ARTIGO DE REVISÃO
ABORDAGENS LÚDICAS APLICADAS NO TRATAMENTO HOSPITALAR DA CRIANÇA COM CÂNCER: REVISÃO INTEGRATIVA
LUDIC APPROACHES APPLIED TO IN-PATIENT TREATMENT OF CHILDREN WITH CANCER: AN INTEGRATIVE REVIEW
ENFOQUES LÚDICOS APLICADOS EN EL TRATAMIENTO HOSPITALARIO DEL NIÑO CON CÁNCER: REVISIÓN INTEGRATIVA
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.3-art.2721
1Paola Piovenzano de Soliz
2Luiz Fernando Rodrigues Junior
3Adriana Dall’Asta Pereira
4Andressa da Silveira
5Josi Barreto Nunes
6Keity Laís Siepmann Soccol
1Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-7118-0710
2Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-5753-5503
3Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil. ORCID: 0000-0003-2698-2711
4Universidade Federal de Santa Maria, Palmeira das Missões, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-4182-4714
5Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil. ORCID: 0000-0001-9364-841X
6Universidade Franciscana, Santa Maria, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-7071-3124
Autor correspondente
Keity Laís Siepmann Soccol
Rua Silva Jardim n.1175, bairro Nossa Senhora do Rosário, Santa Maria, RS, Brasil. CEP 97010-491 E-mail: keitylais@hotmail.com Telefone: +55 (55) 3025-9000
Submissão: 15-01-2026
Aprovado: 26-08-2026
RESUMO
Objetivo: Identificar a produção científica sobre o uso de abordagens lúdicas aplicadas no tratamento hospitalar da criança com câncer. Método: Revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados MEDLINE (via PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) e Scopus. A busca foi conduzida em julho de 2022, utilizando a estratégia PICo para elaboração da questão de pesquisa e os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Resultados: A amostra foi composta por 11 estudos. As principais abordagens lúdicas identificadas foram aplicativos móveis, jogos, videogames, fantoches, brinquedo instrucional, fotografias, palhaçada terapêutica e brincadeiras em geral. As evidências demonstraram que essas estratégias contribuem para a redução da dor, da ansiedade e do sofrimento, além de promoverem bem-estar, diversão, distração, melhora da qualidade de vida, fortalecimento do vínculo entre criança, família e profissionais de saúde e maior participação da criança no tratamento. Conclusão: As abordagens lúdicas constituem estratégias relevantes no tratamento hospitalar da criança com câncer, favorecendo a humanização da assistência e contribuindo para o enfrentamento da doença e do tratamento. Os resultados reforçam a importância da incorporação sistemática dessas intervenções na prática dos serviços de saúde.
Palavras-chave: Enfermagem; Crianças; Ludicidade; Câncer; Quimioterapia.
ABSTRACT
Objective: To identify the scientific literature on the use of play-based interventions in the hospital treatment of children with cancer. Method: An integrative literature review was conducted using the MEDLINE (via PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), and Scopus databases. The search was performed in July 2022, using the PICo strategy to formulate the research question and previously established inclusion and exclusion criteria. Results: The sample consisted of 11 studies. The main play-based interventions identified included mobile applications, games, video games, puppets, instructional toys, photographs, therapeutic clowning, and play activities in general. The evidence demonstrated that these strategies contribute to reducing pain, anxiety, and distress, while promoting well-being, enjoyment, distraction, improved quality of life, strengthened relationships among children, families, and healthcare professionals, and greater child participation in treatment. Conclusion: Play-based interventions are relevant strategies in the hospital treatment of children with cancer, promoting humanized care and contributing to coping with both the disease and its treatment. The findings reinforce the importance of systematically incorporating these interventions into healthcare practice.
Keywords: Nursing; Child; Play and Playthings; Neoplasms; Chemotherapy.
