ARTIGO DE REVIS�O
MEDO DE CAIR E QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS IDOSAS: PESQUISAS EM EVID�NCIA
FEAR OF FALLING AND QUALITY OF LIFE IN ELDERLY PEOPLE: RESEARCH INTO EVIDENCE
MIEDO A CAER Y CALIDAD DE VIDA DE LAS PERSONAS MAYORES: INVESTIGACI�N EM EVIDENCIA
https://doi.org/10.31011/reaid-2024-v.98-n.1-art.2035
Jos� Artur de Paiva Veloso1
Hayd�e Cass� da Silva2
Ol�via Galv�o Lucena Ferreira3 Laura de Sousa Gomes Veloso4
Susanne Pinheiro Costa e Silva5
Ant�nia L�da Oliveira Silva6
Maria Adelaide Silva Paredes Moreira7
1 Universidade Federal da Para�ba, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0001-8606-5953
2 Universidade Federal da Para�ba, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0001-5859-556X
3 Centro Universit�rio de Jo�o Pessoa, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0002-8490-2444
4 Faculdade de Enfermagem Nova Esperan�a, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0003-3522-9449
5 Universidade Federal da Para�ba, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0002-9864-3279
6 Universidade Federal da Para�ba, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0001-7758-2035
7 Universidade Federal da Para�ba, Jo�o Pessoa, PB, Brasil ORCID: 0000-0001-9460-9172
Autor correspondente
Jos� Artur de Paiva Veloso
Rua Doutor Ant�nio Palitot, n. 74 Apt. 102, Banc�rios, CEP: 58.051-780, Jo�o Pessoa, PB, Brasil.� Telefone: +55(83)99917-9257 Email: arturvelosofisio@gmail.com
Submiss�o: 16-10-2023
Aprovado: 05-02-2024
RESUMO
Objetivo: identificar o saber cient�fico gerado sobre medo de cair e qualidade de vida em pessoas idosas com hist�rico de quedas. M�todos: trata-se de uma revis�o integrativa de literatura, norteada pelo PRISMA. As consultas ocorreram nas bases de dados BDENF, MEDLINE via PubMed, Embase, SCOPUS e Web of Science, utilizando os descritores qualidade de vida; acidentes por quedas; medo de cair e pessoa idosa. Foram encontrados 1.899 artigos, dos quais 15 corresponderam aos crit�rios de elegibilidade. Resultados: no que tange aos participantes, 3.325 pessoas idosas de ambos os sexos foram inclu�das nos estudos analisados. Verificou-se que �queles considerados ativos, sem hist�rico de quedas recentes e que residiam na comunidade apresentavam menor preval�ncia de medo de cair. Conclus�o: as evid�ncias sugerem uma forte associa��o entre o medo de cair e a qualidade de vida para pessoas idosas, com hist�rico de quedas, influenciada pelos desempenhos f�sico, cognitivo e social. Contribui��es para a pr�tica: a rela��o entre melhor qualidade de vida e baixo medo de cair pode ser mediada por pr�ticas de preven��o e de promo��o � sa�de f�sica e mental, equilibrando os efeitos que as emo��es desempenham sobre o controle postural entre pessoas idosas.
Palavras-chave: Qualidade de Vida; Acidentes por Quedas; Pessoa Idosa.
ABSTRACT
Objective: to identify the scientific knowledge generated about fear of falling and quality of life in elderly people with a history of falls. Methods: this is an integrative literature review, guided by PRISMA. The consultations took place in the BDENF, MEDLINE via PubMed, Embase, SCOPUS and Web of Science databases, using the descriptors quality of life; fall accidents; fear of falling and elderly people. 1,899 articles were found, of which 15 met the eligibility criteria. Results: regarding participants, 3,325 elderly people of both sexes were included in the studies analyzed. It was found that those considered active, with no history of recent falls and who lived in the community had a lower prevalence of fear of falling. Conclusion: evidence suggests a strong association between fear of falling and quality of life for elderly people with a history of falls, influenced by physical, cognitive and social performance. Contributions to practice: the relationship between better quality of life and low fear of falling can be mediated by prevention practices and promotion of physical and mental health, balancing the effects that emotions have on postural control among elderly people.
Keywords: Quality of Life; Accidental Falls; Aged.
RESUMEN
Objetivo: identificar el conocimiento cient�fico generado sobre el miedo a caer y la calidad de vida en personas mayores con antecedentes de ca�das. M�todos: se trata de una revisi�n integradora de la literatura, guiada por PRISMA. Las consultas se realizaron en las bases de datos BDENF, MEDLINE v�a PubMed, Embase, SCOPUS y Web of Science, utilizando los descriptores calidad de vida; accidentes por ca�das; miedo a caer y personas mayores. Se encontraron 1.899 art�culos, de los cuales 15 cumplieron los criterios de elegibilidad. Resultados: en cuanto a los participantes, fueron incluidos en los estudios analizados 3.325 ancianos de ambos sexos. Se encontr� que aquellos considerados activos, sin antecedentes de ca�das recientes y que viv�an en la comunidad ten�an menor prevalencia de miedo a caer. Conclusi�n: la evidencia sugiere una fuerte asociaci�n entre el miedo a caer y la calidad de vida de personas mayores con antecedentes de ca�das, influenciada por el desempe�o f�sico, cognitivo y social. Contribuciones a la pr�ctica: la relaci�n entre mejor calidad de vida y bajo miedo a caer puede ser mediada por pr�cticas de prevenci�n y promoci�n de la salud f�sica y mental, equilibrando los efectos que las emociones tienen sobre el control postural entre las personas mayores.
