ARTIGO ORIGINAL
CURATIVO REGENERATIVO DE CELULOSE BACTERIANA PARA LESÕES POR RESSECÇÃO TUMORAL
BACTERIAL CELLULOSE REGENERATIVE DRESSING FOR TUMOR RESECTION WOUNDS
VENDAJE REGENERATIVO DE CELULOSA BACTERIANA PARA LESIONES POR RESECCIÓN TUMORAL
https://doi.org/10.31011/reaid-2025-v.99-n.1-art.2397
1Kelly Monteiro dos Santos
2Layla Carvalho Mahnke
3Murielly Maximo Arcoverde
4José Lamartine de Andrade Aguiar
5Flávia Cristina Morone Pinto
1Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8436-102X
2Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8758-0877
3Universidade de Pernambuco, Nazaré da Mata, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-9020-2166
4Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1206-5368
5POLISA Biopolimeros para a Saúde Ltda, Carpina, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9196-7687
Autor Correspondente
Kelly Monteiro dos Santos
Endereço: Rua Dona Benvinda de Farias, 562, Recife, Pernambuco, Brasil. CEP: 51020140. E-mail: kellymonteiro.ufpe@gmail.com Telefone: +55 (81) 99778-2546
Submissão: 30-09-2024
Aprovado: 29-01-2025
RESUMO
Introdução: O manejo das feridas continua sendo um desafio na área da saúde, embora, exista uma variedade de materiais disponíveis no mercado, os curativos precisam ser trocados regularmente, promovendo desbridamento e dor durante sua remoção. Cirurgias para ressecção de tumores de pele do tipo não melanoma frequentemente resultam em feridas complexas e extensa, que exigem tratamento com curativos adequados, preferencialmente de baixo custo e que possibilitem uma cicatrização eficiente. Curativos compostos de biomateriais como celulose bacteriana (CB) vem sendo utilizado para esta finalidade por ser um material atóxico, biocompatível, flexível, de aderência natural e transparente, o que permite acompanhar o processo cicatricial sem sua remoção. Objetivo: Este estudo foi desenvolvido para avaliar a resposta de feridas cirúrgicas decorrentes de ressecção tumoral ao tratamento utilizando o PolyTissue®, curativo de CB obtido através da conversão biotecnológica do melaço de cana-de-açúcar. Metodologia: Trata-se de um estudo prospectivo a partir de uma série de casos, incluindo 14 pacientes adultos (15 lesões). A avaliação das feridas foi realizada através da metodologia MEASURE incluindo também discussões clínicas entre profissionais da área (triangulação). Foram realizados registros das feridas usando o aplicativo digital imitoMeasure® e as análises estatísticas foram conduzidas pelo software SPSS. Resultados: Os participantes (14) tinham idade média de 64,4±8,2 anos, sendo a maioria homens (78,6%). A localização predominante das lesões avaliadas (15) foi no membro inferior direito (40,0%, p=0,047). Observou-se redução das medidas de área, circunferência, largura e comprimento das lesões na última avaliação clínica (p<0,05) e ausência de exsudato em 13 das 15 lesões avaliadas (86,7%). O tempo médio de cicatrização foi 68 dias. Nenhum participante referiu dor durante o estudo. Conclusão: Conclui-se que, o curativo de CB (PolyTissue®) pode auxiliar na cicatrização de feridas decorrentes de ressecção tumoral de câncer de pele do tipo não melanoma e proporciona conforto aos pacientes, além de ser de baixo custo.
Palavras-chave: Celulose Bacteriana; Biopolímero; Cana-de-Açúcar; Câncer; Cicatrização; Ferida Cirúrgica.
ABSTRACT
Introduction: Wound management remains a challenge in the healthcare field. Although there are a variety of materials available on the market, dressings need to be changed regularly, promoting debridement and pain during removal. Surgeries for resection of non-melanoma skin tumors often result in complex and extensive wounds, which require treatment with appropriate dressings, preferably low-cost and that allow efficient healing. Dressings composed of biomaterials such as bacterial cellulose (BC) have been used for this purpose because they are non-toxic, biocompatible, flexible, naturally adherent and transparent materials, which allows the healing process to be monitored without removing them. Objective: This study was developed to evaluate the response of surgical wounds resulting from tumor resection to treatment using PolyTissue®, a BC dressing obtained through the biotechnological conversion of sugarcane molasses. Methodology: This was a prospective study based on a case series involving 14 adult patients (15 lesions). Wound evaluation was performed using the MEASURE methodology, along with clinical discussions among healthcare professionals (triangulation). Wounds were recorded using the digital app imitoMeasure®, and statistical analyses were conducted using SPSS software. Results: The participants (14) had a mean age of 64.4±8.2 years, with the majority being male (78.6%). The predominant location of the evaluated lesions (15) was the lower right limb (40.0%, p=0.047). A reduction in the measurements of area, circumference, width, and length of the lesions was observed in the final clinical evaluation (p<0.05), along with the absence of exudate in 13 of the 15 evaluated lesions (86.7%). The average healing time was 68 days. No participant reported pain during the study. Conclusion: The BC dressing (PolyTissue®) can aid in the healing of wounds resulting from the resection of non-melanoma skin cancer tumors and provides comfort to patients, in addition to being low-cost.
Keywords: Bacterial Cellulose; Biopolymer; Sugarcane; Cancer; Healing; Surgical Wound.