RESUMEN
Objetivo: Identificar la producción científica sobre el uso de intervenciones lúdicas aplicadas al tratamiento hospitalario de niños con cáncer. Método: Revisión integradora de la literatura, realizada en las bases de datos MEDLINE (vía PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud (LILACS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) y Scopus. La búsqueda se llevó a cabo en julio de 2022, utilizando la estrategia PICo para la elaboración de la pregunta de investigación y los criterios de inclusión y exclusión previamente establecidos. Resultados: La muestra estuvo compuesta por 11 estudios. Las principales intervenciones lúdicas identificadas fueron aplicaciones móviles, juegos, videojuegos, títeres, juguetes instructivos, fotografías, payasos terapéuticos y actividades lúdicas en general. La evidencia demostró que estas estrategias contribuyen a reducir el dolor, la ansiedad y el sufrimiento, además de promover el bienestar, la diversión, la distracción, la mejora de la calidad de vida, el fortalecimiento del vínculo entre el niño, la familia y los profesionales de la salud, así como una mayor participación del niño en el tratamiento. Conclusión: Las intervenciones lúdicas constituyen estrategias relevantes en el tratamiento hospitalario de niños con cáncer, favoreciendo la humanización de la atención y contribuyendo al afrontamiento de la enfermedad y del tratamiento. Los resultados refuerzan la importancia de incorporar sistemáticamente estas intervenciones en la práctica de los servicios de salud.
Palabras clave: Enfermería; Niño; Juego e Implementos de Juego; Neoplasias; Quimioterapia.
INTRODUÇÃO
O câncer infantil constitui um importante problema de saúde pública. Embora o termo câncer infantojuvenil compreenda crianças e adolescentes de zero a 19 anos, este estudo tem como foco a população infantil, considerando as especificidades do cuidado à criança durante o tratamento hospitalar. No Brasil, o câncer representa a segunda principal causa de morte entre crianças e adolescentes e a principal causa de morte por doença nessa população. Em países desenvolvidos, também é considerado a principal causa de morte relacionada a doenças na infância (1,2).
Entre os diferentes tipos de câncer que acometem essa população, destacam-se as leucemias, os linfomas, os tumores do sistema nervoso central, de tecidos moles, do trato urinário, dos olhos, ósseos e cartilaginosos (3). Apesar da gravidade do diagnóstico, aproximadamente 80% das crianças acometidas pelo câncer podem ser curadas quando diagnosticadas precocemente e tratadas em centros especializados (4). Estimativas apontam que, no Brasil, ocorrerão cerca de 7,9 mil novos casos de câncer infantojuvenil no triênio 2023-2025, com discreta predominância no sexo masculino (52,3%), sendo a Região Sudeste responsável pela maior concentração desses diagnósticos (41,7%) (1).
Após o diagnóstico, o tratamento do câncer é realizado por meio de diferentes modalidades terapêuticas, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia (5). Esses métodos podem ser empregados de forma isolada ou combinada, conforme a localização do tumor, sua extensão, as características histopatológicas da lesão e as condições clínicas de cada paciente. Dentre essas modalidades, a quimioterapia constitui o tratamento antineoplásico mais utilizado atualmente, pois atua principalmente na destruição das células malignas do organismo (6).
Embora os avanços terapêuticos tenham ampliado as possibilidades de cura, as crianças em tratamento oncológico vivenciam diversos sintomas relacionados tanto à doença quanto ao tratamento, os quais interferem diretamente em sua qualidade de vida (7). Por ser um tratamento medicamentoso sistêmico, a quimioterapia não diferencia células cancerosas de células sadias, atingindo ambas e ocasionando efeitos colaterais como náuseas, vômitos, fraqueza, diarreia, perda de peso, edema, mucosite e alopecia (6).
Somados aos efeitos adversos da quimioterapia, o tratamento e a hospitalização prolongada repercutem também nos aspectos emocionais e sociais da criança (6). É comum que pacientes em tratamento apresentem dor, tristeza e outros sentimentos que comprometem seu estado funcional e sua saúde emocional (7). Em determinadas situações, a quimioterapia requer hospitalização, condição que pode ser considerada um fator estressante em razão das mudanças na rotina, do ambiente e das privações, como isolamento social, afastamento das atividades diárias e restrições alimentares. Adicionalmente, procedimentos rotineiros, como punções e exames, provocam desconforto e ansiedade nas crianças hospitalizadas (8).
