, como m�dia e desvio padr�o, para as vari�veis quantitativas. Para as vari�veis categ�ricas, calculadas frequ�ncias absolutas e relativas. Quanto � verifica��o das correla��es entre as vari�veis foram aplicados os testes de regress�es multivariadas.
O estudo foi aprovado pelo Comit� de �tica e Pesquisa da Universidade Regional do Cariri, recebendo parecer favor�vel � execu��o, sob N� 3.155.662.
RESULTADOS
Foram analisadas 261 evolu��es de enfermagem, as quais estavam presentes em 22 prontu�rios de pessoas atendidas no programa LENFE da universidade p�blica em pesquisa.
Quanto ao perfil sociodemogr�fico, obteve-se maior frequ�ncia entre pessoas do sexo feminino 12 (54,5%), com m�dia de idade de 59,3 anos com uma predomin�ncia da faixa et�ria entre 45 � 79 anos, oito (36,3%). No que se refere � localidade, encontrou-se uma predomin�ncia de usu�rios provenientes da cidade de Crato-CE, 12 (54,5%). A respeito da escolaridade, evidenciou-se maior frequ�ncia de participantes sem escolaridade e ensino fundamental incompleto, cinco (22,7%) cada, seguido por ensino fundamental completo, quatro (18,18%). A an�lise do estado civil demonstrou que 10 (45,5%) possuem parceiro e 14 (63,63%) referiram receber renda mensal de um sal�rio-m�nimo (Tabela 1).
Tabela 1 - Distribui��o das vari�veis sociodemogr�ficas das pessoas atendidas no LENFE (n=22). Crato-CE, Brasil, 2022.
Vari�veis |
n (%) |
Sexo |
|
Feminino |
12 (54,5) |
Masculino |
10 (45,5) |
Faixa et�ria |
|
0-4 |
1 (4,5) |
40-59 |
11 (50) |
60-89 |
10 (45,5) |
Munic�pios de Origem |
|
Crato |
12 (54,5) |
Juazeiro do Norte |
3 (13,6) |
Lavras da Mangabeira |
2 (9,0) |
Outros Munic�pios* |
5 (22,7) |
Escolaridade |
|
Sem Escolaridade |
5 (22,7) |
Ensino Fundamental Completo |
4 (18,18) |
Ensino Fundamental Incompleto |
5 (22,7) |
Ensino M�dio Completo |
3 (13,6) |
Ensino M�dio Incompleto |
2 (9,0) |
Ensino Superior Completo |
1 (4,5) |
Ensino Superior Incompleto |
2 (9,0) |
Estado Civil |
|
Solteiro |
9 (40,9) |
Casado/Morando Junto |
10 (45,5) |
Divorciado/Separado |
1 (4,5) |
Vi�vo |
2 (9,0) |
Renda |
|
Sem Renda |
2 (9,0) |
At� 1 Sal�rio M�nimo |
14 (63,6) |
1,5 a 2 Sal�rios M�nimo |
3 (13,6) |
2,5 a 3 Sal�rios M�nimo |
2 (9,0) |
3,5 a 4 Sal�rios M�nimo |
0 (0,0) |
4,5 a 5 Sal�rios M�nimo |
1 (4,5) |
* Outras cidades incluem: Acopiara, Barbalha, Farias Brito, Fortaleza e Or�s.
* Sal�rio-m�nimo do momento R$ 1.045,00.
Fonte: Dados da Pesquisa.
No que se refere a etiologia da les�o, sete (31,81%) foram provenientes de �lceras venosas, seguido por �lceras neurop�ticas ou trauma, cinco (22,72%) casos cada (Tabela 2).
Tabela 2 - Distribui��o num�rica e percentual da etiologia das feridas das pessoas atendidas no LENFE (n=22). Crato-CE, Brasil, 2022.
Etiologia das Feridas |
n (%) |
�lcera Venosa |
7 (31,8) |
�lcera Neurop�tica |
5 (22,7) |
Trauma |
5 (22,7) |
Ferida Operat�ria |
3 (13,6) |
Acidente Of�dico |
1 (4,5) |
Ferida de origem infecciosa |
1 (4,5) |
No ambulat�rio, o tratamento com aux�lio da terapia com laser e a cobertura do tipo hidrofibra com prata, foram os itens que mais oneraram custos total de R$2.100,00 e R$ 1.285,20 respectivamente (Tabela 3).
Tabela 3 - Distribui��o num�rica e valor dos insumos utilizados no tratamento das feridas das pessoas atendidas no LENFE. Crato-CE, Brasil, 2022.