RESUMEN
Introducción: El manejo de heridas sigue siendo un desafío en el campo de la salud, aunque hay una variedad de materiales disponibles en el mercado, los apósitos deben cambiarse periódicamente, lo que promueve el desbridamiento y el dolor durante su extracción. Las cirugías de resecado de tumores cutáneos no melanomas suelen dar lugar a heridas complejas y extensas, que requieren tratamiento con apósitos adecuados, preferiblemente de bajo coste y que permitan una cicatrización eficiente. Para este fin se han utilizado apósitos compuestos por biomateriales como la celulosa bacteriana (CB) por ser materiales atóxicos, biocompatibles, flexibles, naturalmente adherentes y transparentes, lo que permite monitorear el proceso de cicatrización sin necesidad de retirarlos. Objetivo: Este estudio fue desarrollado para evaluar la respuesta de las heridas quirúrgicas resultantes de la resección tumoral al tratamiento con PolyTissue®, un apósito de CB obtenido a través de la conversión biotecnológica de melaza de caña de azúcar. Metodología: Se trata de un estudio prospectivo basado en una serie de casos que incluyó a 14 pacientes adultos (15 lesiones). La evaluación de las heridas se realizó mediante la metodología MEASURE, que también incluyó discusiones clínicas entre profesionales de la salud (triangulación). Se registraron las heridas utilizando la aplicación digital imitoMeasure® y los análisis estadísticos se realizaron con el software SPSS. Resultados: Los participantes (14) tenían una edad media de 64,4±8,2 años, siendo la mayoría hombres (78,6%). La localización predominante de las lesiones evaluadas (15) fue en el miembro inferior derecho (40,0%, p=0,047). Se observó una reducción en las medidas de área, circunferencia, ancho y largo de las lesiones en la última evaluación clínica (p<0,05), y la ausencia de exudado en 13 de las 15 lesiones evaluadas (86,7%). El tiempo promedio de cicatrización fue de 68 días. Ningún participante informó dolor durante el estudio. Conclusión: Se concluye que el vendaje de CB(PolyTissue®) puede ayudar en la cicatrización de heridas resultantes de la resección de tumores de cáncer de piel no melanoma, proporcionando comodidad a los pacientes, además de ser de bajo costo.
Palabras clave: Celulosa Bacteriana; Biopolímeros; Caña de Azúcar; Cáncer, Cicatrización de Heridas; Herida Quirúrgica.
INTRODUÇÃO
O processo de cicatrização de feridas envolve uma série de fatores, desde tempo, risco de infecção, remodelação tecidual e gerenciamento da dor, que representam um desafio para os profissionais de saúde (1). Por isso, a busca por novos tratamentos mais eficazes que previnem infecções, além de auxiliar no processo de cicatrização, tem aumentado nos últimos anos (2).
Desafio ainda maior quando se trata de feridas cirúrgicas decorrentes de ressecção tumoral que geralmente tem o processo de cicatrização demorado pois existe perda de tecido e elevado risco de infecções e deiscência (3,4).
Estas feridas necessitam de curativos inteligentes com capacidade de induzir e/ou conduzir a remodelação tecidual, estimulando a granulação, diminuindo a quantidade de exsudato e que promova conforto ao paciente (5). A demora na cicatrização pode ainda trazer danos psicológicos ao paciente, distúrbio de alto imagem, além de prejuízos sociais e econômicos (6).
Atualmente existe grande variedade de materiais disponíveis no mercado, coberturas denominadas curativos especiais, para acelerar a cicatrização de feridas, reduzir as trocas e diminuir a dor gerada pelo processo de renovação do curativo (7), porém são de elevado custo, e por isso não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde ou são de difícil aquisição por parte de alguns pacientes (8).
Os curativos para feridas são desenvolvidos principalmente a partir de polímeros naturais ou sintéticos. Os polímeros sintéticos incluem polivinilpirrolidona (PVP), poli (óxido de etilento) (PEO), polietilenoglicol (PEG), entre outros. Porém alguns materiais usados têm limitações como reduzido efeito antimicrobiano, baixo desempenho mecânico e incapacidade de fornecer umidade adequada para acelerar o processo de cicatrização de feridas (9).
Os polímeros naturais que são comumente utilizados incluem quitosana, celulose, fibrina, elastina, ácido hialurônico, dextrana, alginato, colágeno e gelatina (10). Esses polímeros possuem propriedades adequadas para o manejo de feridas, como alta biocompatibilidade, baixa toxicidade, biodegradabilidade, disponibilidade imediata e baixa imunogenicidade. São geralmente chamados de biopolímeros. Eles tendem a interagir de forma mais harmoniosa com os tecidos e células, reduzindo a probabilidade de rejeição, inflamação ou outras respostas adversas do organismo, e são facilmente degradados por processos biológicos naturais, o que significa que, após seu uso, eles se decompõem em componentes biologicamente inertes (11, 12).
Os biopolímeros naturais são obtidos a partir de fontes renováveis, como plantas, algas, animais e microorganismos, contribuindo para reduzir a dependência de recursos finitos e minimiza o impacto ambiental associado à extração e processamento de matérias-primas não renováveis (12, 13). Geralmente são coletados como subprodutos residuais em escala de produção, onde provavelmente seriam descartados, resultando em uma boa relação custo-benefício (12, 14).
Os curativos produzidos a partir do biopolímero Celulose Bacteriana (CB) obtido por síntese biotecnológica utilizando o melaço da cana-de-açúcar (12). Esse produto é atóxico, biocompatível e tem as características de ser transparente, flexível e de boa aderência ao leito da ferida (12, 13). Por ser transparente é possível observar a evolução da cicatrização sem a necessidade de sua remoção. O curativo adere naturalmente ao leito da ferida (autoaderente) e desprende-se gradualmente à medida que o tecido cicatriza. O curativo utilizado neste estudo, o PolyTissue® produzido pela POLISA®, já foi testado em protocolos de pesquisas experimental e está sendo utilizado em diferentes protocolos clínicos na área da saúde, com resultados satisfatórios para o tratamento de feridas cirúrgicas, traumáticas, crônicas (úlceras venosas) e decorrentes de queimaduras (14-29).
A CB atende as recomendações da Administração Federal de Alimentação e Medicamentos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration - FDA), a agência norte-americana que regula drogas e alimentos, o qual define que um biomaterial para ser utilizado na área da saúde deve ser biocompatível e não ser tóxico, carcinogênico, antigênico nem mutagênico, não deve interferir com a cicatrização dos tecidos lesados (30,31). Além disso, deve ser fabricado em escala, possa ser esterilizado, estável durante a implantação, não seja corrosivo, nem degradável (32-34). Também está em conformidade com as regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) enquadrando-se na classe I (RDC 185/2001) (35), Regra 4, que se refere a todos produtos médicos não-invasivos que entrem em contato com a pele lesada são destinados a ser usados como barreira mecânica, para compressão ou para absorção de exsudados.