Entretanto, esses fatores estressantes podem ser amenizados por meio de atividades lúdicas, que contribuem para o processo de internação e para o enfrentamento do afastamento das atividades habituais, proporcionando às crianças com câncer um tratamento mais humanizado, a fim de favorecer sua sociabilidade, seu desenvolvimento e sua autoestima (9), bem como a aquisição de habilidades biopsicossociais inerentes ao desenvolvimento humano, mesmo durante a hospitalização (10).
Nesse contexto, as atividades lúdicas tornam o ambiente hospitalar mais acolhedor e contribuem para o cuidado integral de crianças com câncer (9). Além de favorecer a expressão de sentimentos e experiências durante o tratamento, essas estratégias fortalecem a relação entre a criança, a família e os profissionais de saúde. Diante do exposto, este estudo justifica-se pela importância de produzir conhecimento acerca das atividades lúdicas utilizadas no cotidiano do cuidado à criança com câncer em tratamento, com vistas a subsidiar a oferta de uma assistência mais humanizada e incentivar a incorporação dessas práticas em instituições que ainda não as utilizam. Assim, este estudo tem como objetivo identificar a produção científica sobre o uso de abordagens lúdicas aplicadas no tratamento hospitalar da criança com câncer.
MÉTODOS
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida em seis etapas. Na primeira etapa, realizou-se a identificação do tema e da questão de pesquisa; na segunda, estabeleceram-se os critérios de inclusão e exclusão dos estudos; na terceira, procedeu-se à categorização dos estudos; na quarta, realizou-se a avaliação dos estudos selecionados; na quinta, os resultados foram interpretados; e, na sexta, foram apresentados os resultados da revisão.
Para a construção da pergunta de pesquisa utilizou-se a estratégia PICo, um acróstico em que P corresponde aos participantes (crianças com câncer), I ao fenômeno de interesse (abordagens lúdicas) e Co ao contexto do estudo (tratamento para o câncer). Com base nessa estratégia, definiu-se a seguinte questão norteadora: o que vem sendo produzido sobre a utilização de abordagens lúdicas no tratamento da criança com câncer?
O levantamento dos estudos foi realizado nas bases de dados MEDLINE, por meio da plataforma PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) e Scopus. As buscas foram realizadas no mês de julho de 2022.
Para a estratégia de busca utilizaram-se os descritores do vocabulário controlado Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) nas bases SciELO e LILACS e os Medical Subject Headings (MeSH) na base MEDLINE, por meio da plataforma PubMed. Na CINAHL e na Scopus foram utilizadas palavras-chave, em razão das especificidades de indexação dessas bases, conforme descrito no Quadro 1.
Para a estratégia de busca utilizaram-se os descritores do vocabulário controlado Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) nas bases SciELO e LILACS. Na SciELO, optou-se pelo uso de descritores em português em razão da indexação baseada no DeCS, que contempla equivalência terminológica entre português, inglês e espanhol. Na base MEDLINE, por meio da plataforma PubMed, foram utilizados os Medical Subject Headings (MeSH). Na CINAHL e na Scopus foram utilizadas palavras-chave, em razão das especificidades de indexação dessas bases, conforme descrito no Quadro 1.
Quadro 1 – Estratégias de Pesquisa
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Bases |
Estratégias de pesquisa |
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PubMed |
(("child"[MeSH Terms]) AND ("neoplasms"[MeSH Terms])) AND ("play and playthings"[MeSH Terms]) Filters: Free full text, English, Portuguese, Spanish, from 2012 – 2021 |
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SciELO |
criança AND neoplasias AND jogos e brinquedos AND year_cluster:("2012" OR "2013" OR "2014" OR "2015" OR "2016" OR "2017" OR "2018" OR "2019" OR "2020" OR "2021") |
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LILACS |
"CRIANCA" AND "NEOPLASIAS" AND "JOGOS E BRINQUEDOS" [Descritor de assunto] and "2012" or "2013" or "2014" or "2015" or "2016" or "2017" or "2018" or "2019" or "2020" or "2021" [País, ano de publicação] and "ESPANHOL" or "INGLES" or "PORTUGUES" [Idioma] |
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CINAHL |
child AND neoplasms AND (play and playthings) Limitadores - Data de publicação: 20120101-20211231 Expansores - Aplicar assuntos equivalentes Modos de busca - Booleano/Frase |
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Scopus |
(TITLE-ABS-KEY ("child") AND TITLE-ABS-KEY ("neoplasms") AND TITLE-ABS-KEY ("play and playthings")) AND PUBYEAR > 2011 AND PUBYEAR < 2022 AND PUBYEAR > 2011 AND PUBYEAR < 2022 |
Fonte: Elaborado pelos próprios autores (2023).