Palabras clave: Calidad de Vida; Accidentes por Ca�das; Personas Mayores
INTRODU��O
O envelhecimento da popula��o � um acontecimento mundial, representado de maneira amb�gua e heterog�nea nas diversas sociedades contempor�neas. O r�pido crescimento da expectativa de vida, juntamente com a redu��o acentuada na taxa de fertilidade, levou a um aumento significativo do n�mero absoluto e relativo de pessoas idosas ao longo das �ltimas tr�s d�cadas no Brasil e no mundo(1).
As sociedades que envelhecem est�o cada vez mais expostas ao aumento da ocorr�ncia de incapacidades e da instala��o de doen�as, em parte imposta pela maior preval�ncia de doen�as cr�nicas n�o transmiss�veis durante o envelhecimento, mesmo diante dos avan�os tecnol�gicos e das atuais pol�ticas de promo��o � sa�de em seu contexto global(2).
Entre as perturba��es que geralmente acometem a pessoa idosa, as doen�as cr�nicas n�o transmiss�veis de natureza reum�tica mostram-se prevalentes e significativamente incidentes entre a popula��o que envelhece, com maior preval�ncia no sexo feminino(3). Doen�as como osteoartrose, osteoporose e artrite reumatoide s�o exemplos de condi��es reum�ticas cr�nicas pertinentes ao contexto epidemiol�gico do processo de envelhecimento que, aliadas �s constantes e progressivas altera��es bioqu�micas, morfol�gicas e funcionais que acontecem no decorrer da senesc�ncia, contribuem significativamente para a instala��o de situa��es desafiadoras para a manuten��o da autonomia e da capacidade funcional entre pessoas idosas(3-4).
Os acidentes por quedas podem ser exemplos concretos dessas situa��es desafiadoras, n�o apenas para o indiv�duo que envelhece como tamb�m para os sistemas de sa�de. Sabe-se que os idosos apresentam maior propens�o �s quedas em virtude da associa��o entre as altera��es somatossensoriais que interferem na manuten��o do controle postural e desajustes ambientais aos quais s�o expostos em ambientes domiciliares e nas vias p�blicas por onde circulam(5).
A multifatorialidade com as quais ocorrem e os impactos biopsicossocias que produzem tornam as quedas uma s�ria dificuldade na sa�de p�blica diante das mudan�as demogr�ficas e epidemiol�gicas experimentadas nos dias atuais(6). Les�es musculoesquel�ticas, traumas com comprometimento neurol�gico e medo de sofrer novas quedas podem promover o comprometimento da mobilidade global, a redu��o da independ�ncia funcional e a restri��o das atividades sociais(7).
O medo de cair tem sido um dos comprometimentos mais relatados entre gerontes que sofreram epis�dios de quedas(8-9), embora, tamb�m, refiram o desenvolvimento desse medo entre pessoas que ainda n�o tiveram experi�ncia anterior a esses acidentes(10-11). Observa-se, entre pessoas idosas, que o medo de cair � um constructo das antecipa��es futuras quanto ao evento em si, como tamb�m da redu��o da confian�a nas pr�prias habilidades f�sicas e motoras para realizar as atividades cotidianas(12).
Dessa forma, o medo de cair torna-se capaz de promover uma espiral descendente entre as pessoas idosas, que se caracteriza pela deteriora��o da capacidade funcional e redu��o das atividades e participa��o social, impactando negativamente a qualidade de vida nessa classe populacional(8-9,11).��
Em uma defini��o mais ampla, a qualidade de vida na velhice est� associada a uma condi��o de sa�de est�vel, englobando caracter�sticas f�sicas, cognitivas, espirituais e sociais compat�veis com a realidade ao qual a pessoa idosa encontra-se inserida(6), podendo sofrer significativa influ�ncia diante da extens�o e complexidade dos problemas inerentes �s quedas.
Correla��es entre a qualidade de vida e as repercuss�es biopsicossociais das quedas tem sido apontadas como importantes crit�rios para o estabelecimento de a��es efetivas que minimizem os agravos � sa�de da pessoa idosa; no entanto, mostram-se escassas na literatura cient�fica. Nesse contexto, � razo�vel compreender a necessidade de ampliar a discuss�o sobre as lacunas proporcionadas pelo medo de cair na percep��o da qualidade de vida entre idosos, de forma a contribuir para o enfrentamento dos desafios que emergem � medida que a popula��o mundial se torna cada vez mais envelhecida.
Levando em considera��o a relev�ncia de reflex�es acerca da tem�tica proposta para pesquisadores e profissionais que atuam na sa�de da pessoa idosa, buscou-se responder � seguinte quest�o norteadora: Qual a tend�ncia das produ��es cient�ficas sobre a qualidade de vida e o medo de cair entre pessoas idosas que sofreram acidentes por quedas?.
Diante do exposto, objetivou-se identificar o saber cient�fico gerado sobre medo de cair e qualidade de vida em pessoas idosas com hist�rico de quedas.