Produtos |
Medida |
Quantitativo do produto |
Valor por unidade utilizada (R$) |
Valor total (R$) |
AGE 200ml |
Ml |
600 |
0,0645 |
38,70 |
Alginato de C�lcio |
un/10 |
55 |
2,658 |
146,19 |
Alginato de C�lcio com Prata |
un/10 |
38 |
5,99 |
227,62 |
Atadura 10cm |
Um |
260 |
1,25 |
325,00 |
Atadura 20cm |
Um |
16 |
2,50 |
40,00 |
Bota de Unna |
Um |
26 |
30,00 |
780,00 |
Clorexidina 1l |
Ml |
178 |
0,026 |
4,63 |
Colagenase 30g |
G |
38 |
1,88 |
71,44 |
Compressa |
Pc |
2 |
1,11 |
2,22 |
Esp�tula |
Um |
20 |
0,15 |
3,00 |
Espuma de Poliuretano com Ibuprofeno |
un/10 |
1 |
6,30 |
6,30 |
Espuma de Poliuretano com Prata |
un/10 |
138 |
3,70 |
510,60 |
Filme de Poliuretano |
Cm |
136 |
0,1725 |
23,46 |
Gazes |
Pc |
617 |
1,11 |
684,87 |
Gazes de Rayon |
Pc |
25 |
14,00 |
350,00 |
Hidrofibra |
un/10 |
85 |
2,138 |
181,73 |
Hidrofibra com Prata |
un/10 |
170 |
7,560 |
1285,20 |
Hidrogel 85g |
G |
35 |
0,419 |
14,69 |
L�mina |
Um |
260 |
0,60 |
156,00 |
Laserterapia |
Um |
14 |
150,00 |
2100,00 |
Luvas de Procedimentos |
Pr |
751 |
0,28 |
210,28 |
Outras coberturas |
un/10 |
112 |
3,00 |
336,00 |
Papa�na 100g |
G |
193 |
0,28 |
54,04 |
PHMB 350ml |
Ml |
636 |
0,42 |
270,24 |
SF 0,9% 500ml |
Ml |
28.520 |
0,022 |
627,44 |
Sulfadiazina de Prata 50g |
G |
44 |
0,34 |
15,22 |
TOTAL |
|
8.465,02 |
Conforme tabela quatro, a vari�vel de desfecho, custo total, apresentou uma m�dia de R$ 384,787 (DP=391,447) por pessoa. Ao tempo que as vari�veis independentes apresentaram uma m�dia de 121,598 cm2 (DP=180,116) para �rea da les�o, 11.864 (DP=10.934) para n�mero de atendimentos e 1,727 (DP=1,032) para n�mero de feridas.
Na an�lise multivariada observou-se que o custo total apresentou correla��o estatisticamente significativa com o n�mero de atendimentos (R2a=0,505; F (3, 18) = 8.145, p<0.001), conforme mostra a (Tabela 4). Nenhuma das demais vari�veis quantitativas apresentou associa��o estatisticamente significativa com o custo total.
Tabela 4 - Regress�o linear dos fatores associados ao custo total para tratamento de feridas no LENFE.� Crato-CE, Brasil, 2022.
Vari�veis |
M�dia (bruta) |
DP |
β |
Valor de p |
R2a |
Custo Total |
384.787 |
391.447 |
|
|
0.505 |
�rea da Ferida |
121.598 |
180.116 |
0.438 |
0.648 |
|
No de Atendimentos |
11.864 |
10.934 |
6.700 |
<0.001 |
|
No de Feridas |
1.727 |
1.032 |
72.797 |
0.410 |
|
DP: desvio-padr�o
DISCUSS�O
A partir da an�lise dos prontu�rios, obteve-se que o sexo feminino foi prevalente na amostra estudada, assim como a faixa et�ria de 45 a 79 anos. Resultados opostos foram evidenciados em investiga��es com a mesma perspectiva de levantamentos de custo para o tratamento de feridas cr�nicas. A exemplo, um estudo realizado em 2020 destaca que 55,1% da popula��o eram homens com idade acima de 60 anos (55,1%) 10, o que corrobora com uma pesquisa realizada em 2017 em que no estudo descreveram que houve predomin�ncia do sexo masculino (59,6%), entretanto, estes tinham entre 19 e 59 anos (56%) 7.
����������� No que se refere aos munic�pios de origem, encontrou-se uma predomin�ncia de indiv�duos provenientes da cidade de Crato-CE, o que pode ser explicado por ser a cidade onde o LENFE se localiza. Concernente a isto, torna-se evidente a import�ncia da descentraliza��o dos servi�os, tendo em vista que muitas pessoas possuem dificuldades na acessibilidade a atendimentos especializados, principalmente aqueles que vivem no interior e em zonas rurais, que devido � localiza��o geogr�fica, muitas vezes ficam sem tratamentos e com piores progn�sticos.