Teve-se como critérios de inclusão: estudos primários, independentemente do delineamento metodológico, publicados na forma de artigos científicos com texto completo, disponíveis na íntegra, online e gratuitamente, nos idiomas português, espanhol ou inglês, e com recorte temporal dos últimos 10 anos, compreendendo o período de 2012 a 2022. Esse recorte temporal foi adotado com o objetivo de abranger um maior número de estudos. Como critérios de exclusão, foram considerados teses, dissertações, estudos de revisão da literatura e manuais ministeriais.
Para a categorização do nível de evidência, considerou a seguinte classificação: nível I, revisão sistemática ou metanálise de ensaios clínicos randomizados controlados; nível II, ensaio clínico randomizado controlado bem delineado; nível III, ensaios clínicos bem delineados sem randomização; nível IV, estudos de coorte e de caso-controle bem delineados; nível V, revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos; nível VI, estudo descritivo ou qualitativo; nível VII, evidências oriundas de opinião de autoridades e/ou relatório de comitês de especialistas (12).
O processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos foi apresentado conforme as recomendações do guia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (13).
Os estudos que compuseram o corpus de análise foram submetidos à extração, organização e síntese descritiva dos dados por dois pesquisadores. Para essa etapa, foi elaborado um instrumento de extração de dados contendo as seguintes variáveis: autor(es)/ano, idioma, título, objetivo, principais resultados e nível de evidência (NE). Essas informações subsidiaram a construção do Quadro 2. A seleção e a extração dos dados foram realizadas por dois pesquisadores. Para a organização dos dados não foi utilizado software específico.
RESULTADOS
A estratégia de busca resultou na identificação de 190 estudos nas bases de dados selecionadas. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 121 estudos foram excluídos, permanecendo 69 para leitura na íntegra. Na etapa de avaliação da elegibilidade, 58 estudos foram excluídos por não responderem à questão de pesquisa, o que resultou em uma amostra final composta por 11 estudos. O processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos está apresentado na Figura 1.
Figura 1 - Fluxograma do processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, conforme o PRISMA 2020

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2023), adaptada (13)
Dos 11 estudos incluídos no corpus de análise, três foram identificados na MEDLINE (via PubMed), cinco na LILACS, dois na CINAHL e um na Scopus. Nenhum estudo proveniente da SciELO compôs a amostra final. A caracterização dos estudos incluídos está apresentada no Quadro 2.
Quadro 2- Corpus de análise
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Autores/Ano |
Idioma |
Título |
Objetivo |
Principais resultados |
NE |
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Lopes et al., 2020(14) |
Português |
Abordagens lúdicas e o enfrentamento do tratamento oncológico na infância |
Demonstrar como, na percepção da criança acometida por câncer, as abordagens lúdicas contribuem para que ela enfrente o tratamento oncológico |
As crianças reconhecem a importância de brincar durante o tratamento e observam que essa atividade desperta variados sentimentos, como felicidade e bem estar. Já a dor provocada pela condição de estar doente, gera raiva. |
6 |
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Santos; Silva; Cantalice, 2019 (15) |
Português |
Brinquedo terapêutico instrucional: preparando a criança para a quimioterapia endovenosa
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Comparar os comportamentos de crianças durante a quimioterapia endovenosa antes e após a aplicação do brinquedo terapêutico instrucional |
Percebeu-se uma redução significativa da “postura retraída” das crianças que utilizaram o brinquedo instrucional. Proporcionando ainda, controle da ansiedade e do sofrimento gerados pelo tratamento quimioterápico endovenoso. |
6 |
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Sposito et al., 2018(16) |
Português |
O melhor da hospitalização: contribuições do brincar para o enfrentamento da quimioterapia |
Compreender o brincar como estratégia para enfrentamento do tratamento quimioterápico em crianças. |
As crianças destacaram a importância do brincar e a relevância de um espaço lúdico dentro do ambiente hospitalar. |
6 |
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Morais et al., 2018 (17) |
Português |
Experiência existencial de crianças em tratamento quimioterápico sobre a importância do brincar |