M�TODOS
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, do tipo revis�o integrativa de literatura, norteado pelos Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-analyses (PRISMA)(13).
A revis�o integrativa de literatura constitui-se como uma importante ferramenta da Pr�tica Baseada em Evid�ncias, por fornecer uma significativa s�ntese do conhecimento e proporcionar uma melhor aplicabilidade das evid�ncias elucidadas em in�meros estudos, de forma a gerar um panorama mais amplo e consistente do fen�meno estudado, tangenciando as atuais pr�ticas assistenciais em sa�de(14).
Para a execu��o da pesquisa, foram seguidas as seis etapas metodol�gicas propostas para a elabora��o de uma revis�o integrativa, a saber: quest�o norteadora; sele��o das pesquisas relacionadas com a tem�tica proposta; extra��o dos dados das pesquisas; verifica��o das informa��es e an�lise cr�tica dos resultados dos estudos; discuss�o dos principais dados(14).
A quest�o norteadora para esta pesquisa foi delimitada pela estrat�gia PECOS(15) (acr�nimo entre as palavras Popula��o, Exposi��o, Comparador, Outcome ou Desfecho, Studies ou Estudos inclu�dos para an�lise), sendo ela: �Qual a tend�ncia das produ��es cient�ficas sobre medo de cair e qualidade de vida entre pessoas idosas que sofreram acidentes por quedas?�.
O primeiro elemento da estrat�gia (P) consiste na pessoa idosa com hist�rico de quedas; o segundo elemento (E) refere-se ao medo de cair; o terceiro elemento (C) equivale a idosos n�o caidores; o quarto elemento (O) corresponde � rela��o entre qualidade de vida e medo de cair; por fim, o quinto elemento equivale aos estudos inclu�dos.
Para o processo de sele��o final das publica��es, foram definidos como crit�rios de inclus�o: artigos dispon�veis na �ntegra, que abordem o medo de cair e a qualidade de vida de pessoas idosas com hist�rico de quedas; resumos que apresentem, ao menos, dois descritores compat�veis com os selecionados para o estudo; registros dispon�veis na �ntegra e na modalidade gratuita. N�o foi definido marco cronol�gico para esse levantamento, seguindo recomenda��es PRISMA(13).
Produ��es duplicadas ou as que envolveram idosos com comorbidades, tais como Doen�a de Alzheimer, Doen�a de Parkinson, c�ncer, s�ndrome da fragilidade, entre outras, foram exclu�das a fim de evitar vari�veis que confundissem a interpreta��o dos dados.
A partir da quest�o norteadora, realizou-se uma busca por artigos cient�ficos nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE) via PubMed, Embase, Web of Science, Base de Dados em Enfermagem (BDENF) e Scopus utilizando os descritores controlados �qualidade de vida�, �acidentes por quedas�, �pessoa idosa� e �pessoa idosa com 80 anos ou mais�, conforme os Descritores em Ci�ncias da Sa�de (DeSC) e o Medical Subject Headings (MeSH), bem como o descritor n�o controlado (palavra-chave) �medo de cair�, com suas respectivas combina��es na l�ngua inglesa, interligados pelos operadores booleanos �AND� e �OR�.
As buscas ocorreram no m�s de janeiro de 2023, utilizando as seguintes estrat�gias: Quality of life AND Aged OR Aged 80 and over AND Accidental falls AND Fear of falling; Quality of life AND Aged AND Accidental falls AND Fear of falling; Quality of life AND Aged 80 and over Accidental falls AND Fear of falling. Ressalta-se que as mesmas foram ajustadas de acordo com as especificidades de cada base de dados investigada.�
Ap�s levantamento nas bases de dados, os registros duplicados foram automaticamente removidos por meio do gerenciador de refer�ncias EndNote Basic (Clarivate Analytics, PA, USA). A escolha dos estudos foi feita por meio da an�lise de dois revisores independentes, que inicialmente fizeram leitura dos t�tulos e dos resumos com aux�lio da plataforma Rayyan e, em seguida, delimitaram a qualidade metodol�gica por meio das especifica��es propostas pelo Consensus-based Standards for the Selection of Health Measurement Instruments (COSMIN)(16).
Os artigos que se enquadraram aos crit�rios de elegibilidade e tiveram concord�ncia entre os dois revisores quanto � qualidade metodol�gica foram lidos na �ntegra para posterior inclus�o ou exclus�o na an�lise. Poss�veis discord�ncias entre os dois revisores foram mediadas e revistas pela presen�a de um terceiro revisor.
A sumariza��o dos dados para an�lise foi realizada por apenas um pesquisador, utilizando um instrumento de extra��o previamente elaborado, que incluiu dados sobre a identifica��o do artigo (autores, local, tipo de pesquisa, base de dados, ano de publica��o), assim como as abordagens metodol�gicas aplicadas durante os estudos (abordagem, amostra, crit�rios de inclus�o, escalas/instrumentos, resultados).
RESULTADOS
Os dados extra�dos foram analisados de forma descritiva, a partir do referencial te�rico-metodol�gico proposto pela literatura consultada. O processo de busca e sele��o adotado para esse estudo encontra-se apresentado pelo fluxograma (Figura 1).