MÉTODOS
Delineamento do Estudo
Trata-se de um estudo prospectivo incluindo uma série de casos realizado durante o período de março de 2021 a abril de 2022, com pacientes encaminhados pelo Ambulatório de Cirurgia Oncológica do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), ambulatório de Estomaterapia para acompanhamento da ferida cirúrgica com cicatrização por 2ª intenção.
Critério de Elegibilidade
Todos os pacientes que participaram do estudo possuíam faixa etária ≥ 18 anos de ambos os sexos, com diagnóstico de câncer confirmado por histopatológico, apresentando feridas cirúrgicas resultantes de ressecção tumoral e sem sinais de infecção. Os pacientes que apresentavam qualquer sinal de hipersensibilidade aos componentes do curativo, feridas infectadas ou cavitárias, gestantes ou em período de puerpério não foram incluídos no estudo.
Casuística e Coleta de Dados
Realizaram-se consultas individuais em ambiente privativo, climatizado e livre de ruídos explicando aos pacientes sobre o estudo, riscos e benefícios. Após ouvirem atentamente as orientações e não haver dúvidas foi aplicado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em consonância com a resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, com a Declaração de Helsinque e com o Código de Nurenberg para experimentação humana. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco – Centro de Ciências da Saúde com o CAAE de nº: 23402513.9.0000.5208 e do Hospital de Câncer de Pernambuco com o CAAE de nº: 23402513.9.3002.5205.
Um total de vinte e três pacientes foram convidados a participar do estudo, destes, oito foram excluídos por não atender os critérios de elegibilidade citados anteriormente (35%) (vide metodologia: critério de elegibilidade) ou recusaram participar do estudo, logo, a amostra estudada foi composta de quatorze participantes e quinze lesões.
Todos os participantes foram acompanhados no Ambulatório de Estomaterapia do HCP em visitas semanais nas duas primeiras semanas para verificação da adesão do participante ao estudo e para avaliação da ferida frente ao tratamento proposto com curativo de CB. Após este período o acompanhamento tornou-se quinzenal por no máximo 120 dias (D120). A avaliação clínica, incluindo a substituição e ajuste da prescrição da cobertura primária (curativo de CB) conforme necessário, foi conduzida do primeiro mês (D0), após trinta dias (D30), sessenta dias (D60), noventa dias (D90) e/ou no máximo 120 dias (D120), com janela de ± 3 dias.
Curativos de Celulose Bacteriana (CB)
Os curativos de CB (PolyTissue®), foram produzidos e fornecidos pela Polisa® Biopolímeros para Saúde Ltda, uma empresa de pesquisa, desenvolvimento, inovação tecnológica, produção e comercialização de biopolímeros de cana-de-açúcar (start-up incubada pela Incubatec na Universidade Federal Rural de Pernambuco). A CB para os curativos é obtida por via biotecnológica a partir do melaço da cana-de-açúcar diluído em água sem nenhum aditivo (12). A CB obtida é tratada e purificada resultando em um produto puro, cristalino constituído por micro e nano fibrilas de celulose entrelaçadas entre si, com textura fina e estrutura uniforme (12). O filme de CB, possui propriedades viscoelásticas e permanece estável em embalagens BagClean® ou grau cirúrgico® armazenado a temperaturas de 8-35°C (12). CB é um produto puríssimo, não induz resposta imunológica, é biocompatível e atóxico, com ampla gama de aplicações clínicas (10,12,30,36,37).
Figura 1 - Apresentações do curativo de CB. Filme liso (A); Filme perfurado (B); Esponja (C); Hidrogel na seringa e Filme perfurado (D).
Fonte: Imagens cedida pela empresa POLISA Biopolímeros para a saúde LTDA.
O curativo utilizado, PolyTissue® (Figura 1) atua como barreira mecânica, protegendo a ferida e a pele periférica e facilita o processo de cicatrização (12,14,32,38). As características físico-químicas do produto permitem manter a umidade natural dos tecidos promovendo a regeneração tecidual, epitelização, e diminuição do tempo de cicatrização (12,23,31). O PolyTissue® foram utilizados em tamanhos variados (5,0 X 5,0 cm; 6,0 X 7,0 cm; 10 X 16 cm) e, quando necessário, foram recortados para uma adaptação mais precisa às feridas.
Procedimentos Técnicos
Todos os participantes incluídos foram submetidos à higienização da ferida com soro fisiológico 0,9%, seguido de leve aplicação de gaze estéril para reduzir a umidade. Em seguida realizou-se a avaliação da ferida e a aplicação direta do PolyTissue®, curativo primário umedecido com solução salina para facilitar o manuseio, aumentar a flexibilidade e melhor acomodação nas irregularidades da ferida. Os curativos foram finalizados com gaze e enfaixados com ataduras. PolyTissue® tende a se desprender naturalmente do local da lesão após a cicatrização, que geralmente ocorre em menos de 30 dias. Nas feridas que o tempo de cicatrização ultrapassou 30 dias, os curativos foram removidos pelo pesquisador para avaliação detalhada da ferida e respeitar o período de 30 dias de permanência preconizado no protocolo.
Os participantes foram orientados a remover apenas o curativo secundário, ao realizar sua higiene pessoal durante o banho e higienizar o curativo primário de CB, retirando o excesso de umidade com gaze estéril e recobri a lesão com novo curativo secundário.
Análise dos Dados
A avaliação da ferida foi realizada através da metodologia MEASURE (39), de discussões clínicas entre uma enfermeira oncologista e uma enfermeira estomaterapeuta (triangulação). As imagens capturadas pelo aplicativo digital imitoMeasure® forneceu dimensões de circunferência, comprimento e largura em cm e a área das feridas em cm², e a partir de registros fotográficos digitais com câmera de telefone celular. Todas as lesões foram fotografadas com a mesma câmera do aparelho celular iPhone® 12 Pro Max a uma distância fixa.