Compreender a experiência existencial de crianças em tratamento quimioterápico sobre a importância do brincar. |
As crianças compreendem a doença e o tratamento. Ainda, o brincar desperta sentimentos positivos e é uma forma do tempo “passar rápido”. |
6 |
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Lima; Santos, 2015 (18) |
Português |
Play as a care strategy for children with cancer |
Compreender a influência do lúdico para o processo de cuidar, na percepção de crianças com câncer. |
Todas as atividades lúdicas realizadas pelas crianças com câncer, geram alegria, diversão, interação e distração. Ainda trazem benefícios para o processo de cuidar. |
6 |
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Linder et al., 2021 (19) |
Inglês |
Feasibility and Acceptability of a Game-Based Symptom Reporting App for Children with Cancer: Perspectives of Children and Parents |
Avaliar a viabilidade e aceitabilidade de um aplicativo baseado em jogo, para o relatório de sintomas, recém desenvolvido, para crianças em idade escolar com câncer. |
Crianças com câncer e pais, apontam a relevância do aplicativo, que aumenta a autonomia da criança e ainda fomenta a criatividade |
6 |
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Bernier Carney et al., 2021(20) |
Inglês |
Communication of pain by school-age children with cancer using a game-based symptom assessment app: A secondary analysis
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Avaliar as experiências de dor autorrelatadas de crianças em idade escolar com câncer que participam de um teste de viabilidade de um aplicativo de avaliação de sintomas baseado em jogos. |
As crianças com câncer estão dispostas à relatar suas dores de forma qualitativa e usando descrições narrativas, por meio de um aplicativo móvel |
6 |
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Hamari et al., 2019(21) |
Inglês |
The effect of an active video game intervention on physical activity, motor performance, and fatigue in children with cancer: a randomized controlled trial |
Avaliar o efeito de videogames ativos na promoção da atividade física e do desempenho motor e na redução da fadiga em crianças com câncer. |
Não houve variação significativa nos níveis de atividade física, fadiga e desempenho motor, após o uso de vídeo games ativos. Porém a intervenção não foi realizada conforme orientação. |
4 |
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Sposito et al., 2016 (22) |
Inglês |
Puppets as a strategy for communication with Brazilian children with cancer |
Este estudo apresenta a experiência do uso de fantoches como estratégia lúdica para melhorar a interação e comunicação com crianças hospitalizadas com câncer, de sete a 12 anos |
O uso dos fantoches, mostrou benefícios, como permitir que as crianças se expressem livremente e com autonomia, minimizando a relação hierárquica adulto-criança. Ainda, tal ferramenta, é adequada para se comunicar com crianças hospitalizadas, pois, pode enriquecer a prática clínica, visto que estimula a criança com câncer a relatar suas experiências e também auxilia a equipe de saúde durante a avaliação e intervenção. |
6 |
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Frygner-Holm et al., 2020 (23) |
Inglês |
Pretend Play as an Intervention for Children With Cancer: A Feasibility Study |
Desenvolver e avaliar a viabilidade e aceitabilidade de uma intervenção de brincadeira de faz de conta facilitada por adultos para crianças com câncer. |
Os resultados sugerem que a intervenção agradou as crianças. Ainda, os achados indicam pequenas melhoras na autoeficácia em situações de cuidado e qualidade de vida. Desta forma, a intervenção é considerada segura, viável e aceitável e é um possível meio de aumentar a participação e a independência em crianças com diagnóstico de câncer. |
6 |
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Kurudirek; Arikan, 2020 (24) |
Inglês |
Effects of Therapeutic Clowning on Pain and Anxiety During Intrathecal Chemotherapy in Turkey |
Explorar o efeito da palhaçada terapêutica na dor e na ansiedade durante a quimioterapia intratecal. |
As crianças do grupo dos palhaços apresentaram significativamente menos dor e ansiedade do que as crianças do grupo controle. Dessa forma a palhaçada é eficaz no alivio da dor e da ansiedade de crianças com câncer. |
6 |
Fonte: Elaborado pelos próprios autores (2023)
Os estudos incluídos abordaram crianças em tratamento quimioterápico, hospitalizadas ou em acompanhamento ambulatorial. Quanto ao nível de evidência, houve predomínio de estudos classificados como nível VI (n=10), sendo identificado apenas um estudo de nível IV (n=1).