Figura 1 � Fluxograma da sele��o de evid�ncias, baseado nas recomenda��es PRISMA. Jo�o Pessoa, PB, Brasil, 2023
Para facilitar a compreens�o dos registros inclu�dos para an�lise, elaborou-se um quadro s�ntese (Figura 2), com detalhamento das seguintes informa��es: autoria, ano de publica��o, base de dados, pa�s de origem, tipo de estudo e caracteriza��o da amostra.
Figura 2 - Estudos inclu�dos de acordo com a autoria, ano de publica��o, base cient�fica, pa�s ��de origem, tipo de estudo, tamanho da amostra e idade dos participantes (n=15). Jo�o Pessoa, PB, Brasil, 2023.
Autoria / Ano de publica��o |
Base de dados |
Pa�s de origem |
Tipo de estudo |
Tamanho da amostra |
Idade (anos) |
Cumming et al. (2000)(17) |
MEDLINE |
Austr�lia |
Explorat�rio transversal |
528 |
≥65 |
Li et al. (2003)(18) |
MEDLINE |
EUA |
Explorat�rio transversal |
256 |
≥70 |
Kato et al. (2008)(19) |
MEDLINE |
Jap�o |
Explorat�rio transversal |
133 |
≥65 |
Davis, Marra, Liu-Ambrose (2011)(20) |
MEDLINE |
Canad� |
Explorat�rio transversal |
135 |
≥65 e ≤75 |
Rachadel et al. (2015)(21) |
BDENF |
Brasil |
Explorat�rio transversal |
61 |
≥67,9 |
Yodmai et al. (2015)(22) |
MEDLINE |
Tail�ndia |
Explorat�rio transversal |
394 |
≥70 |
Cinarli, Koc (2017)(23) |
MEDLINE |
Turquia |
Explorat�rio transversal |
151 |
≥65 |
Bjerk et al. (2018)(24) |
Web of Science |
Noruega |
Ensaio cl�nico controlado e randomizado |
155 |
≥67 |
Bastami, Azadi (2020)(25) |
Embase |
Ir� |
Estudo quase-experimental |
55 |
≥60 |
Gottschalk et al. (2020)(26) |
MEDLINE |
Alemanha |
Explorat�rio transversal |
309 |
≥70 |
Moraes et al. (2020)(27) |
BDENF |
Brasil |
Estudo transversal |
42 |
≥68,9 |
Nguyen et al. (2020)(28) |
Scopus |
Vietn� |
Estudo transversal |
430 |
≥65 |
Akosile et al. (2021)(29) |
MEDLINE |
Nig�ria |
Explorat�rio transversal |
114 |
≥65 |
Kantow et al. (2021)(30) |
MEDLINE |
Tail�ndia |
Explorat�rio transversal |
462 |
≥65 |
Silva et al. (2021)(31) |
MEDLINE |
Brasil |
Estudo transversal de m�todo misto |
100 |
≥60 |
Observou-se a aplica��o vari�vel de desenhos de estudos, incluindo 13 estudos transversais(17-23,26-31), um estudo quase experimental(24) e um estudo experimental do tipo pr� e p�s-teste(25).
Em rela��o aos participantes, 3.325 pessoas idosas de ambos os sexos foram inclusas nos estudos analisados, com varia��o do tamanho da amostra entre 42(27) e 528(17) indiv�duos.� A maioria dos participantes residia na comunidade onde estavam inseridos(18-20,22,27,30-31). Dois estudos compararam o medo de cair e qualidade de vida entre idosos institucionalizados e n�o institucionalizados(21,29); outros dois estudos recrutaram os participantes em ambiente hospitalar(17,28). Vale destacar que dois estudos analisaram a qualidade de vida e o medo de cair envolvendo pessoas idosas assistidas em ambiente domiciliar(24-25).� Em rela��o � faixa et�ria, todos os estudos envolveram pessoas com mais de 60 anos, com exce��o dos que recrutaram idosos com mais de 70 anos(17,22,26).
Foram utilizados itens espec�ficos para as propriedades psicom�tricas estudadas, sendo elas: 14 para a confiabilidade teste-reteste, 11 para a consist�ncia interna e 7 para a validade de crit�rio, entre os instrumentos utilizados para a coleta das vari�veis dependentes (medo de cair e qualidade de vida). Cada item pode ser avaliado como �excelente�, �bom�, �razo�vel� ou �fraco�(16).�
Em geral, todos os estudos usaram instrumentos v�lidos e confi�veis para analisar o medo de cair e a qualidade de vida, com exce��o de alguns para os quais a pontua��o para confiabilidade de teste-reteste(31) ou a confiabilidade da consist�ncia interna(21,24), levando em considera��o que a pior classifica��o atingida para um dos pontos espec�ficos de cada propriedade psicom�trica define a classifica��o final do artigo(16).
Figura 3 - Descri��o das caracter�sticas dos estudos quanto � qualidade metodol�gica (Checklist COSMIN) (n=15). Jo�o Pessoa, PB, Brasil, 2023.