O sistema MEASURE fornece uma visão geral dos princípios e práticas de avaliação de feridas crônicas. Esse sistema inclui a avaliação da ferida em relação à medida, largura, comprimento, profundidade, área, exsudato (quantidade e qualidade), dor, tipo de borda, descolamento (ausente ou presente) e a aparência da ferida, com a descrição da inspeção, tipo de tecido envolvido e coloração.
O aplicativo imitoMeasure® é um método digital aprovado pelo FDA e desenvolvido para profissionais de saúde calcularem as dimensões das feridas (comprimento, largura, área e circunferência) através de um mapa visual obtido a partir de registros fotográficos feitos por um telefone celular e que também permite o registro eletrônico (40). O aplicativo foi utilizado no modo imagem digital com calibragem manual.
Para garantir precisão nos dados, deve ser registrada uma fotografia da ferida com uma régua ao lado para servir de referência de tamanho, ou seja, calibragem, em seguida delimita-se, na imagem, as bordas da ferida e dessa forma as dimensões são calculadas (41). Neste estudo as feridas foram classificadas por tamanho. Considerou-se ferida pequena quando a área total da ferida foi ≤ 10 cm². Ferida média, área entre >10 cm² e ≤ 50 cm² e grande com uma área superior a > 50 cm² (42).
As comparações entre variáveis categóricas foram realizadas pelo teste Chi-quadrado ou teste exato de Fisher (quando aplicável), enquanto os testes não paramétricos de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney foram utilizados para comparações entre as variáveis contínuas. Para os testes de variáveis contínuas com amostras pareadas foi utilizado o teste de Friedman usando o teste pairwise Wilcoxon Signed Ranks como análise post-hoc. Para os testes de variáveis categóricas com amostras pareadas foi utilizado o teste de homogeneidade marginal. Todos os valores de p foram ajustados para os dois lados com nível de significância de 0,05. Quando necessário, a correção de Bonferroni foi aplicada para correção das comparações de múltiplas hipóteses. Quando necessário, foi considerado o odds ratio (OR) e intervalo de confiança de 95% (IC 95%). As análises foram realizadas utilizando o software SPSS (Statistical Package for Social Sciences) Statistics 19.0 (IBM corporation).
As características sóciodemográficas, clínicas e oncológicas dos pacientes foram detalhadas de forma descritiva.
RESULTADOS
Dados Sociodemográficos
Entre os quatorze participantes avaliados, a idade média foi de 64,4±8.2 anos, com predominância do gênero masculino (78,6%). Seis pacientes se declararam de cor parda (42,9%), nove eram casados (64,3%), nove residiam na região metropolitana (64,3%), seis possuíam escolaridade de ensino médio (42,9%) e sete eram aposentados (50,0%). Não foi observada diferença estatística entre as variáveis analisadas (p > 0,05).
Dados Oncológicos e Desfechos de Cicatrização
Os dados histológicos das lesões obtidos indicaram que a maioria dos pacientes tinham carcinoma de células escamosas (73%) e em proporções menores apresentaram carcinoma basocelular (13,3%), carcinoma epidermoide (6,7%) e carcinoma ductal infiltrante (6,7%). Ao analisar o tipo histológico das lesões com o desfecho da cicatrização, não foi observada diferença estatística (p > 0,05). Em relação a área do corpo acometida pelas lesões, um paciente possuía lesão na mama (6,7%), dois no membro superior direito (13,3%), quatro no membro superior esquerdo (26,7%), seis no membro inferior direito (40,0%) e dois no membro inferior esquerdo (13,3%).
Foi observada uma significância estatística associada ao desfecho da cicatrização e a área do corpo acometida (p > 0,047). Pacientes com lesões no membro superior esquerdo tiveram resultados de cicatrização menos favoráveis em comparação com aqueles com lesões no membro inferior direito. Embora a localização da lesão possa influenciar o processo cicatricial, a causalidade não pode ser determinada a partir desta análise, e outros fatores podem ter afetado os resultados.
Avaliação da Evolução das Lesões
Foi observada diferença estatisticamente significativa nas medidas de área, circunferência, comprimento e largura das lesões ao longo das três avaliações (p < 0,05) (Tabela 1). A análise post hoc com o teste de Wilcoxon signed-rank foi realizada com correção de Bonferroni aplicada, resultando em nível de significância estabelecido em p < 0,017. Reduções significativas nas medidas de área da lesão foram observadas entre a primeira e a segunda avaliações (p = 0,001), a segunda e a terceira avaliações (p = 0,017) e a primeira e a terceira avaliações (p = 0,012). Uma diminuição significativa semelhante foi observada na circunferência da lesão em todos os pontos de avaliação (p < 0,017). Para as medidas de comprimento da lesão houve redução significativa entre a primeira e a segunda avaliação (p = 0,005) e entre a primeira e terceira avaliação (p = 0,012). Por fim, os dados de largura da lesão também mostraram redução significativa entre a primeira e a segunda avaliação (p = 0,001) e entre a primeira e terceira avaliação (p = 0,012).
Tabela 1 - Avaliação das medidas das áreas remanescentes das lesões (áreas não cicatrizadas).