����������� A respeito da escolaridade, evidenciou-se maior frequ�ncia, entre os prontu�rios dos participantes, a aus�ncia de escolaridade ou ensino fundamental incompleto. Estes s�o achados importantes, tendo em vista que o bom n�vel no entendimento dos pacientes favorece atividades de educa��o em sa�de, sejam para prevenir les�es ou para o alcance do autocuidado de pessoas com feridas j� estabelecidas 11.
A an�lise do estado civil demonstrou que a maioria estava em rela��o conjugal est�vel e possu�a uma renda mensal de at� um sal�rio m�nimo. A baixa renda poder� impactar negativamente na cura da ferida, uma vez que o acompanhamento ambulatorial deve ser associado ao seguimento domiciliar, com constantes trocas de curativos para manuten��o do tratamento da les�o.
Nesse sentido, os autores ponderam que o fato do paciente ser respons�vel pela aquisi��o de insumos como, por exemplo, as coberturas o que muitas vezes acarreta alto gasto, impossibilita a compra dos mesmos pelo paciente de baixo poder aquisitivo. Essa realidade foi evidenciada na pesquisa dos autores 12, quando 72,6% n�o tinham renda ou ganhavam at� um sal�rio m�nimo.
Assim, a an�lise do perfil dos pacientes atendidos torna-se imprescind�vel para os servi�os de aten��o � sa�de de pessoas com feridas, tendo em vista que o cuidado individualizado com implanta��o de pr�ticas direcionadas est� associado a esta investiga��o, sobretudo aqueles com feridas cr�nicas11.
Com efeito, o sucesso no tratamento e o perfil de cada indiv�duo est�o inter-relacionados, principalmente no que se refere ao car�ter socioecon�mico, tendo em vista ser um fator que determina, muitas vezes, o seguimento terap�utico em ambiente domiciliar; imprescind�vel para a cura da ferida 8.
Quanto ao tipo de ferida, obtido a partir de an�lise do prontu�rio das pessoas atendidas no LENFE, constatou-se que as �lceras de etiologia venosa foram as mais frequentes, seguida por �lceras neurop�ticas e les�es decorrentes de traumas. Este achado � semelhante aos dados encontrados no estudo 7 que analisou o perfil de pacientes com feridas complexas/les�es cr�nicas em acompanhamento ambulatorial, no qual evidenciou alta preval�ncia e incid�ncia de �lceras vasculog�nicas.
Ao analisar a distribui��o num�rica e valor dos insumos utilizados no tratamento das feridas das pessoas atendidas no LENFE, identificou-se que a laserterapia e as coberturas de hidrofibra com prata foram os principais contribuintes para os custos totais da institui��o. Dados consonantes foram observados no estudo dos autores 5 que identificou ser o uso de coberturas e/ou demais artefatos avan�ados como vari�veis deliberativas para o maior custo com o tratamento de feridas. Estes autores apresentam, ainda, que embora de alto custo, instituir estas alternativas terap�uticas reduzem consideravelmente o tempo de acompanhamento desse paciente, tornando-se vantajoso para o servi�o de sa�de por impactar positivamente nos custos decorrentes de longos per�odos de internamento.
Dessa forma, os resultados do presente estudo, apresentam-se como fator positivo, uma vez que a laserterapia e o uso de coberturas especializadas puderam reduzir o tempo de tratamento das pessoas em acompanhamento cl�nico para feridas cr�nicas, diminuindo os custos para o Sistema �nico de Sa�de (SUS). Dados de estudo anterior e em processo de publica��o pelo grupo de pesquisadores do presente manuscrito apontaram uma taxa de alta por cura de 61% para o desfecho cl�nico das feridas cr�nicas de pessoas atendidas no LENFE.
Em adi��o, um estudo 5 realiza an�lise de custo-efetividade e apontou que a terapia convencional representa um custo de R$ 101.030,58 (US $ 26.586,94) at� a cura da les�o. Enquanto aquelas feridas que s�o tratadas com uso de tecnologias e com as novas coberturas, mais avan�adas, dispon�veis no mercado, s�o cicatrizadas com um gasto de R$ 15.631,02 (US $ 4.113,43), o que parece demonstrar um melhor custo-efetividade quando h� o investimento em tecnologias para a sa�de de pessoas com feridas cr�nicas.