Autoria / Ano de publica��o |
Confiabilidade teste-reteste |
Confiabilidade consist�ncia interna |
Validade de crit�rio |
Cumming et al. (2000)(17) |
Bom |
Bom |
Bom |
Li et al. (2003)(18) |
Bom |
Bom |
Bom |
Kato et al. (2008)(19) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Davis, Marra, Liu-Ambrose (2011)(20) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Rachadel et al. (2015)(21) |
Razo�vel |
* |
Razo�vel |
Yodmai et al. (2015)(22) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Cinarli, Koc (2017)(23) |
Bom |
Bom |
Razo�vel |
Bjerk et al. (2018)(24) |
Razo�vel |
* |
Razo�vel |
Bastami, Azadi (2020)(25) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Gottschalk et al. (2020)(26) |
Bom |
Bom |
Bom |
Moraes et al. (2020)(27) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Nguyen et al. (2020)(28) |
Razo�vel |
Razo�vel |
Razo�vel |
Akosile et al. (2021)(29) |
Bom |
Bom |
Bom |
Kantow et al. (2021)(30) |
Bom |
Bom |
Bom |
Silva et al. (2021)(31) |
* |
Razo�vel |
Razo�vel |
� *propriedade psicom�trica n�o avaliada no estudo.
��
A Falls Efficacy Scale (FES) e suas varia��es (Falls Efficacy Scale � I Brazil, Short-Falls Efficacy Scale, Modified Falls Efficacy Scale e respectivas tradu��es) foi o instrumento mais utilizado entre os autores analisados(17,19,21-23,25-26,29). A escala Activies-Specific Balance Confidence Scale(29) e o The Survey of Activities and Fear of Falling in the Elderly(18), que medem as confian�a no equil�brio e as restri��es das atividades de vida di�ria em decorr�ncia do medo de cair, respectivamente, tamb�m foram citadas. Um estudo identificou o medo de cair entre os participantes atrav�s de uma pergunta �nica, com padr�o de resposta dicotomizada (sim/n�o)(28). Apenas um estudo aplicou um question�rio para verificar o n�vel de consci�ncia sobre o risco de quedas entre pessoas idosas com e sem hist�rico de quedas(30).
� Ressalta-se que um dos estudos utilizou um instrumento de coleta de dados estruturado em tr�s partes: (1) caracteriza��o dos participantes; (2) T�cnica/Teste de Associa��o Livre de Palavras (TALP) com o termo indutor �cair�; e (3) fatores indicativos de fragilidade e risco de quedas(31). Por fim, dos 15 artigos selecionados, apenas um forneceu dados consistentes sobre a incid�ncia de quedas entre os participantes, atrav�s da Escala de Quedas de Morse. �
Figura 4 - Descri��o das caracter�sticas dos estudos quanto aos instrumentos e estimativas utilizados para avalia��o do medo de cair e da qualidade de vida (n=15). Jo�o Pessoa, PB, Brasil, 2023.
Autoria / Ano de publica��o |
Instrumento para medo de cair / Estimativa |
Instrumento para QV / Estimativa |
Medo de cair x QV |
Cumming et al. (2000)(17) |
FES-I / A pontua��o m�dia da FES foi estat�stica e significativamente menor para as pessoas que disseram ter medo de cair (78,0 vs 89,4, com p = 0,001). |
SF-36 / Os escores nas subescalas Fun��o F�sica e Dor Corporal tenderam a diminuir mais entre as pessoas com alto medo de cair (FES mais baixos). |
Os escores do SF-36 (particularmente os escores nas subescalas Fun��o F�sica e Dor Corporal) tenderam a diminuir mais entre as pessoas com os escores FES iniciais mais altos (p<-0,160 e -0,169) |
Li et al. (2003)(18) |
SAFFE / 38% dos entrevistados afirmaram possuir medo de cair. Idosos caidores tiveram um escore m�dio SAFFE significativamente maior (M = 1,61) em compara��o com os n�o caidores (M = 1,32). |
SF-12 / M�dia de pontos entre idosos com baixo medo de cair foi de 60,38�20,52 (melhor QV no dom�nio sa�de mental); menores pontua��es no dom�nio f�sico para idosos com medo de cair (42,68�17,58). |
Idosos com altos n�veis de medo de cair s�o mais propensos a ter problemas de capacidade funcional e baixa qualidade de vida, principalmente para os dom�nios f�sico (p<0,001) e mental (p<0,003). |
Kato et al. (2008)(19) |
FES-I / M�dia de 45 pontos entre os participantes. |
SF-8 (vers�o curta do SF-36, adaptada para a sociedade japonesa) / M�dia de 48,2 pontos para o dom�nio �sa�de mental�. |
�Associa��o negativa significativa entre os dom�nios f�sicos da QV e o medo de cair (rho=-0,53), principalmente entre o resumo do componente f�sico. |
Davis, Marra, Liu-Ambrose (2011)(20) |
Activities-Specific Balance Confidence Scale. |
EQ-5D |
Rela��o significativa e positiva entre a Escala de confian�a de equil�brio de atividades espec�ficas e a QVRS (p<0,001), assim como entre a PPA e a QVRS. A autoefic�cia relacionada a quedas contribuiu independentemente para o componente f�sico e mental da QVRS. |
Rachadel et al. (2015)(21) |
FES � I / M�dia de 30�10,5 idosos n�o institucionalizados ativos (grupo de maior pontua��o). |
SF-36 / M�dia de 78�19,6 pontos no dom�nio �capacidade funcional� para o grupo idosos n�o institucionalizados ativos (grupo de maior pontua��o). |
Idosos institucionalizados apresentam maior preocupa��o com quedas, menor capacidade funcional e menor frequ�ncia de queixas dolorosas, quando comparados a idosos residentes em comunidade. |