Avaliação / Medidas |
Primeira (1) |
Segunda (2) |
Terceira (3) |
P-valor1 |
P-valor2 |
P-valor3 |
P-valor4 |
Área (cm²), média Intervalo |
22,25 3,2 – 134,6 |
17,36 1,6 – 119,6 |
6,71 1,2 – 10,2 |
0,001 |
0,001 |
0,017 |
0,012 |
Circunferência (cm), média Intervalo |
13,4 3,40 – 43,8 |
13,4 5,11 – 40,5 |
9,75 4,5 – 12,7 |
0,001 |
0,011 |
0,017 |
0,012 |
Comprimento (cm), média Intervalo |
5,82 2,20 – 15,4 |
5,27 1,90 – 14,9 |
3,73 1,80 – 5,5 |
0,001 |
0,005 |
0,018 |
0,012 |
Largura (cm), média Intervalo |
3,80 1,70 – 12,10 |
3,17 1,02 – 11,40 |
2,40 0,90 – 3,20 |
0,002 |
0,001 |
0,050 |
0,012 |
1 Teste de Friedman. Comparação entre 1 vs 2 vs 3. 2 Teste de Wilcoxon Signed Ranks. Comparação entre 1 vs 2. 3 Teste de Wilcoxon Signed Ranks. Comparação entre 2 vs 3. 4 Teste de Wilcoxon Signed Ranks. Comparação entre 1 vs 3. |
Descrição do tempo de cicatrização das lesões
A Tabela 2 apresenta a área inicial de quinze lesões medidas na primeira e última avaliação, seguida pela área total cicatrizada em centímetros quadrados (cm²) e em porcentagem (%) no último dia de acompanhamento. Observa-se que o menor tempo de acompanhamento foi de 14 dias, com uma área inicial de 70,49 cm² e 27% de área cicatrizada ao final do acompanhamento. O maior tempo foi de 93 dias, com uma área inicial de 134,63 cm² e 100% da área cicatrizada, utilizando-se 2 e 3 curativos, respectivamente. A maioria das lesões foi classificada como pequena (8/15), seguida por média (5/15) e grande (2/15).
Tabela 2 - Área das lesões, tempo de acompanhamento, número de curativos utilizados e avaliações médias do tamanho da ferida.
Paciente |
Área inicial (cm2) |
Área Final (cm2) |
Área cicatrizada (cm2) |
Tempo de acompanhamento (dias) |
Curativos utilizados |
|
001 |
3,59 |
3,2 |
0,39 (11%) |
93 |
4 |
|
002 |
6,38 |
0 |
6,38 (100%) |
60 |
2 |
|
003 |
13,66 |
0 |
13,66 (100%) |
92 |
3 |
|
004 |
5,06 |
0 |
5,06 (100%) |
63 |
2 |
|
005a |
17,8 |
0 |
17,8 (100%) |
90 |
3 |
|
005b |
13,0 |
0 |
13,0 (100%) |
90 |
3 |
|
006 |
28,33 |
9,33 |
19,0 (67%) |
61 |
3 |
|
007 |
7,67 |
0 |
7,67 (100%) |
60 |
2 |
|
008 |
8,53 |
0 |
8,53 (100%) |
61 |
2 |
|
009 |
5,08 |
0 |
5,08 (100%) |
58 |
2 |
|
010 |
3,26 |
1,26 |
2,0 (61%) |
63 |
3 |
|
011 |
3,24 |
0 |
3,24 (100%) |
59 |
2 |
|
012 |
13,03 |
9,36 |
3,67 (28%) |
58 |
3 |
|
013 |
70,49 |
51,35 |
19,14 (27%) |
14 |
2 |
|
014 |
134,6 |
0 |
134,6 (100%) |
93 |
3 |
|
Média de tamanho das lesões |
Pequena (>10 cm²) |
5,35 |
0,56 |
4,79 (84%) |
64,63 |
2,38 |
Média (entre >10 e ≤ 50 cm²) |
17,16 |
3,74 |
13,43 (79%) |
78,20 |
3 |
|
Grande (> 50 cm²) |
102,5 |
25,68 |
76,89 (64%) |
53,50 |
2,50 |
Na Figura 2, observa-se os casos dos pacientes 14 e 09 respectivamente, onde se obteve um total de área cicatrizada de 100% utilizando o curativo PolyTissue®. Como observado na Figura 2A, o paciente 14 apresentou uma Ferida Operatória (FO) contendo uma quantidade média de exsudato, bordas não aderidas e um tecido pouco granular. Neste caso, o curativo PolyTissue® na apresentação esponjosa proporcionando maior conforto ao paciente, acompanhado por 90 dias até que se obteve a cicatrização completa da FO (Figura 2B).
É possível observar na Figura 2C, o paciente 09 apresentou uma FO úmida, com bordas regulares e aderida. Neste caso, foi utilizado o curativo PolyTissue® na apresentação microperfurado, fornecendo uma barreira mecânica entre a ferida e o meio externo, permitindo o acompanhamento do estágio cicatricial sem remover o curativo. Paciente foi acompanhado por 60 dias até que se obteve a cicatrização completa da FO (Figura 2D).
Figura 2 - Avaliação do aspecto da ferida (Pacientes 14 e 09 em 90 dias e 60 dias de acompanhamento respectivamente). A. D0, ferida úmida apresentando exsudato seropurulento em quantidade média, com bordas não aderidas ao leito da ferida, tecido de granulação pouco predominante, tecido esfacelo, tecido fibrótico, ferida tratada com CB na apresentação esponjosa. B. D90, ferida cicatrizada. C. D0, ferida úmida com bordas regulares e aderidas, com tecido de granulação, tecido de esfacelo, ferida tratada com CB na apresentação filme microperfurado. D. D60, ferida cicatrizada.
Fonte: Acervo pessoal do pesquisador.
Progressão Clínica das Lesões
As características morfológicas das lesões e os parâmetros de dor foram comparados segundo o MEASURE, considerando dois momentos específicos: a primeira (D0) e a última avaliação. Na primeira avaliação, 53,3% das feridas eram classificadas como pequenas. Entretanto, na última avaliação, essa proporção aumentou para 86,7%. Feridas médias foram encontradas em 33,3% dos casos iniciais e caiu para 6,7% na última. Quanto às feridas grandes, elas estavam presentes em 13,3% na primeira avaliação e em 6,7% na última. Uma significativa diferença estatística foi observada entre a evolução dos tamanhos das lesões nos dois momentos (p = 0,034).
Em relação ao conteúdo bacteriano, todas as feridas em ambos os momentos foram classificadas como limpas. As características do tecido mostraram que a presença de necrose foi identificada em 6,7% das feridas na primeira avaliação, enquanto não houve casos na última. A epitelização não foi observada em nenhum dos momentos. O esfacelo estava presente em 40% das feridas na primeira avaliação e em 6,7% na última. A granulação foi observada em 53,3% das feridas na primeira avaliação e em 93,3% na última, indicando uma maior tendência de granulação no momento final. A diferença em relação a característica do tecido, foi estatisticamente significante (p = 0,046).