Os resultados encontrados, após a análise dos estudos incluídos, foram agrupados por aproximação de ideias e associação de conteúdos e estão apresentados no Quadro 3.
Quadro 3 – Síntese dos principais achados e das abordagens lúdicas identificados nos estudos incluídos
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PRINCIPAIS ACHADOS RELACIONADOS ÀS ABORDAGENS LÚDICAS |
Redução da ansiedade (15,24) |
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Redução do sofrimento (15, 24) |
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Redução da dor (20, 24) |
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Bem-estar (14-16,18) |
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Distração (17-19) |
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Diversão (14, 18) |
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Melhora da qualidade de vida (19, 20, 22- 24) |
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ABORDAGENS LÚDICAS UTILIZADAS |
Jogos |
Aplicativos móveis (19, 20) |
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Videogame (21) |
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Fantoche (22) |
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Brinquedo instrucional (15) |
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Fotos (18) |
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Palhaçada terapêutica (24) |
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Brincadeiras em geral (14, 16, 17, 23) |
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Fonte: Elaborado pelos próprios autores (2023).
DISCUSSÃO
O diagnóstico de câncer na infância desencadeia sentimentos como tristeza, medo e angústia relacionados ao futuro. Somam-se a isso as repercussões do tratamento, que envolvem dor, sofrimento, insegurança, alterações físicas e mudanças na rotina da criança e de sua família (6). Nesse contexto, as abordagens lúdicas destacam-se como estratégias capazes de favorecer a humanização do cuidado, contribuindo para tornar a experiência da hospitalização menos traumática e mais acolhedora.
Os resultados desta revisão evidenciaram que as abordagens lúdicas apresentam efeitos positivos durante o tratamento hospitalar da criança com câncer. Entre os principais achados, destacam-se a redução da ansiedade e do sofrimento (15,24), a minimização da dor (24), a promoção do bem-estar (14-16,18), de momentos de distração (17,18,21), de diversão (14,18) e a melhora da qualidade de vida (19,20,22-24). Esses resultados reforçam o potencial das estratégias lúdicas para favorecer o enfrentamento do tratamento e contribuir para uma assistência mais humanizada.
Quanto às abordagens lúdicas identificadas, observou-se a utilização de jogos (19-21), fantoches (21), brinquedo instrucional (15), fotografias (18), palhaçada terapêutica (24) e brincadeiras em geral (14,16,17,23). Essa diversidade demonstra que diferentes recursos podem ser incorporados ao cuidado, permitindo que as intervenções sejam adaptadas às necessidades, preferências e faixa etária das crianças em tratamento.
Entre essas estratégias, o brinquedo terapêutico mostrou-se importante para orientar e exemplificar procedimentos, promovendo maior segurança e tranquilidade tanto para as crianças quanto para seus familiares. Da mesma forma, intervenções conduzidas por palhaços hospitalares proporcionam redução significativa da dor durante procedimentos invasivos, corroborando os achados encontrados nesta revisão e reforçando o potencial dessas estratégias na minimização do sofrimento infantil (25).
Outro aspecto identificado foi o crescente uso de tecnologias digitais no cuidado à criança com câncer. As tecnologias virtuais em saúde têm conquistado espaço na assistência pediátrica por favorecerem a comunicação, a criatividade e a autonomia das crianças (5). Esses benefícios também foram observados nos estudos que avaliaram aplicativos destinados ao relato da dor e de outros sintomas, evidenciando que tais recursos podem qualificar o acompanhamento clínico e fortalecer a participação da criança no próprio cuidado.
No que se refere à comunicação e à construção de vínculo, ferramentas como fantoches e brincadeiras de faz de conta apresentaram resultados positivos. Além de favorecerem a expressão de sentimentos e experiências, essas estratégias fortalecem a interação entre criança, família e profissionais de saúde. O brincar também possibilita que o profissional conheça melhor a realidade da criança, contribuindo para o desenvolvimento de um cuidado singularizado e centrado em suas necessidades (26).