Yodmai et al. (2015)(22) |
FES � I / M�dia do escore foi 26,97 � 4,31 pontos, revelando medo moderado de cair. Os participantes revelaram possuir alto medo de cair quando fazem uso de transporte p�blico (9,87 � 2,19). |
WHOQOL-OLD / Dois ter�os dos entrevistados relataram qualidade de vida (QV) moderada. |
QV dos idosos est� relacionada com a seguran�a do agregado familiar e a confian�a para utilizar o transporte p�blico |
�inarli, Ko� (2017)(23) |
Escala de Quedas de Morse e FES-I / Alta preval�ncia de quedas (48,3%), assim como o medo de cair (63,6%). |
Perfil de Sa�de de Nottingham (NHP) / QV foi considerada baixa entre os idosos com medo de cair e capacidade funcional reduzida. |
�O risco de queda foi e positivamente relacionado com as pontua��es do NHP ( r = 0,45 , p < .001) |
Bjerk et al. (2018)(24) |
FES � I / pontua��o m�dia obtida entre os participantes foi de 30,7�9,8 |
SF-36 / QVRS, medida pelo SF-36, apresenta uma pontua��o resumida melhor nos componentes mentais (49,4�10,3) do que nos componentes f�sicos (38,3�9,0). |
Uma pontua��o mais alta na FES-I, indicando maior medo de cair, foi significativamente associada a uma pontua��o mais baixa em quase todas as subescalas do SF-36, indicando QVRS reduzida. |
Bastami, Azadi (2020)(25) |
FES - I / 38% dos participantes relataram alto n�vel de medo de cair. Pontua��o pr�-teste: 65,50�11,00; Pontua��o p�s-teste: 48,40�9,08, com p<0,001. |
SF-36 / Pontua��o total em pr�-teste: 35,46�15,33; pontua��o total em p�s-teste: 61,28�14,77, com p<0,001. |
Pr�-teste com �ndices de QV antes da interven��o. Observou-se� melhora significativa na QV dos idosos ap�s a interven��o entre os idosos com medo de cair. |
Gottschalk et al (2020)(26) |
Short FES-I, em vers�o alem� /66% da amostra alcan�ou mais de 28 pontos, demonstrando moderado medo de cair. |
QVRS (EQ-5D, EQ-5D index e EQVAS) / M�dias: EQ-5D index foi de 0,84; EQ-VAS foi de 70,91. A idade mais avan�ada foi associada a melhor QVRS avaliada pelo EQ-5D. |
Associa��o negativa significativa entre medo de cair e o EQ-5D index (β = − 0,02, p < 0,001). |
Moraes et al. (2020)(27) |
FES-I-Brasil / 23,76�6,16 pontos para o grupo participante.
|
WHOQOL-bref� / Dom�nio psicol�gico apresentou maior pontua��o: 74,90�11,02 pontos; WHOQOL-old / Faceta �Funcionamento dos sentidos� foi a de maior destaque, com 74,90�11,02 pontos. |
Para idosos com medo de cair, os dom�nios de maior repercuss�o de QV foram o psicol�gico e o f�sico (p<0,005) |
Nguyen et al. (2020)(28) |
�nica pergunta fechada: �Voc� tem medo de cair?�, com uma resposta �Sim/N�o� / 88,2% relataram medo de cair. Taxa de idosos com medo de cair foi notavelmente menor entre os fisicamente ativos (85,3%) e que receberam uma diretriz de preven��o de quedas anteriormente (83,2%). |
QVRS EQ-5D Levels (EQ-5D-5L), al�m do EQ-Visual Analogue Scale (EQ-VAS) |
Observou-se um grande efeito do FOF na diminui��o do �ndice EQ-5D. A m�dia do �ndice EQ-5D e EQ-VAS no grupo de idosos com medo de cair foi de 0,34�0,38 e 61,6�15,2, respectivamente. Foram significativamente menores do que os grupos sem medo de cair (�ndice EQ-5D = 0,56�0,22 e EQ-VAS = 66,9�13,8), com p<0,05. |
Akosile et al. (2021)(29) |
FES � I / A preval�ncia de medo de cair entre os idosos institucionalizados e os residentes na comunidade foi de 100% e 1,6%, respectivamente. |
SF-36 / Os escores totais de QV para os idosos institucionalizados e da comunidade foram 44,21�11,41 (ruim) e 75,05�11,81 (bom), respectivamente. |
�Rela��o significativa e positiva entre medo de cair e QV entre os idosos institucionalizados e o residentes em comunidade (r=0,534 e r=0,556, respectivamente, com p<0,005). |
Kantow et al. (2021)(30) |
Question�rio sobre Consci�ncia dos riscos de queda entre idosos / 71,6%� apresentaram n�vel moderado de consci�ncia dos riscos de quedas. |
WHOQOL-OLD, em vers�o tailandesa / 68,6% apresentaram n�vel moderado de qualidade de vida; apenas 6,5% tinham alta qualidade de vida. |
Correla��o positiva baixa entre percep��o de quedas e qualidade de vida, com coeficiente padronizado de 0,36 (p<0,001). |
Silva et al. (2021)(31) |
TALP com termo indutor �Cair�. |
SF-36 / Dom�nio f�sico foi classificado como ruim por 48% dos participantes; dom�nio social, como muito boa por 38% da amostra; 45% consideraram o dom�nio emocional como excelente. |
Comprometimento da qualidade de vida nos aspectos f�sico, emocional e de capacidade funcional para idosos com medo de cair. |
FES-I: Falls Efficacy Scale International; QVRS: Qualidade de Vida Relacionada � Sa�de; EQ-5D: EuroQol-5Dimens�es; EQ-VAS: EuroQol-Estado de Sa�de Atual; SF-36: Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey; SF-12: Medical Outcomes Study 12-item Short-Form Health Survey; SF-8: Medical Outcomes Study 8-item Short-Form Health Survey; SAFFE: Survey of Activities and Fear of Falling in the Elderly
.
