MORTALIDADE FETAL NO BRASIL: EVOLUÇÃO TEMPORAL E DISPARIDADES REGIONAIS
DOI:
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.3-art.2793Palavras-chave:
Disparidades em Assistência à Saúde; Natimorto; Saúde Materno-Infantil.Resumo
Introdução: A mortalidade fetal constitui um importante indicador da qualidade da atenção materno-infantil, refletindo tanto condições clínicas e obstétricas quanto desigualdades estruturais no acesso e na efetividade dos serviços de saúde. Objetivo: Analisar a tendência dos óbitos fetais no Brasil no período de 2013 a 2024. Método: Estudo ecológico, retrospectivo e quantitativo, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponíveis no DATASUS. Foram incluídos todos os óbitos fetais com idade gestacional ≥22 semanas. registrados no SIM e todos os nascidos vivos registrados no SINASC. As Taxas de Mortalidade Fetal (TMF) foram calculadas por 1.000 nascimentos totais, e a tendência analisada por meio do modelo Joinpoint Regression, com estimativa da Variação Percentual Anual (APC). Resultados: Registraram-se 306.418 óbitos fetais e 33.367.549 nascidos vivos, predominância em mulheres de 20 a 29 anos (40,98%) e escolaridade entre 8 e 11 anos (42,28%). A maior proporção de óbitos ocorreu entre 32 e 36 semanas (27,74%) e no sexo masculino (52,33%). As afecções perinatais responderam por 92,31% das causas de óbito. A TMF apresentou redução de 9,74 para 8,09 por 1.000 nascimentos, com declínio significativo (APC= –1,24%; p < 0,001). Observou-se tendências decrescentes nas regiões Nordeste e Sudeste e comportamento estacionário no Norte e Centro-Oeste mantiveram. Conclusão: Os achados reforçam a necessidade de políticas equitativas, que fortaleçam a assistência pré-natal, ampliem o acesso ao parto seguro, aprimorem a vigilância do óbito fetal e reduzam desigualdades territoriais na atenção materno-infantil.
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