Quanto à quantidade de exsudato, 53,3% das feridas na primeira avaliação não apresentavam exsudato, comparado a 86,7% na última avaliação. Quantidades pequenas de exsudato foram observadas em 26,7% das feridas na primeira avaliação e em 13,3% na última. Quantidade média de exsudato foi registrada em 20% das feridas na primeira avaliação, e não houve casos na última. Em relação a quantidade de exsudato também foi observada diferença estatística de acordo com a evolução das lesões (p = 0,046).
As características do exsudato mostraram que 26,7% das feridas na primeira avaliação tinham esudato seroso, mas não foi encontrado na última. O exsudato sanguinolento estava presente em 13,3% das feridas na primeira avaliação e em 6,7% na última. Na última avaliação, houve a presença de exsudato serosanguinolento em 6,7% dos casos. O exsudato seropurulento foi identificado em 6,7% das feridas na primeira avaliação, e não houve casos de exsudato purulento ou fibroso em nenhum dos momentos.
As características das bordas das feridas revelaram que 80% das feridas na primeira avaliação apresentavam bordas aderidas, enquanto essa característica estava presente em 100% das feridas na última avaliação. Bordas não aderidas foram encontradas em 6,7% das feridas na primeira avaliação, mas não houve casos na última. Não foram observadas bordas indistintas, maceradas, espessadas ou fibróticas em nenhum dos momentos, e a presença de hiperqueratina foi detectada em 13,3% das feridas na primeira avaliação, sendo ausente na última. Por fim, nenhum paciente referiu dor ao longo das avaliações.
DISCUSSÃO
Foram avaliados quatorze pacientes durante o estudo, no qual, observou-se a prevalência do sexo masculino (78,6%). Esse dado vai de encontro à estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para cada ano do triênio 2020/2022, que estima que sejam diagnosticados no Brasil 176.930 novos casos de câncer de pele basocelular e escamocelular, destes, 83.770 em homens e 93.160 em mulheres (43).
A idade média foi de 64,4 anos, sendo que 66% (10) com idade superior a 60 anos. Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os cânceres da pele do tipo não melanoma (CPNM) são tumores malignos de alta prevalência no Brasil, eles ocorrem principalmente em indivíduos acima dos 60 anos de idade, sendo responsáveis por aproximadamente 10% de todos os novos casos de câncer diagnosticados no país nesta faixa etária, atrás apenas dos cânceres de próstata, mama e gastrointestinal (44).
Quanto ao estado civil foi observado que 9 (64,3%) dos 14 participantes deste estudo eram casados e desses, cinco (55,6%) tiveram a cicatrização completa da lesão. Embora o estado civil casado possa estar associado a hábitos de vida mais saudáveis, como uma possível maior atenção à saúde e apoio social, a associação entre o estado civil e o câncer de pele não melanoma é menos clara (45). Acredita-se que o apoio emocional e social além da responsabilidade compartilhada tenha influência direta na procura por atendimento especializado de saúde, pois os parceiros podem encorajar um ao outro a fazer exames de rotina, ir à consulta médica e buscar tratamentos para problemas de saúde em andamento (46).
A maioria dos participantes (64.3%) residia na região metropolitana e destes, cinco (55,6%) tiveram a cicatrização completa da lesão. Residir na cidade do Recife e/ou região metropolitana parece ter contribuído para a continuidade do tratamento e assiduidade nas avaliações devido a disponibilidade de transporte e proximidade com o local de tratamento (47).
Dentre os participantes declarados tabagistas cinco (35,7%) tiveram a cicatrização completa da lesão no período estudado. De acordo com um estudo realizado na Universidade de Leed com 700 pacientes com melanoma, os fumantes têm 40% menos chances de sobreviver ao câncer de pele devido ao hábito de fumar ter capacidade de agravar a doença (48). Além disso, a cicatrização de feridas é afetada por vários fatores, incluindo o tabagismo (49). O tabagismo está associado a atraso na cicatrização, infecção de feridas e deiscência (50).
Quanto às comorbidades identificadas, 42,9% dos pacientes apresentavam hipertensão arterial sistêmica e 21,4% eram diabéticos, destes, apenas um paciente evoluiu com a cicatrização completa da lesão. Comumente a ferida do paciente com diabetes apresenta uma condição de retardo no reparo tecidual devido à produção excessiva de espécies reativas de oxigênio, diminuição do óxido nítrico, diminuição da resposta aos fatores de crescimento e das proteínas da via de sinalização da insulina envolvidas no processo, essa condição adicionada à localização da ferida, aumenta o retardo do processo cicatricial devido à maior chance de trauma mecânico que os membros inferiores estão susceptíveis e às características circulatórias (49,51).
Foi observada a prevalência do CPNM do tipo histológico carcinoma escamocelular (CEC) em 11 (73,3%) dos 14 participantes incluídos no estudo. De acordo com INCA (2022) (43), o CPNM é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, 95% do total dos casos de câncer de pele são representados principalmente pelo carcinoma basocelular (CBC) e o CEC. O CEC representa 21,7% dos casos de tumores malignos da pele, é o tipo menos comum e o mais agressivo, se não tratado adequadamente pode deixar mutilações expressivas (45,52).
Ao analisar o tipo histológico das lesões com o desfecho da cicatrização, não foi observada diferença estatística (p > 0,05). Com relação a área do corpo acometida, observamos associação com o desfecho cicatrização (p < 0,047). Contudo, vale ressaltar que se trata de uma série de casos cuja amostra pode ter sido limitada e deve-se ter cautela no estabelecimento de tal associação. Dos seis participantes (40,0%) que apresentaram a lesão no membro inferior direito quatro (66,7%) obtiveram cicatrização completa da lesão. Isso pode ser atribuído a diversos fatores, como à exposição solar. As pernas, por exemplo, estão frequentemente expostas aos raios solares, principalmente em ambientes mais quentes ou durante atividades ao ar livre.