Verificou-se uma importante varia��o entre os instrumentos padronizados para avaliar a qualidade de vida entre os participantes, de modo que o SF-36 e suas respectivas tradu��es foi o mais citado entre as publica��es analisadas(17,21,23-24,29,31). Outros instrumentos tamb�m foram aplicados a fim de estabelecer a percep��o da qualidade de vida entre idosos com e sem medo de cair: WHOQOL-BREF(27), WHOQOL-OLD(22,27,30), Nottingham Health Profile (NHP)(23), SF-12(18), SF-8(19) e EQ-5D(20,26,28).
Constatou-se que idosos ativos sem hist�rico de quedas recentes e que residiam na comunidade apresentavam menor preval�ncia de medo de cair(17,19,23-24,29), com pontua��es m�dias mais baixas entre os escores da FES (inferior a 23 pontos). A maior consci�ncia para os riscos de quedas(30) e a pr�tica regular de atividade f�sica(21) tamb�m favorece menores �ndices de medo de cair entre a popula��o idosa.
Ao associar o medo de cair e a qualidade de vida, observou-se que pessoas idosas com baixas pontua��es na FES avaliaram melhor sua qualidade de vida(17-19,22,25-27,29). Estudos demonstraram forte rela��o entre alto medo de cair e baixa pontua��o entre os dom�nios relacionados �s fun��es f�sicas(19,22-25,27,31) e dor corporal(18), avaliados pelo SF-36(17,21-23,25-26,29), SF-12(18) e SF-8(19), de forma mais intensa entre os idosos institucionalizados(21,29).
Pontua��es elevadas nos dom�nios referentes � sa�de mental indicaram uma melhor percep��o na qualidade de vida(17-20), principalmente entre os participantes que relataram n�o possuir medo de cair. Um dos estudos(31) demonstrou uma moderada rela��o entre um alto escore do dom�nio do funcionamento do papel social e o baixo medo de cair.
Em geral, os resultados apresentados pelos estudos analisados demonstraram uma forte associa��o entre n�veis mais baixos de medo de cair e uma melhor qualidade de vida percebida diante de pessoas idosas fisicamente mais ativas, funcionalmente independentes, inseridas no contexto social e com rela��es sociais est�veis.
Por fim, considerando as an�lises de regress�o multifatorial realizadas pela maior parte dos estudos selecionados(17-18,20,23,25-31), � poss�vel inferir que o medo de cair seja considerado um preditor independente da qualidade de vida entre pessoas idosas.
DISCUSS�O
Sabe-se que as quedas e suas associa��es s�o importantes demandas de sa�de relacionadas ao envelhecimento individual e populacional, tanto nos pa�ses desenvolvidos(17-20,24,26) quanto nos que se encontram em desenvolvimento(21-23,27-31).
Nos desenhos de pesquisa analisados, houve predom�nio de estudos descritivos e transversais(18-22,25,27-28,30-31), com n�vel de evid�ncia 6, sendo considerados fracos. Apenas dois estudos foram considerados evid�ncias fortes, por se tratarem de estudo quase-experimental(25) e ensaio cl�nico randomizado(24). Isso demonstra que pesquisas de delineamento experimental ainda s�o restritos na gerontologia.
Observou-se que o crescimento de pesquisas envolvendo as repercuss�es psicol�gicas das quedas e suas associa��es com a qualidade de vida foi mais intenso nos �ltimos cinco anos(23-24,26-31), potencializados por um per�odo pand�mico, no qual as quest�es referentes ao bem-estar subjetivo tornaram-se importantes e necess�rias para a elabora��o de pol�ticas e interven��es mais direcionadas � globalidade exigida pelo envelhecimento(32-33).
Os resultados desta revis�o demonstraram uma forte correla��o entre melhor qualidade de vida percebida e n�veis mais baixos de medo de cair, tanto em idosos com hist�rico de quedas recentes quanto em idosos que ainda n�o vivenciaram tais acidentes. Tais achados corroboram com o Relat�rio Global da Organiza��o Mundial de Sa�de sobre Preven��o de Quedas na Velhice(34), que apontam o aumento do risco de quedas � medida que o medo de cair se estabelece entre idosos que j� ca�ram, colaborando para o desenvolvimento de decl�nios biopsicossociais que restringem as atividades e a participa��o social.