Os servi�os ambulatoriais especializados complementares ao SUS, a exemplo do LENFE que, trata-se de um programa de aten��o � sa�de das pessoas com feridas ofertado por uma universidade p�blica no interior Cearense, poder�o ser implantados, favorecendo a diminui��o dos gastos investidos pelo poder p�blico na terap�utica de feridas, e impactando na qualidade de vida dos pacientes, por meio de um menor tempo necess�rio e maior qualidade na cicatriza��o de suas les�es cut�neas. Al�m de tornar cada vez mais estrat�gias relevantes para auxiliar na tomada de decis�o para os profissionais de sa�de, sejam eles cl�nicos ou que est�o em outros setores como auditoria, compras, ger�ncia, dentre outros.
As �lceras cr�nicas, principalmente em pacientes diab�ticos, est�o associadas ao elevado n�mero de amputa��es realizadas anualmente 1, em consequ�ncia �s complica��es vasculares causadas pelo Diabetes Mellitus 13. Nestes casos, o custo financeiro para o SUS torna-se ainda maior, uma vez que al�m das interven��es cir�rgicas demandarem investimento com uma equipe multidisciplinar, h�, ainda, os cuidados p�s-cir�rgicos. Um estudo realizado em 2018, em que analisou os custos com hospitaliza��es relacionadas a feridas durante o quadri�nio 2010-2014, apontou o custo de US$ 16,1 para hospitaliza��es com moradores de �reas urbanas e rurais 14.
Resultado de regress�o linear dos fatores associados ao custo total para tratamento de feridas no LENFE apresentou correla��o significativa com o n�mero de atendimentos, ou seja, quanto mais idas dos usu�rios ao servi�o, maiores ser�o os gastos para instituir o tratamento das les�es cr�nicas.�
O estudo dos autores 12 v�o ao encontro ao reportado acima, pois ao avaliarem custos para o tratamento aos est�gios de Les�es por Press�o, obtiveram que quanto maior o comprometimento cut�neo, obtido em est�gios avan�ados de Les�es por Press�o, maior ser� o custo terap�utico. Assim, infere-se que feridas complexas de longa data est�o diretamente associadas aos elevados custos com curativos.
CONCLUS�ES
Face ao exposto, pode-se inferir que o objetivo proposto foi alcan�ado visto que foi poss�vel tra�ar o perfil cl�nico e epidemiol�gico, bem como o levantamento de dados referentes � custo efetividade com a terap�utica de feridas. Assim observou-se predom�nio de custo com feridas cr�nicas em idosos, laserterapia e o uso de penso foram as interven��es impactantes para o custo direto obtido que apresentou correla��o multivariada com o n�mero de atendimentos realizados.
����������� O estudo teve como limita��es o fato de analisar o custo de �nico servi�o, al�m de n�o terem sido calculados custos referentes �s atividades profissionais, que podem ser fatores onerosos �s organiza��es de sa�de, visto que m�o de obra qualificada demanda valoriza��o financeira e implica melhores desfechos em sa�de.
����������� Por fim, frente � avalia��o econ�mica das interven��es em sa�de apresentada nesta investiga��o, espera-se que este estudo possa contribuir com estrat�gia positiva para a sa�de p�blica e a sua sustentabilidade, al�m de oferecer suporte, a partir da an�lise econ�mica realizada, para tomada de decis�o por profissionais de sa�de bem como gestores em sa�de p�blica diante da indaga��o do custo adicional justificar o benef�cio extra, quest�o que permeia a delibera��o para implementa��o de tecnologias para sa�de.
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Fomento e Agradecimento:
Agradecemos aos gestores do Ambulat�rio de Enfermagem em Estomaterapia da Universidade Regional do Cariri.
Declara��o de conflito de interesses
�Nada a declarar�.
Contribui��o dos autores
Francisca Clarisse de Sousa. contribui substancialmente na concep��o e no planejamento do estudo
Luis Rafael Leite Sampaio. reda��o e revis�o cr�tica e aprova��o final da vers�o publicada
Naftale Alves dos Santos Gadelha. contribui substancialmente na concep��o e no planejamento do estudo
Paulo Felipe Ribeiro Bandeira. obten��o, na an�lise e interpreta��o dos dados
Tays Pires Dantas. contribui substancialmente na concep��o E no planejamento do estudo
Woneska Rodrigues Pinheiro. reda��o e/ou revis�o cr�tica e aprova��o final da vers�o publicada
Eglidia Carla Figueiredo Vidal. obten��o, na an�lise e interpreta��o dos dados
Luis Fernando Reis Macedo. contribui substancialmente na concep��o e no planejamento do estudo
Rita Neuma Dantas Carvalho de Abreu. reda��o e/ou revis�o cr�tica e aprova��o final da vers�o publicada
Editor Cient�fico: �talo Ar�o Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447
Editor Associado: Edirlei Machado dos-Santos. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1221-0377