A exposição excessiva ao sol é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele (47). No entanto, os membros inferiores geralmente não recebem a mesma atenção em termos de proteção solar, em comparação com áreas mais visíveis do corpo, como o rosto e os braços. Consequentemente, as pernas tendem a ser menos protegidas da exposição solar, com aplicação de protetor solar menos frequente e menor cobertura com roupas protetoras (45). Adicionalmente, as pessoas tendem a prestar menos atenção aos cuidados com a pele das pernas em comparação com outras regiões corporais, o que pode contribuir para a prevalência do câncer de pele do tipo não melanoma nessa área (52).
Houve diferença estatisticamente significativa quanto a redução da área, circunferência, comprimento e largura das lesões, comparando-se as medidas das avaliações iniciais e finais das lesões (Tabela 1). Dado semelhante foi encontrado no estudo de Silva et al. (2021) no qual foram avaliados 20 pacientes no grupo experimental com diagnóstico de úlcera venosa crônica ativa, tratados com o curativo de CB nas apresentações hidrogel e filme microperfurados (53). Os autores relataram uma redução de 28% da área média total (p=0,029) das lesões e aumento da epitelização, além da diminuição da quantidade de exsudato (53).
No estudo realizado por Maia et al. (2020) o curativo de CB foi aplicado em pacientes com feridas de membros inferiores, e os autores indicaram redução da área ferida e diminuição da dor (54).
Os curativos de CB têm sido utilizados no tratamento de diferentes tipos de feridas o que tem demonstrado seus benefícios sobre o processo de regeneração tecidual, epitelização, e controle da dor. Em ensaios clínicos realizados com diferentes tipos de feridas, o curativo de CB demonstrou a capacidade de indução do tecido de granulação, diminuição da profundidade e reepitelização (53-55). A Tabela 3 apresenta os resultados obtidos com a utilização de curativos de CB no tratamento de diferentes tipos de feridas utilizando o sistema MEASURE para avaliar os aspectos clínicos das feridas.
Tabela 3 - Eficácia do curativo de CB em diferentes tipos de feridas
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Referência |
Tipo e Localização da Lesão |
Tratamento |
N° pacientes |
Resultados |
p-valor |
Características e Tempo de Cicatrização |
|||||
Correia et al., 2024 |
Feridas infectadas (in vitro) |
Hidrogel |
N/R* |
Prevenção da formação de biofilme |
N/R* |
Silva, et al., 2021 |
Ferida de membros inferiores |
Perfurada e hidrogel |
39 |
Aumento da epitelização, redução da área da ferida |
< 0,001 |
Magalhães et al., 2020 |
Cobertura de feridas para auto enxertos de pele |
Perfurada |
20 |
Diminuição do prurido e dor boa aderência epitelização da ferida em 15,8 dias |
≤ 0,05 |
Oliveira et al., 2020 |
Leito ungueal após avulsão |
Esponja e perfurada |
26 |
Diminuição do prurido e dor, reepitelização, aderência e preservação do leito ungueal após período de observação de 180 dias |
≤ 0,05 |
Oliveira et al., 2019 |
Feridas em geral |
Esponja e hidrogel |
10 |
Indução do tecido de granulação e diminuição da profundidade da ferida em 30 dias |
≤ 0,05 |
Maia et al., 2019 |
Ferida de membros inferiores |
Perfurada e hidrogel |
24 |
Redução da área da ferida, aumento da epitelização, diminuição da quantidade de exsudato em 30 a 180 dias de observação |
≤ 0,05 |
Silveira F. et al., 2016 |
Perfuração timpânica |
Compacta |
40 |
Reepitelização e fechamento da membrana timpânica em um período de 30 dias |
≤ 0,05 |
Cavalcanti et al., 2017 |
Ferida de membros inferiores |
Perfurada |
25 |
Redução da área da ferida e da dor |
≤ 0,05 |
Martins et al.,2013 |
Feridas cirúrgicas |
Perfurada |
60 |
Regeneração tecidual, proteção da ferida e cicatrização completa entre o 8° e o 10° dia |
N/R* |
Este trabalho |
Feridas cirúrgicas |
Perfurada, compacta, hidrogel e esponja |
14 |
Redução da área da ferida, diminuição da dor e cicatrização completa em um período de 120 dias |
≤ 0,05 |
*N/R Dado não reportado no estudo |
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No presente estudo, o menor tempo de acompanhamento das lesões foi de 14 dias, sobre uma lesão com área inicial de 70,49 cm² e que atingiu 27% de cicatrização ao final do acompanhamento. O maior tempo foi de 93 dias, sobre uma lesão com área inicial de 134,63 cm² e 100% da área cicatrizada. Dos 14 pacientes do estudo, 5 não concluíram o tempo de acompanhamento da lesão previsto no estudo por motivos de óbito, recidiva tumoral e abandono do tratamento. Os dados desses pacientes foram analisados considerando o período que permaneceram no estudo.
Nas lesões médias e grandes a cobertura com o filme de CB associado ao hidrogel de CB melhorou a fixação do curativo, proporcionando maior tempo de permanência e trocas mais espaçadas (34). Além disso, coberturas que permanecem por maior tempo sobre a lesão reduzem os custos do tratamento (53).
A sensação de dor durante a troca do curativo é motivo de sofrimento (32). Neste estudo, os pacientes não relataram episódios álgicos durante a troca do curativo. A minimização da dor durante a troca de curativos pode melhorar a qualidade de vida do paciente, concedendo-lhe um maior senso de controle sobre o seu tratamento e reduzindo o impacto negativo da lesão em sua vida diária (56).
Estudos anteriores indicam que episódios álgicos podem impactar significativamente a adesão do paciente ao tratamento. Em outro estudo que utilizou curativo com CB em pacientes com ferida isquêmica, foram relatados episódios álgicos associados ao sofrimento, principalmente durante a troca do curativo (55).