Vale ressaltar que o medo � uma emo��o humana b�sica, de car�ter evolutivo e protecionista por fornecer ao ser humano o sentido de preserva��o da vida, ao longo de sua evolu��o(34). Nesse contexto, o conceito de medo de cair de alturas inferiores a 3 metros atrela-se aos constantes desafios para a manuten��o do controle postural impostos pelo envelhecimento, ocasionando o cont�nuo e progressivo afastamento das atividades cotidianas e sociais, evidenciando um ciclo desadaptativo e declinante para as fun��es f�sicas, cognitivas e sociais(19-20,24,29).
Vale destacar que fun��es como equil�brio e marcha se mostram interligadas aos componentes f�sicos e sociais referentes � qualidade de vida e ao medo de cair. Diante dos achados, as medidas de avalia��o e interven��o diante de evid�ncias do comprometimento da qualidade de vida em virtude das quedas e do medo de cair devem envolver est�mulos para otimiza��o do equil�brio e manuten��o/recupera��o de um padr�o de marcha mais funcional(24).
As evid�ncias levantadas apresentam o SF-36(17,21,24-25,29,31) e a FES(17,19,21-22,24-27,29) como instrumentos mais utilizados para a caracteriza��o da qualidade de vida e do medo de cair entre pessoas idosas, respectivamente. O SF-36 � um instrumento composto por 36 itens, divididos entre oito dom�nios, duas dimens�es compostas (sa�de f�sica e sa�de mental) e uma pontua��o total. Os dom�nios englobam funcionamento f�sico, limita��o do papel devido � sa�de f�sica, dor corporal, percep��o geral de sa�de, vitalidade, funcionamento social, limita��o do papel devido a problemas emocionais e sa�de mental. Os escores de dom�nio, dimens�o e total variam de 0 a 100, de forma que quanto mais alta for a pontua��o obtida melhor qualidade de vida relacionada � sa�de.
A investiga��o da qualidade de vida deve mostrar como os indiv�duos experimentam as manifesta��es de uma doen�a ou de um agravo, de forma a valorizar os aspectos da vida que se relacionam ao contexto da sa�de, identificando as reais necessidades de sa�de para que experimentos cl�nicos controlados e pr�ticas cl�nicas possam ser mais bem direcionadas(35).
Por sua vez, a FES-I e suas varia��es s�o amplamente utilizadas em estudos que envolveram diversos pa�ses e culturas, tais como Brasil(21,27,31),� Turquia(23), Noruega(17), Ir�(25), Estados Unidos(18), entre outros. Os autores delineiam que essa escala, fundamentada pela Teoria Cognitiva Social, possui excelentes propriedades psicom�tricas (consist�ncia interna de 96%, confiabilidade de teste e reteste de 0,94) e deve ser utilizada para avaliar a confian�a de uma pessoa idosa em realizar 16 tarefas cotidianas sem cair(21,25,29). Para a vers�o brasileira, a pontua��o dessa escala pode variar entre 16 e 64 pontos, tendo como ponto de corte em 23 pontos; valores menores correspondem a uma menor preocupa��o em cair(21).
Como a FES-I pode mensurar tanto a autoefic�cia de queda quanto o medo de cair, verifica-se que h� uma confus�o entre as defini��es desses dois constructos, que s�o distintos entre si, mas que est�o relacionados � problem�tica das quedas entre idosos(17,23-24,29).
Apesar do medo de cair ser um constructo psicol�gico, verificou-se que as correla��es mais altas com a qualidade de vida envolveram componentes f�sicos, tais como funcionamento f�sico e dor corporal, fun��o e mobilidade f�sica(17,19,21,23,27,31). Essa rela��o se deve, em parte, � restri��o das atividades e da participa��o social decorrentes do medo de cair, que impulsionam pior percep��o, verificado principalmente em estudos que compararam essas vari�veis entre idosos institucionalizados e aqueles inseridos na comunidade(21,29).
CONCLUS�O
Os achados apresentados apontam que o conhecimento cient�fico produzido sobre medo de cair e qualidade de vida em pessoas idosas mostra independ�ncia entre os eventos pregressos de acidentes por quedas, sejam estes recentes ou n�o. Nesse sentido, o medo de cair encontra-se mais relacionado aos aspectos gerais que envolvem as condi��es de sa�de f�sica e mental da popula��o que envelhece, interferindo negativamente sobre a autonomia e a qualidade de vida. Ademais, percebe-se que medidas de avalia��o e interven��o direcionadas � qualidade de vida e ao medo de cair precisam relacionar as habilidades motoras com as atividades cotidianas e a maior participa��o social.
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Fomento e Agradecimento:
A presente pesquisa n�o recebeu financiamento.
Agradecimentos aos membros do Laborat�rio de Sa�de, Envelhecimento e Sociedade (LASES) do Centro de Ci�ncias da Sa�de da Universidade Federal da Para�ba (UFPB).
Crit�rios de autoria (contribui��es dos autores)
1 Concep��o e planejamento do estudo
2 Obten��o, an�lise e interpreta��o dos dados
3 Obten��o, an�lise e interpreta��o dos dados
4 Obten��o, an�lise e interpreta��o dos dados
5 Obten��o, an�lise e interpreta��o dos dados
6 Concep��o e planejamento do estudo
7Reda��o e revis�o cr�tica e aprova��o final da vers�o publicada
Declara��o de conflito de interesses
Nada a declarar.
Editor cient�fico: Francisco Mayron Morais Soares. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7316-2519
Editor cient�fico: �talo Ar�o Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-144