A presente revisão também evidenciou a importância da existência de ambientes apropriados para o desenvolvimento dessas atividades. As brinquedotecas hospitalares favorecem momentos de lazer, socialização, descontração e diversão, reduzindo os impactos emocionais decorrentes da hospitalização (27). Entretanto, embora os benefícios do brincar sejam amplamente reconhecidos, dificuldades relacionadas à elevada carga de trabalho das equipes, ao déficit de profissionais e à escassez de recursos lúdicos ainda limitam a utilização sistemática do brinquedo terapêutico na prática assistencial (28), evidenciando que persistem lacunas para sua efetiva implementação nos serviços de saúde (29).
Os achados desta revisão reforçam a importância da incorporação de abordagens lúdicas na assistência à criança com câncer, considerando seu potencial para promover sentimentos positivos, como alegria, segurança e bem-estar, além de contribuir para a redução da dor, do medo e da ansiedade relacionados à doença, à hospitalização e aos procedimentos terapêuticos. Dessa forma, torna-se necessário repensar a organização e o funcionamento dos serviços de saúde voltados ao público infantil, de modo que esses ambientes favoreçam a acessibilidade, a inclusão e a oferta de espaços que estimulem o brincar durante o tratamento (10).
Como limitações deste estudo, destaca-se a inclusão de publicações restritas aos idiomas português, inglês e espanhol, bem como a seleção de estudos indexados nas bases de dados pesquisadas, o que pode ter limitado a identificação de outras evidências relevantes. Além disso, observou-se predominância de estudos classificados como nível VI de evidência, indicando a necessidade de investigações com delineamentos metodológicos mais robustos sobre a temática.
No que se refere às implicações para a prática, esta revisão fornece evidências que podem subsidiar enfermeiros e demais profissionais de saúde na incorporação de estratégias lúdicas durante o tratamento hospitalar de crianças com câncer. A adoção dessas abordagens favorece a humanização da assistência, fortalece o vínculo entre profissionais, crianças e familiares, qualifica a comunicação e contribui para um cuidado mais acolhedor, participativo e centrado nas necessidades da criança.
CONCLUSÃO
Este estudo permitiu identificar a produção científica acerca do uso de abordagens lúdicas aplicadas ao tratamento hospitalar da criança com câncer, evidenciando que essas estratégias contribuem para a humanização da assistência e favorecem o enfrentamento da doença e do tratamento. As evidências demonstraram benefícios relacionados à redução da dor, da ansiedade e do medo, além da promoção do bem-estar, da diversão, da autonomia e do fortalecimento do vínculo entre a criança, a família e os profissionais de saúde.
Também foi possível identificar as principais abordagens lúdicas utilizadas no contexto hospitalar, destacando-se aplicativos móveis, jogos, videogames, fantoches, brinquedo instrucional, fotografias, palhaçada terapêutica e brincadeiras em geral. Recomenda-se o desenvolvimento e a avaliação de novas estratégias lúdicas voltadas ao cuidado oncopediátrico, bem como estudos com delineamentos metodológicos mais robustos, capazes de ampliar as evidências científicas e subsidiar sua incorporação sistemática na prática assistencial.
REFERÊNCIAS
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Fomento e Agradecimento:
Acordo CAPES/ COFEN.
Declaração de conflito de interesses:
Nada a declarar
Declaração de disponibilidade de dados
Não foram gerados bancos de dados neste estudo. As informações apresentadas estão descritas no corpo do artigo.
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
A designação de autoria deve ser baseada nas deliberações do ICMJE, que considera autor aquele que: 1. contribui substancialmente na concepção e/ou no planejamento do estudo; 2. na obtenção, na análise e/ou interpretação dos dados; 3. assim como na redação e/ou revisão crítica e aprovação final da versão publicada.
Paola Piovenzano de Soliz: 1,2,3
Luiz Fernando Rodrigues Junior: 1,2,3
Adriana Dall’Asta Pereira: 2,3
Andressa da Silveira: 2,3
Josi Barreto Nunes: 2,3
Keity Laís Siepmann Soccol: 1,2,3
Editor Científico: Ítalo Arão Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447
Rev Enferm Atual In Derme 2026;100(3): e026091