CARTA AO EDITOR
CONHECIMENTO DE IDOSOS E CUIDADORES INFORMAIS SOBRE INSULINOTERAPIA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA AUTOGESTÃO
KNOWLEDGE OF OLDER ADULTS AND INFORMAL CAREGIVERS ABOUT INSULIN THERAPY: CHALLENGES AND STRATEGIES FOR SELF-MANAGEMENT
CONOCIMIENTO DE LAS PERSONAS MAYORES Y DE LOS CUIDADORES INFORMALES SOBRE LA INSULINOTERAPIA: DESAFÍOS Y ESTRATEGIAS PARA EL AUTOCONTROL
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.1-art.2708
1Vitória Tonsica Marcato
2Heloiza Matos de Oliveira
3Breno da Silva Oliveira
4Daniel de Macêdo Rocha
1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Coxim, Brasil. ORCID: 0009-0002-4748-1537
2Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Coxim, Brasil. ORCID: 0009-0000-0172-8261
3Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Coxim, Brasil. ORCID: 0009-0008-0950-2951
4Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Coxim, Brasil. ORCID: 0000-0003-1709-2143
Autor correspondente
Daniel de Macêdo Rocha
General Mendes de Moraes, 369, Jardim Novo Mato Grosso, Coxim, Mato Grosso do Sul, Brasil. CEP: 7940000, Telefone: +55(16) 99256-0204, E-mail: daniel.macedo@ufms.br.
Submissão: 15-12-2025
Aprovado: 18-12-2025
Estimado, Editor
O envelhecimento populacional e a transição epidemiológica impõem ao Sistema Único de Saúde (SUS) o desafio de manejar condições crônicas complexas, dentre as quais o Diabetes Mellitus (DM) assume protagonismo. Contudo, mais do que a alta prevalência da doença, a lacuna de competência, conhecimento e habilidade para o autocuidado no domicílio, assim como para a autogestão do tratamento vem despertando amplas discussões no campo científico, político e assistencial(1).
Dentre as alternativas terapêuticas, a insulinoterapia é um recurso comum, frequentemente indispensável para o controle metabólico. Trata-se de uma intervenção de alta complexidade que, quando associada ao declínio funcional e cognitivo inerente à senescência, cria um cenário de risco elevado para eventos adversos graves e complicações e hospitalizações, na maioria das vezes, evitáveis(1,2).
Nesse contexto, observa-se que a responsabilidade pela administração da insulina é, muitas vezes, compartilhada com cuidadores informais que, embora essenciais, raramente possuem o conhecimento em saúde ou o treinamento técnico adequado. A literatura aponta que a eficácia da insulinoterapia não depende apenas da prescrição farmacológica, mas da autogestão, que envolve desde o armazenamento correto e a técnica de aplicação até o raciocínio clínico para ajustes de dose e reconhecimento de sinais de descompensação(3,4). Quando o idoso perde a autonomia e o cuidador não é capacitado, a segurança do paciente no contexto domiciliar é frequentemente comprometida.
Torna-se fundamental, portanto, problematizar a atuação da Enfermagem na Atenção Primária à Saúde (APS). Embora a APS seja a ordenadora do cuidado, as estratégias educativas ainda tendem a ser fragmentadas ou excessivamente normativas. A simples entrega de insumos ou orientações verbais rápidas em consultório mostram-se insuficientes para garantir a adesão e a técnica correta de administração(4-6). A educação em saúde para idosos e cuidadores exige metodologias ativas como a simulação, demonstrativo e o monitoramento contínuo, considerando as limitações sensoriais, educacionais e cognitivas dessa população, bem como o despreparo técnico e científico das suas redes de apoio.
Diante do exposto, defende-se que a competência para o manejo da insulina não deve ser presumida, mas sim avaliada e certificada periodicamente pela equipe de enfermagem, tendo em vista que as falhas no conhecimento sobre a insulinoterapia representa um determinante direto de desfechos clínicos desfavoráveis.
Assim, que o fortalecimento da segurança do paciente em uso de insulina exige uma mudança de paradigma: a transição de um modelo de cuidado focado na prescrição para um modelo centrado na capacitação continuada do binômio idoso-cuidador. Reflexões sobre o protagonismo da enfermagem em liderar esse processo são necessários, tendo em vista suas potencialidades para implementação de intervenções educativas estruturadas e longitudinais que transformem a informação técnica em habilidade prática segura, efetiva, sustentável e baseada em evidências para reduzir as lacunas entre a complexidade da doença e a capacidade de autogestão do tratamento.
REFERÊNCIAS
1 Travassos GF, Coelho AB, Arends-Kuenning MP. The elderly in Brazil: demographic transition, profile, and socioeconomic condition. Revista Brasileira De Estudos De População; 2020;37(1):e0129. Doi: https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0129
2 Muzy J, Campos MR, Emmerick I, Silva RSD, Schramm JMA. Prevalence of diabetes mellitus and its complications and characterization of healthcare gaps based on triangulation of studies. Cad Saude Publica. 2021 May 28;37(5):e00076120. Doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00076120
3 Underwood PC, Ruscitti B, Nguyen T, Magny-Normilus C, Wentzell K, Watts SA, Bowser D. A Health Systems Approach to Nurse-Led Implementation of Diabetes Prevention and Management in Vulnerable Populations. Health Syst Reform. 2025 Dec 31;11(1):2503648. Doi: https://doi.org/10.1080/23288604.2025.2503648
4 Cunha GHD, Fontenele MSM, Siqueira LR, Lima MAC, Gomes MEC, Ramalho AKL. Insulin therapy practice performed by people with diabetes in Primary Healthcare. Rev Esc Enferm USP. 2020 Oct 12;54:e03620. Doi: https://doi.org/10.1590/S1980-220X2019002903620
5 Mohamad Yusaini NSN, Akkawi ME. The association between diabetes knowledge, treatment satisfaction and medication adherence among Malaysian geriatric patients. Diabetol Int. 2025 Nov 25;17(1):5. Doi: https://doi.org/10.1007/s13340-025-00860-8
6 Yang YM, Chan HY, Ho YF, Lin HW, Wang CC, Wang T, Huang YM. Charting the path to better diabetes outcomes: Revealing psychosocial influences on medication adherence through the information-motivation-behavioral skills model among adults with type 2 diabetes. Res Social Adm Pharm. 2026 Jan;22(1):96-106. Doi: https://doi.org/10.1016/j.sapharm.2025.08.010
Fomento: Esta pesquisa não recebeu financiamento.
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
Todos os autores participaram da concepção do estudo, assim como na redação, revisão crítica e aprovação final da versão publicada.
Declaração de conflito de interesses
Nada a declarar.
Editor Científico: Ítalo Arão Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447
Rev Enferm Atual In Derme 2026;100(1): e026011