Não foram relatados eventos adversos relacionados ao uso do curativo PolyTissue® pelos pacientes avaliados neste estudo. Existem relatos na literatura que descrevem a ocorrência de dermatite e dor devido ao uso de coberturas especiais no tratamento de feridas na pele, sendo uma preocupação para profissionais da saúde e pacientes (57). Coberturas especiais, embora sejam projetadas para promover a cicatrização e proteger a ferida, podem causar irritação na pele e desconforto se não forem selecionadas e aplicadas adequadamente, logo, deve-se avaliar cuidadosamente a pele do paciente antes de aplicar o curativo (57). A escolha do curativo e apresentação adequados para o tipo de ferida, localização e as necessidades individuais do paciente, deve ser realizada cuidadosamente, deve-se ainda monitorar regularmente a pele ao redor do curativo e utilizar técnicas suaves para a sua remoção, minimizando traumas à pele e reduzindo a dor associada ao tratamento (57,58,59).
Palácio et al. (2024) cita em seu trabalho de revisão sistemática que curativos de CB se destacam entre os convencionais por sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e capacidade de absorver o exsudato, mantendo o ambiente úmido e assegurando as trocas gasosas. Os autores afirmam ainda ainda que são capazes de proteger o leito da ferida atuando como barreira mecânica, atuando como suporte celular, induzindo a migração e proliferação de células, promovendo a regeneração tecidual eficaz (57).
Em um estudo anterior conduzido por Carvalho et al. (2025) analisaram o curativo BC, confirmando que ele é altamente puro, cristalino e termicamente estável. Propriedades-chave como conteúdo de nanofibrilas, transparência, porosidade, resistência à tração, permeabilidade ao vapor de água e degradação in vitro indicam que este material é ideal para aplicações médicas, particularmente como curativo após esterilização por irradiação (12).
Por ser um estudo pioneiro no uso do curativo de celulose (PolyTissue®) em feridas cirúrgicas resultantes de ressecção tumoral, cada avaliação do curativo durante o acompanhamento dos participantes também implicou na verificação da adequação da apresentação utilizada às necessidades da ferida. Em cada troca de curativo, foram fornecidas orientações adicionais aos participantes e/ou acompanhantes, garantindo assim a continuidade do tratamento com apresentações do PolyTissue®, possibilitando estabelecer qual delas é a mais adequada considerando as características específicas das feridas. Esses achados fornecem insights valiosos para futuros estudos com a mesma população, sugerindo direcionamentos para investigações posteriores. Essa abordagem permitiu uma observação detalhada das respostas das feridas às diferentes apresentações do curativo.
CONCLUSÕES
De acordo com os resultados obtidos, é possível concluir que o curativo de CB (PolyTissue®) nas apresentações lisa, perfurado, hidrogel e esponjoso auxiliou no processo de cicatrização das lesões decorrentes de ressecção tumoral de câncer de pele do tipo não melanoma, reduzindo a área, circunferência, largura e comprimento das feridas, com cicatrização total em média de 68 dias. Além disso, não houve relato de dor durante a aplicação e remoção do curativo. O teste de Wilcoxon signed-rank para evolução da cicatrização das lesões demonstrou uma significância estatística para todas as avaliações realizadas, rejeitando a hipótese nula e concluindo que há diferença estatística entre as médias obtidas.
Em pesquisas anteriores, as características físicas e químicas do PolyTissue® foram analisadas e detalhadas cientificamente, confirmando a CB como um candidato ideal para aplicações em medicina regenerativa, auxiliando na reepitelização de feridas cirúrgicas pós-ressecção tumoral, apoiando assim os achados do presente estudo.
Esses achados sugerem que o uso de curativos de CB pode representar uma opção promissora para a gestão de feridas cirúrgicas decorrentes de ressecções de tumores cutâneos não melanoma. A capacidade do curativo PolyTissue® de reduzir as medidas da ferida e proporcionar conforto ao paciente pode beneficiar a prática clínica, contribuindo para uma recuperação mais eficaz e menos dolorosa após procedimentos cirúrgicos relacionados ao câncer de pele.
Contudo, por ser uma pesquisa pioneira na utilização do PolyTissue® em feridas cirúrgicas decorrentes da ressecção tumoral, ainda há necessidade da realização de estudos complementares no qual seja possível ampliar a aplicação dos curativos, através de pesquisa clínica multicêntrica, assim como elevar o número da amostra para confirmar os resultados obtidos.
SUPORTE FINANCEIRO
Este estudo foi parcialmente financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): J.L.A.A. [CNPq/MCTI 424123/2021-5]; M.M.A. [CNPq/MCTI 382845/2023-4]; F.C.M.P [CNPq/MCTI 350439/2022-2] e Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE): L.C.M. [FACEPE BFP-0093-4.01/24].
AGRADECIMENTOS
Pesquisa realizada em colaboração com a POLISA® Biopolímeros para a saúde, Departamento de Energia Nuclear (DEN), Centro de Geociência e Tecnologia (CTG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP).
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Suporte Financeiro and Agradecimentos
Este estudo foi parcialmente financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): J.L.A.A. [CNPq/MCTI 424123/2021-5]; M.M.A. [CNPq/MCTI 382845/2023-4]; F.C.M.P [CNPq/MCTI 350439/2022-2] e Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE): L.C.M. [FACEPE BFP-0093-4.01/24]. Pesquisa realizada em colaboração com a POLISA® Biopolímeros para a saúde, Departamento de Energia Nuclear (DEN), Centro de Geociência e Tecnologia (CTG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP).
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
Santos KM realizou a concepção do estudo, coleta de dados, análise e interpretação dos dados e elaboração do manuscrito. Mahnke LC realizou a análise e interpretação dos dados, elaboração e revisão do manuscrito. Arcoverde MM participou do desenvolvimento técnico e inovação terapêutica do produto testado. Aguiar JLA realizou revisão crítica do trabalho e aprovação da versão final do manuscrito. Pinto FCM realizou a supervisão da pesquisa, análise e interpretação dos dados, revisão crítica do trabalho e aprovação da versão final do manuscrito.
Declaração de conflito de interesses
Nada a declarar.
Editor Científico: Francisco Mayron Morais Soares. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7316-2519
Rev Enferm Atual In Derme 2025;99(1): e025025